Boletim Eletrônico da ABO NACIONAL - Nº 94 - Dezembro/2007

Mais uma vitória contra a carga tributária

Para a ABO, que participou ativamente da mobilização nacional contra
a prorrogação da CPMF, fim da cobrança representa mais uma vitória
da luta por justiça tributária

As entidades, lideranças e milhões de contribuintes que, ao longo dos últimos meses, mobilizaram-se nacionalmente pelo fim da Cobrança Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) estão aliviados. O imposto, que vinha se perpetuando por uma década sem cumprir seu objetivo original de financiar a saúde pública naquele momento de crise, foi abolido na madrugada de hoje (13/12), no Senado. Os 45 senadores que votaram a favor não foram suficientes para a prorrogação, que precisava de 49 votos.

O destino da CPMF foi decidido uma semana depois de a ABO se reunir com representantes de várias entidades que compõem o Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor, no último dia 6 de dezembro, em São Paulo, quando reafirmou sua posição contrária ao imposto. “Nós conhecemos a saúde do Brasil e temos plena convicção de que o problema não é falta de verba, mas de direcionamento correto dos recursos que deveriam, constitucionalmente, ir para a saúde. Não podemos permitir que a saúde pública seja usada como pretexto para aumentar, ainda mais, a já pesadíssima carga tributária brasileira. Se os governos municipais, estaduais e federal seguirem o que está sendo defendido pelo setor da saúde em relação regulamentação da EC 29, com certeza a saúde poderá ter toda a verba de que necessita”, comentou o presidente da ABO Nacional, Norberto Lubiana.

A CPMF, conhecida como “imposto do cheque”, incide sobre movimentações bancárias e foi criada em 1997, no governo Fernando Henrique Cardoso, com alíquota de 0,2%, para ter vida curta e ajudar, emergencialmente, a saúde pública do Brasil. Ao contrário, o brasileiro acompanhou o imposto se estender por uma década, com sua alíquota crescendo aos recentes 0,38%, e a saúde se deteriorando.

Manobras políticas – Pouco antes da sessão, que durou horas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou mensagem endossando a proposta ministerial de destinar uma parcela maior da CPMF à saúde. A oposição não aceitou a proposta e a base governista tentou, sem sucesso, adiar a votação mais uma vez. Com quorum de 79 senadores, o artigo 2 da Proposta de Emenda Constitucional 89/07, que tratava da prorrogação da CPMF, foi derrubado.

ABO, entidade cidadã – Desde o lançamento da Frente Estadual de Vereadores Contra a CPMF, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no dia 6 de agosto, as entidades que compõem o Fórum do Empreendedor não passaram uma semana sem realizar atos públicos ou audiências pautadas pelo fim da CPMF. A ABO participou de todas as manifestações ativamente. O secretário-geral da entidade, Newton Miranda de Carvalho, esteve na última reunião do Fórum antes da votação da CPMF no Senado, no dia 6 de dezembro, na sede do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Estado de São Paulo (Sescon-SP), quando declarou que, “independente do resultado da votação, nosso trabalho no Fórum continua, pois a ABO representa mais de 218 mil cirurgiões-dentistas que, antes de tudo, são cidadãos”.

Por conta dessa postura, a entidade participou de outras grandes conquistas do povo brasileiro em 2007. Também como membro do Fórum do Empreendedor, a ABO se opôs à Medida Provisória 232, que aumentava o imposto de renda dos prestadores de serviços, inclusive dos cirurgiões-dentistas, dos agricultores e de vários setores da economia, forçando o governo a voltar atrás. Para substituir a 232, foi editada a MP 252, chamada de “medida do bem”, que ainda representava grande prejuízo ao contribuinte. Após mais pressão das entidades do Fórum, surgiu a MP 275, que, enfim, contemplava as reivindicações da sociedade civil organizada.

Verbas certas para a saúde – Ainda em trâmite no Senado, a regulamentação da EC 29, responsável pela organização do repasse mínimo de verbas para a saúde, é outra grande bandeira da ABO. Para acelerar a votação e fazer com que ela seja favorável ao setor, a Frente Parlamentar da Saúde, que conta com o apoio ativo da ABO, vem pressionando o Senado através de reuniões com entidades representativas e visitas aos gabinetes dos senadores.

Uma subemenda ao Projeto de Lei Complementar 1/03, que regulamenta a EC 29, foi aprovada pela Câmara no dia 31 de outubro. Segundo o presidente da Frente Parlamentar de Saúde, deputado Darcísio Perondi, a aprovação da Câmara foi uma grande vitória, “pois foram definidos o que são serviços de saúde, acabando com os desvios de recursos do setor”. Mas o deputado e a ABO defendem melhorias na lei, pedindo a restauração do texto original da proposta de regulamentação, que prevê a correção do orçamento federal da saúde em 10% das receitas correntes brutas e aceita um escalonamento em quatro anos, a partir de 8,5%. “Se for realmente aplicada, na prática, pelo poder público, a EC 29 será um reforço fundamental para que o Brasil tenha uma saúde melhor”, disse o presidente da ABO Nacional, Norberto Lubiana.

A ABO participa das audiências públicas, reuniões e ações organizadas pela Frente Parlamentar de Saúde, divulgando o assunto em seus veículos de comunicação e chamando os cirurgiões-dentistas brasileiros a se inteirar e a participar do movimento. Para Lubiana, a aprovação da EC 29 na Câmara, a vitória contra a CPMF no Senado e todas as outras conquistas são resultado de muita mobilização social. “É um trabalho que envolve, inclusive, a difusão e o esclarecimento dessas idéias entre os cirurgiões-dentistas brasileiros e para a imprensa, que, por sua vez, multiplicam essas informações para toda a população. Somos brasileiros lutando em defesa da nossa cidadania. Nossa ação deverá se manter para o futuro, independente de qual partido esteja no poder, já que, historicamente, todos os governos passados e o atual contribuíram para que o País chegasse a uma das mais altas cargas tributárias do planeta. Com certeza, a economia que os 218 mil cirurgiões-dentistas de todo o Brasil terão será o suficiente para pagar as anuidades do CRO e da ABO ou da entidade de sua especialidade – e ainda ter uma sobra para a cobertura de outras despesas do seu dia-a-dia”, declarou Lubiana.

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