O hábito de palitar os dentes pode ser tão antigo quanto a Humanidade. No meio antropológico, especialistas discutem se hominídeos ancestrais usavam talos de gramíneas para desobstruir os espaços interdentais ou para aliviar o incômodo provocado por problemas odontológicos. Reforçam a hipótese as estranhas marcas curvas e vestígios de plantas encontradas na raiz de dentes fossilizados.
Os contrários a esta hipótese afirmam que usuários do acessório não apresentam os mesmos sinais dos parentes das cavernas. Mas ao contrário da madeira, a grama contém partículas de sílica abrasivas e o tamanho certo para deixar os supostos vestígios.
Para lançar uma luz sobre a questão, a paleontologista norte-americana Leslea Jane Hulsko passou oito horas esfregando um pedaço de grama em um dente de babuíno e repetiu o experimento por três horas em um moderno dente humano. As marcas deixadas em ambos eram idênticas.
Se Leslea estiver certa, o fóssil catalogado de um dente com idade estimada em 1,8 milhão, também marcado, prova que palitar os dentes é um dos hábitos mais velhos da humanidade já registrados. |