SAÚDE BUCAL
Projeto de lei proíbe fumo no esporte
O deputado federal Carlos Nader (PL-RJ) apresentou na Câmara dos Deputados um projeto de lei que proíbe o fumo nos esportes. A restrição imposta pelo PL 6807/2006 veta o uso de cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos ou de qualquer outro produto fumígero, derivado ou não do tabaco, em recinto coletivo, privado ou público, destinados à pratica esportiva. A iniciativa do parlamentar recebe apoio da ABO Nacional, que também adotou uma série de medidas de restrição ao tabaco.
De acordo com o parlamentar, o cigarro mata anualmente mais do que a Aids, álcool, cocaína, heroína, acidentes de trânsito e suicídio somados. Nader argumenta que o fumo resiste bravamente no Brasil, apesar de 20 anos de campanhas governamentais contra este produto e das leis que obrigam a divulgação dos males provocados à saúde dos fumantes. “Este projeto de lei intenta proteger as pessoas contra a exposição a qualquer tipo de fumo. A opção pelo tabagismo deve ser feita na idade adulta, e não constituir uma indução subliminar por parte destes”, justifica o autor da proposta.
“Assim como toda iniciativa que visa ao controle do tabaco, este projeto de lei tem todo o respaldo institucional que estiver ao alcance da ABO”, afirma o presidente da nacional da Associação, Norberto Francisco Lubiana. “Afinal o tabagismo é um dos principais fatores de risco para o câncer bucal, doença que deverá afetar mais de 13 mil vidas até o final de 2006”, completa.
O Projeto de Lei ° 4846 de 1994, do então deputado Francisco Silva (PP/RJ), tramita apensado à proposta de Nader. Em seu texto, Silva recomenda medidas destinadas a restringir o consumo de bebidas alcoólicas.
ABO contra tabaco
A ABO está empenhada na erradicação do tabagismo no esporte. Durante as comemorações do Dia Mundial contra o Tabaco, celebrado em 31 de maio, a ABO participou do movimento por uma Copa do Mundo 2006 livre do fumo. Como membro da Federação Dentária Internacional (FDI), a ABO endossou uma carta aberta à Fédération Internationale de Football Association (Fifa) pedindo o restabelecimento da cooperação firmada entre a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Fifa na Copa do Mundo de 2002. Pelo acordo, as partes reconheciam que tabagismo e esporte são incompatíveis e toda a forma de tabaco foi proibida dos eventos esportivos associados à Fédération. A ABO encaminhou ainda uma carta ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, solicitando a mesma providência nos estádios brasileiros.
Guia orienta CDs
A preocupação com o cigarro, porém, não se restringe aos estádios, quadras e centros esportivos. A OMS e a FDI elaboraram uma publicação intitulada Guia Tabaco ou Saúde Bucal com diretrizes práticas que devem ser adotadas por profissionais de saúde bucal para promoção de saúde e controle de tabagismo de uma forma geral. A ABO trabalha para lançar uma versão em português e proporcionar aos cirurgiões-dentistas brasileiros mais uma ferramenta para a conscientização de pacientes sobre os riscos deste hábito nocivo à saúde.
Exemplo
A ABO Nacional proibiu o uso de cigarro e congêneres nas dependências de sua sede em São Paulo e incentiva todas as 320 células a adotar a mesma medida em suas instalações.
Tabagismo no mundo*
O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam. Enquanto nos países em desenvolvimento os fumantes constituem 48% da população masculina e 7% da população feminina, nos países desenvolvidos a participação das mulheres mais do que triplica: 42% dos homens e 24% das mulheres têm o comportamento de fumar.
O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia. Caso as atuais tendências de expansão do seu consumo sejam mantidas, esses números aumentarão para 10 milhões de mortes anuais por volta do ano 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade produtiva, entre 35 e 69 anos. (OMS, 2003).
* Fonte: www.inca.gov.br
Jovens - De acordo com estudo realizado pela OMS em 131 países, iniciado em 2000 e publicado nesta semana (13/6), em Washington (EUA), 56% dos jovens entre 13 e 15 anos são fumantes passivos. A maior exposição acontece na Europa Central e no leste do continente, atingindo entre 78% e 85% dos jovens.