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REDE ABO

Revista ABO enfoca biomateriais nacionais


Pesquisa de Camila Mayworm, uma das
entrevistadas, é para aumentar resistência à
fratura dos compósitos

Cirurgiões-dentistas que ingressaram em programas de pós-graduação nas Áreas de Exatas para desenvolver biomateriais nacionais são tema de reportagem especial da Revista ABO Nacional número 80 (outubro/novembro de 2007).

O Programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais (PEMM) de Pós-graduação do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) tem se destacado pela abertura de espaço para os CDs desde 2003, quando criou oficialmente uma área de concentração em Bioma­teriais. Atualmente, dá guarida para cerca de 20 dissertações de mes­trado e nove teses de doutorado de profissionais de Odontologia. A produção ainda é menor que outras áreas de concentração, mas alguns trabalhos já são publicados por periódicos de alto impacto.

No PEMM, pós-graduandos como Camila Dolavale Mayworm desenvolvem projetos que contribuem para aumentar o índice de nacionalização dos insumos do setor. Camila pesquisa uma nova formulação de compósito para restauração dentária. O objetivo é diminuir o desgaste e a contração de polimerização, além de aumentar a resistência à fratura desses materiais, tornando-os mais duráveis.

Outro projeto de pós-graduação incubado no PEMM propõe a criação de uma “boca biônica” para reproduzir as condições do meio bucal e os movimentos de mas­tigação. O projeto será útil para testar a resistência ao desgaste dos materiais dentários em condições parecidas com as da cavidade oral. Segundo a pós-graduanda Juliana Antonino de Souza, isso deverá ser possível com o desenvolvimento de um novo equipamento que deverá possibilitar o controle da carga aplicada ao material, do meio bucal e seu pH, usando uma saliva artificial, da velocidade e número de ciclos, entre outros parâmetros. O projeto está em fase de levantamento bibliográfico, para identificar eventuais aperfeiçoamentos nos experimentos existentes, e deverá contar com ajuda de pesquisadores da Engenharia e Robótica.

O interesse pela pesquisa em biomateriais é salutar para o desenvolvimento do setor odontológico nacional. E mais ainda para o desenvolvimento do senso crítico do cirurgião-dentista brasileiro. “Hoje me sinto muito mais segura quando falo dos materiais dentários e sei que nem tudo que está escrito na bula deles é 100% verdadeiro”, afirma Juliana.

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