PROFISSÃO
Hepatite B: sério problema de saúde pública que pode ser prevenido
Profissionais de saúde são mais expostos a doença que o restante da população
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A hepatite B, causada pelo vírus HBV, pode ser transmitida através de relações sexuais, pelo sangue (ou parenteral), principalmente através de contato com instrumentos perfurocor- tantes contaminados pelo vírus, e por via vertical, da mãe para o bebê durante o parto. Após a infecção, o HBV concentra-se no fígado, causando uma inflamação no órgão. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a hepatite B é uma das maiores doenças da humanidade e um sério problema de saúde pública.
Das pessoas saudáveis que contraem a doença, 90 a 95% conseguem eliminar o vírus e se recuperam. O restante divide-se em duas situações: uma parte são portadores assintomáticos, enquanto outros podem desenvolver a hepatite B crônica com forte inflamação do fígado e danos hepáticos permanentes, como cirrose e até câncer de fígado. Mas, mesmo os assintomáticos podem transmitir o vírus a outras pessoas.
É melhor prevenir
A principal via de transmissão da doença atualmente é a sexual, o que reforça a necessidade de usar preservativo nas relações, inclusive nas de sexo oral. Também é preciso ter atenção se locais que utilizam instrumentos perfu- rocortantes, como manicures, lojas de tatuagem e bodypiercing, laboratórios, clínicas e outros, os esterilizam corretamente ou usam materiais descartáveis - ainda mais considerando que o vírus HBV pode sobreviver por até mais de quatro semanas no ambiente. Mulheres grávidas, ou que queiram engravidar, devem fazer o teste para saber se é portadora do vírus HBV. |
Hoje já existe a vacina contra a hepatite B, que protege a pessoa por toda a vida. Mas, como ela entrou para o calendário oficial de vacinação do Ministério da Saúde recentemente e é obrigatoriamente aplicada somente em bebês, muitos adultos e jovens não foram vacinados. Assim, devem procurar um médico ou um Posto de Saúde para receber a vacina.
No consultório
A hepatite B pode ser transmitida dentro do consultório odontológico em situações acidentais com materiais perfurocortantes contaminados por via percutânea ou transmucosa. Há também a possibilidade de ocorrer pelo contato desses instrumentos com fluidos, como a saliva, em mucosas.
Segundo a consultora científica em Biossegurança da ABO Nacional, Renata Pittella, a primeira medida que o cirurgião-dentista deve tomar para evitar o contágio nesse ambiente é a anamnese, para identificar os pacientes de risco. "A imunização do profissional também é uma atitude preventiva imprescindível", completa Renata.
Com relação aos procedimentos, é preciso seguir o protocolo de biossegurança. "A correta esterilização do instrumental irá prevenir os casos de infecção cruzada (paciente/paciente). Isso inclui desinfecção, lavagem, empacotamento, esterilização propriamente dita e armazena- mento." Além disso, a consultora cita como importante a desinfecção das superfícies, o uso de instrumentos cortantes descartáveis (seringas, bisturis, agulhas de anestesia e outros), de barreiras e do equipamento de proteção individual, como máscara, luvas, jaleco, gorro e óculos.
Por fim, Renata alerta que o vírus da hepatite B tem alta infec- tividade e que os profissionais de saúde devem ter bastante cuidado, pois estão mais expostos a ele do que a população em geral.
Sintomas
Os portadores da hepatite B sintomáticos sentem as primeiras mudanças geralmente de quatro a 12 semanas após o contato com o vírus, mas também podem surgir depois disso. Inicialmente, ocorrem mal-estar generalizado, náusea e vômito, dores de cabeça e no corpo, cansaço, febre, falta de apetite. Esses sintomas são semelhantes aos das hepatites em geral. Após alguns dias, esses problemas desaparecem e são seguidos por pele e mucosas com cor amarelada das (icterícia), urina escurecida (colúria) e fezes de cor clara. Depois de duas a 12 semanas, esses sintomas somem gradativamente e chega a fase da convalescença.
Mesmo com os sintomas, o diagnóstico da hepatite B é confirmado é confirmado com exames de sangue. Caso haja suspeita de que seja hepatite B crônica com sérios danos para o fígado, é feita uma biopsia do órgão.
Para tratar
Os pacientes com hepatite B aguda que apresentam sintomas devem, a princípio, manter repouso relativo até que a sensação de bem-estar retorne, o que deve levar cerca de quatro semanas. Fora isso, é preciso ter acompanhamento ambulatorial. Não há nenhuma restrição de alimentos, mas a ingestão de bebidas alcoólicas é desaconselhável.
Os portadores que evoluírem para o estado crônico devem ser acompanhados com testes de marcadores sorológicos por um período mínimo de seis a 12 meses. Depois disso, os que forem definidos como crônicos devem receber atendimento especializado. O tratamento com medicamentos não cura a doença, mas pode inativá-la ou diminuir a quantidade de vírus no organismo.
A hepatite B e o Brasil
Segundo dados publicados na Revista Pan-americana de Saúde Pública, editada pela Organização Pan-americana de Saúde (Opas), o número aproximado de casos confirmados de hepatite B no Brasil, em 2000, era de 6.800, sendo que a maioria dos portadores tinha 30 anos ou mais. Nesse mesmo ano, 291 pessoas morreram no País em decorrência da doença. No período entre 1996 e 2000, a hepatibe B foi a segunda entre as hepatites virais com mais casos confirmados no Brasil com 25% deles. Antes dela veio a hepatite A com 43%, depois a C (12%); 17% foram casos ignorados, provavelmente por falta de comprovação sorológica, e o restante se dividiu entre outros tipos de hepatites. |
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