EDITORIAL
Cidadania multiplicada por 200 mil
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Desde pequenos, várias maneiras de se conceituar cidadania nos são apresentadas, da clássica interação entre direitos e deveres à responsabilidade da luta pela defesa do bem-estar social - que acaba por beneficiar, também, o indivíduo. O trabalho de um cirurgião-dentista, por si só, já carrega uma grande carga de responsabilidade com esses conceitos de cidadania. Representar mais de 200 mil destes profissionais dentro e fora do país, em questões que envolvem interesses não só de classe, mas também o interesse público, é uma responsabilidade maior ainda.
Essa preocupação já se transformou em marca da ABO Nacional em Brasília graças à presença constante de representantes da entidade nas discussões que envolvem os interesses da categoria e da sociedade. O reconhecimento é expresso através dos convites que a ABO tem recebido para participar desses momentos, prova de seu poder de representação e mobilização. |
Graças a essa capacidade, potencializada ao longo dos últimos anos, e à atuação como integrante do Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor, a ABO representa agora os cirurgiões-dentistas do Brasil também no Corpo Consultivo do Programa Estadual de Desburocratização (PED), iniciativa do Governo do Estado de São Paulo pela redução dos danos causados pela burocracia no País. Com o mesmo vigor com que combate a burocracia, a ABO posiciona-se contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), criada para substancializar as políticas públicas em Saúde no Brasil mas que se arrasta por uma década sem ter êxito na sua missão original. A ABO participou, em março, do lançamento da campanha "XÔ, CPMF", acompanhada de outras 50 entidades de peso no cenário nacional, com a autoridade de quem lida com saúde pública intimamente e tem conhecimento das carências dessa área em nosso país. A luta da ABO, há mais de um ano, em defesa de mais verbas para a saúde pública foi reafirmada pelo apoio do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que defende, também, a regulamentação da Emenda Constitucional 29 (EC-29), para garantir as verbas que deveriam se originar da cobrança da CPMF e trariam mais de R$ 10 bilhões para o setor saúde.
O olhar vigilante da ABO também tem se ocupado da Super-Receita, projeto de lei em tramitação que dá poder a fiscais da Receita de decidir sobre relações trabalhistas entre prestadores de serviço - autonomia que prejudicaria profissionais e toda a sociedade.
Outra mostra de que nossa luta é coletiva pode ser tirada do apoio dado à Associação Brasileira do Comércio de Produtos Odontológicos (ABCPO) nos últimos acontecimentos envolvendo a exigência de farmacêutico nas dentais para a venda de anestésicos. A ABO tem consciência de que essa exigência afeta a todos, e que os custos com contratação de mais estes profissionais por parte das dentais possivelmente terão reflexo nos preços do medicamento e das consultas.
São muitas as formas de se definir cidadania, e os caminhos que a ABO tem trilhado em todo o Brasil em defesa dos profissionais que representa e da sociedade ajudam a vislumbrar um novo conceito desta palavra, ligado à idéia de construção de relações de cooperação e confiança mútua em nome de um bem comum.
Norberto Francisco Lubiana
Presidente
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