PROFISSÃO
25 de Outubro - Dia do Cirurgião-dentista
Razões para comemorar e para melhorar
Confiança dos brasileiros, grande número de profissionais e Programa Brasil Sorridente são motivos para comemorar a data e para correr atrás dos prejuízos da saúde bucal da população
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No próximo Dia do Cirurgião-dentista, 25 de outu bro, os CDs brasileiros têm um bom motivo para comemorar: a categoria ficou em segundo lugar entre as profissões de maior confiança da população, logo atrás dos bombeiros. O levantamento Marcas de Confiança é feito há seis anos pela revista Seleções - Reader's Digest e indica não somente as profissões mais confiáveis, mas também as empresas, instituições e pessoas dignas de crédito. A edição de 2007 da pesquisa foi aferida pelo Ibope Inteligência e realizada com mais de mil leitores da publicação.
Este resultado é mais um indicativo do bom nível em que está a Odontologia brasileira e é uma boa notícia para 217.138 brasileiros, que somam todos os cirurgiões-dentistas do País, segundo dados de Conselho Federal de Odontologia (CFO) de setembro de 2007. Destes profissionais, 119.629, ou 55%, são mulheres, ou seja, a maioria. Além disso, unem-se ao grupo anualmente uma média de 15.500 CDs recém-formados.
Mas a Odontologia do Brasil não é feita só de cirurgiões-dentistas. A boa colocação na pesquisa e a Semana Nacional da Saúde Bucal, também lembrada em outubro, devem ser comemoradas ainda por outros 89.928 profissionais, entre técnicos em prótese dentária, técnicos em higiene dental, auxiliares de consultório dentário e auxiliares de prótese dentária, que ajudam a manter o bom nível dos serviços prestados.
Odontologia em desequilíbrio
Números de peso formam a Odontologia brasileira, como o de mais de 217 mil profissionais, sendo 55.617 deles especialistas, e o de 188 faculdades. No entanto, estes números em muitos |
momentos não estão equilibrados - dentro do contexto de desigualdades em que vive o Brasil. Assim, mesmo com tamanha oferta de profissionais, em muitos Estados o serviço é escasso e a prevalência de cárie pelo índice CPO-D apresenta grandes variações entre as regiões do País. O Estado do Piauí, por exemplo, possui 1.670 cirurgiões-dentistas, o de Mato Grosso, 2.902, e o Pará, 3.008. Com esses números, a relação de habitantes por CD nesses Estados é de 1/1.702, 1/862 e 1/2.058, respectivamente. Enquanto isso, no Rio de Janeiro existem 25.705 profissionais, em São Paulo , 71.782 e 12.811 no Rio Grande do Sul. A proporção entre CD e população nesses locais fica, então, de 1/559, 1/515 e 1/795, respectivamente, mostrando uma grande diferença entre os exemplos citados. Não há um número ideal para essa relação, mas variantes como 1/1.000 e 1/2.000, pois para determiná-la é preciso levar em consideração elementos envolvidos no planejamento de recursos humanos odontológicos necessários em cada comunidade, como o seu perfil epidemiológico.

Pucca, do Ministério da Saúde |
Porém, quando é considerado o fator epidemiológico, nota-se que os Estados com maior número de habitantes por cirurgião-dentista pertencem às regiões brasileiras com índices de CPO-D mais altos, segundo dados do Levantamento das Condições de Saúde Bucal da População Brasileira - SB Brasil, feito pelo Ministério da Saúde em 2003, com a colaboração da ABO. Entre crianças de 12 anos, a Região Nordeste apresentou CPO-D de 3,19, a Norte, de 3,13 e a Centro-oeste, 3,16. Considerando que a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) desse índice, nessa idade, para 2000 é menor ou igual a 3, as Regiões Sul e Sudeste se saíram melhor no levantamento, com 2,31 e 2,30, respectivamente.
Brasil como um todo
Esse índice epidemiológico no País de forma geral entre crianças com 12 anos ficou dentro do preconizado pela OMS: 2,78. Mas ainda assim, a cárie nessa idade é um grave problema de saúde pública no Brasil, já que cerca de 3/5 dos dentes atingidos estão sem tratamento.
Essa falta de cuidados reflete-se nas faixas etárias seguintes, em que os resultados obtidos no SB-Brasil ficaram distantes das metas da OMS. Aos 18 anos, apenas 55% dos brasileiros permanecem com todos os dentes, enquanto |
que a porcentagem indicada pela Organização Mundial é de 80%. Nas faixas etárias entre 35 e 44 anos e entre 65 e 74, os dados levantados no Brasil para população com 20 ou mais dentes foi de 54 e 10%, respectivamente, enquanto o recomendado é 75 e 50%. ( Antonela Tescarollo )
Dias melhores virão
A partir dos dados alarmantes e preocupantes apontados pelo levantamento SB Brasil do Ministério da Saúde saíram boas novas para a saúde bucal dos brasileiros: a implantação do Programa Brasil Sorridente, lançado pelo governo federal em março de 2004 - mais um grande motivo para comemorar a Semana Nacional de Saúde Bucal, que engloba o Dia do CD. "Com o lançamento do Brasil Sorridente, a Odontologia brasileira começou a viver outro momento. Único na nossa história. O poder público começou a enxergá-la como área efetiva da saúde e o impacto disso está sendo imenso", diz o coordenador Nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde Gilberto Pucca Jr.
Desde então até o fim de 2006, o programa recebeu investimentos de mais de R$ 1,2 bilhão e, neste ano, a previsão é de mais R$ 640 milhões. Além disso, de 2007 a 2010, a meta do Ministério é direcionar mais R$ 2,7 bilhões para a saúde bucal, superando em R$ 1,5 bilhão o que já foi investido.
Com isso ganha, obviamente, a população, já que, entre dezembro de 2002 a abril de 2007, 49 milhões de pessoas passaram a ser cobertas pelo serviço, totalizando 75 milhões de brasileiros atendidos. E também ganham os profissionais da área odontológica, que agora vislumbram um novo campo de atuação. "Em três anos de programa o Sistema Único de Saúde (SUS) já absorveu quase 20 mil cirurgiões-dentistas, entre especialistas e generalistas, ACDs, THDs e protéticos. O grande empregador hoje é o setor público, abrindo um amplo mercado de trabalho que antes era muito reduzido", completa Pucca.
O coordenador também coloca que hoje o trabalho em saúde bucal segue uma visão mais integral e em equipe. "Um exemplo é o trabalho das Equipes de Saúde Bucal (ESBs) inseridas no Programa Saúde da Família, que hoje já são mais de 16 mil em quase 4 mil cidades, e os mais de 550 Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) instalados em mais de 480 cidades diferentes." E Pucca completa otimista: "Estamos, realmente, nos colocando como profissionais de saúde e a sociedade já começa a perceber que saúde bucal é parte inseparável da saúde das pessoas. Estamos avançando rápido, e acho que o caminho é sem volta." ( AT )
Fontes de dados para a matéria: Conselho Federal de Odontologia/IBGE/SB-Brasil/Coordenação Nacional de Saúde Bucal
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