LIVRO
Perfil Atual e Tendências do Cirurgião-Dentista Brasileiro
GUIA
Controle de tabaco

GERENCIAMENTO
Resíduos de Serviços de Saúde
CADERNO
Atenção Básica

 

PROFISSÃO


Prevenção dá lucro?
Plínio Tomaz

Já não foram poucas as vezes que ouvi este questionamento partindo de colegas de diversas especialidades. No fundo, há um medo nem sempre assumido por trás desta colocação. Mas, qual a verdade sobre isto? Prevenção é capaz de dar lucro a quem a executa? Ou será que se todos começarem a se dedicar muito a esta finalidade, isso acarretará no "fim da Odontologia" como nós a conhecemos hoje? O avanço de técnicas preventivas vai provocar redução em mercado de trabalho e, consequentemente, sérios problemas para a classe?

Há várias formas de ver a questão e diversas respostas possíveis a ela (nem todas completamente certas ou erradas), mas a minha formação sanitarista de base, ao se aliar à minha visão e formação em marketing, me fazem preferir assumir uma posição em defesa da utilização dos procedimentos preventivos como produto perfeitamente capaz de gerar lucro. E por que não?

É verdade que, considerando que prevenção primária é aquela que se dedica a tentar

impedir o aparecimento de cáries e periodon­topatias através da inibição da existência e/ou ativação da placa bacteriana, poderemos então entender ou esperar que a prevenção, se corretamente executada, reduzirá consideravelmente a necessidade de procedimentos como restaurações, tratamentos endo­dôn­ticos, exodontias e próteses, só para citar alguns dentre a imensa lista dos procedimentos "curativos". Mas qual é o sentido da Odontologia se não for cuidar dos problemas atuais e se desenvolver a ponto de eliminar os problemas futuros? Com a mesma lógica, defendemos que o avanço da Medicina seja capaz de trazer a cura, a prevenção ou completa eliminação de muitas doenças e até mesmo a conseqüência natural do envelhecimento. O mesma vale para a Odontologia: seu papel primordial é, antes de tudo, descobrir a cura máxima para os males bucodentais. Alguns podem até não gostar da idéia, da mesma maneira que possivelmente encontremos pessoas que, para não deixar de ter lucro, não apóiem a inovação de técnicas, tecnologias, materiais e medicamentos que previnam ou eliminem doenças importantes.

O que a ética realmente nos ensina é que devemos dar o nosso melhor para cuidar de pessoas e evitar danos, e não tornar parte disso para ganhar mais recursos com nova especialidade. Não estou certo?

Alguns itens sairão do nosso "cardápio", mas outros virão. Isso faz parte da inevitável e essencial evolução profissional.

Países nórdicos, entre outros, vêm provando que a Odontologia pode perfeitamente sobreviver - e crescer - substituindo uma atividade curadora por outra preventiva. Com a mudança de cultura, que certamente acompanhará tal evolução, proporcionará um novo mercado, ávido por manter-se absolutamente sem cáries ou problemas de gengivas. O cirurgião-dentista será este novo profissional, mais amado e desejado, uma vez que não será mais visto como interventor doloroso, ou mal necessário.

Além disso, chamo a atenção para o fato de que procedimentos preventivos têm, geralmente, baixo custo. Acredito que se aliarmos este fato ao hábito de eliminarmos totalmente a péssima (e mentirosa) mania de colocar a "culpa" pelos preços praticados nos materiais, protéticos ou outros que tais, automaticamente caminharemos na direção da valorização da Odontologia.

O próximo passo deverá ser, então, aprender a ver o cliente como alguém que merece não ter problema bucal, para que ele lhe veja (e a toda a classe) como alguém igualmente interessado em saúde e não em dinheiro. Aí... o dinheiro virá!!

Hoje já podemos fazer boa parte disso, mas ainda estamos no início desta jornada. É preciso nos juntar para que possamos conscientizar as pessoas quanto ao que é possível fazer hoje em termos de Odontologia, e é preciso também atuar para despertar a necessidade na população e gerar o desejo por esta nova Odontologia. Bom, mas este já é outro assunto...

* Plínio Augusto Rehse Tomaz é cirurgião-dentista e diretor da Tomaz Assessoria e Marketing S/S Ltda. Autor dos livros "Marketing para Dentistas" (Navegar Editora, 4ª edição, 2004) e "Consultório-Empresa" (Navegar Editora, 2004) e Alcançando o Alvo!!!(Navegar Editora, 2006). Página na web: http://www. tomazmkt.com.br

E-mail: plinio@tomazmkt.com.br


Voltar ao índice





 

Copyright © 2005 ABO - Associação Brasileira de Odontologia. Melhor se visualizado com resolução de 1024 X 768.
Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.