INTERNACIONAL
ENTREVISTA
Roberto Braga de Carvalho Vianna presidente eleito da Federação Dentária Internacional
"Uma vitória consagradora para Brasil e América Latina"
Por Antonela Tescarollo, repórter do JABO

Roberto Vianna |
Com a bela vitória de 69% dos votos, o cirurgião-dentista Roberto Vianna, do Rio de Janeiro, foi eleito presidente da Federação Dentária Internacional (FDI), no dia 26 de outubro, durante Assembléia-Geral do congresso da entidade realizado em Dubai (Emirados Árabes). Mas, ele deixa claro, em todo momento, que essa é uma vitória de toda a Odontologia brasileira e latino-americana, representadas pela ABO e pela Federação Odontológica Latino-americana (Fola).
Desde o início, a candidatura de Vianna foi discutida e definida por todos os representantes da América Latina e mostrou o sentimento comum de ter pela primeira vez, em 107 anos de história da FDI, um candidato a presidente da Federação Internacional. O momento ainda indica que a região está à procura de uma participação mais efetiva nas discussões em torno da Odontologia mundial, dentro de um contexto mais democrático e harmônico.
Na entrevista a seguir, concedida ao JABO logo após seu retorno ao Brasil, Roberto Vianna fala sobre esse grande passo para a profissão e a saúde bucal na região e sobre seus novos compromissos e atribuições na entidade máxima da Odontologia mundial. |
1- Comente o que representa para a Odontologia brasileira e latino-americana o momento em que o sr. é eleito como presidente da FDI.
Na FDI, em nenhum momento, estivemos tanto em evidência. A presença maciça de todos os países da América Latina na Assembléia-Geral de Dubai já antecipava a importância que toda a região estava dando para a eleição de um latino-americano para a FDI. É uma vitória consagradora para a região e para o Brasil, que já havia sido confirmado como sede do Congresso de 2010 da Federação, na cidade de Salvador.
A América Latina, com esse destaque, tem a oportunidade de trazer a atenção do mundo odontológico para suas realizações científicas e institucionais. A qualidade de nossos professores e dirigentes muitas vezes não é reconhecida pela pequena evidência que possuímos no cenário mundial. O nosso destaque que vem se evidenciando na IADR ainda não foi traduzido para a esfera gremial, provavelmente devido às barreiras lingüísticas e ao fato de que os periódicos publicados na América Latina possuem pequena circulação fora da região.
2 -Quais serão suas atribuições nos dois anos em que ficará como presidente eleito?
A princípio, a entidade máxima da Odontologia mundial é dirigida por um triunvirato, composto pelo presidente, o presidente eleito e o tesoureiro, que formam o Comitê Executivo da FDI. Esse comitê, junto com o secretário executivo, administra a entidade. O Comitê Executivo conta com a assessoria direta do Conselho da FDI, composto por 13 membros.
Os deveres específicos do presidente eleito são semelhantes aos deveres de um ministro de Interior. E a representação exterior e nos fóruns internacionais é exercida pelo presidente, no caso, Burton Conrod, do Canadá, que tomou posse em Dubai. Eu tomarei posse em 2009, no Congresso da FDI em Singapura, e Salvador/Brasil será meu primeiro Congresso como presidente.
3- A campanha da sua candidatura foi liderada pela ABO com o apoio de todos os países da Fola. Como ficou definida essa relação e como fica agora, após a eleição?
A liderança da ABO, na qual a minha pessoa torna-se um instrumento, é realmente exercida no momento em que toda a região entende minha candidatura como uma candidatura dela. Todos se envaidecem e se consideram responsáveis pela vitória.
4- Como fica a sua relação e compromissos com a ABO, da qual é membro, e com a Fola, após sua eleição?
A minha responsabilidade com a ABO continuará a ser sempre pautada pelos meus deveres de ordem acadêmica e científica. A minha representação como assessor internacional deverá ser adequada de forma que, em nenhum momento, gere conflitos de interesses com a FDI.
5- O Congresso dos 90 anos da Fola, realizado de 1 a 6 de novembro na República Dominicana, foi o primeiro evento em que o sr. participou como presidente eleito da FDI. Como foi esse momento?
Esse momento mostra que a região já começa a ter seu destaque e atenção na Odontologia mundial. No Congresso estavam presentes a ex-presidente da FDI, que deixou o cargo em Dubai, Michèle Aerden, o atual presidente, Burton Conrod, e eu como presidente eleito. Foi a primeira vez, em toda história da FDI, em que foram reunidos essas três pessoas, podendo considerar este um momento histórico.
GESTÃO |
FDI mais democrática e participava
Esta é a proposta de gestão apresentada por Roberto Vianna durante a campanha que resultou em sua eleição:
. Promover a FDI entre os dentistas e a comunidade de profissionais que lidam com a saúde, fortalecendo a posição da FDI como líder mundial e porta voz da profissão odontológica;
. Reforçar e ampliar as relações com a Organização Mundial de Saúde no sentido de manter e garantir a posição atual, nunca antes ocupada pela FDI no que diz respeito à promoção da saúde oral de uma maneira global;
. Garantir e ampliar o processo democrático em todos os níveis dentro da FDI;
. Certificar-se de que todas as normas e procedimentos da FDI sejam debatidos e ratificados pela assembléia geral;
. Fazer prevalecer a transparência, integridade e liberdade em toda a FDI;
. Fortalecer as associações odontológicas nacionais, particularmente em países com uma significante população carente, através de um constante diálogo com as autoridades e líderes mundiais;
. Manter e ampliar o desenvolvimento de serviços e informações para as associações membros, organizações regionais e membros individuais;
. Desenvolver novas oportunidades de investimentos e aplicações para a FDI;
. Fortalecer os laços com as organizações regionais no sentido de proporcionar uma presença mais global da FDI;
. Aumentar a parceria com as organizações relacionadas com as melhorias das condições de trabalho dos profissionais odontológicos e garantir um padrão de excelência no ensino da Odontologia em todo o mundo.
"A nossa plataforma de trabalho reflete os desejos e objetivos de quem entende como prioridade ser capaz de trazer os anseios e preocupações de todos os países-membros para a construção de uma FDI cada vez mais forte, democrática e participativa", declara Roberto Vianna. |
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