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Dengue e febre amarela
Duas doenças, uma saída: prevenção 

De tempos em tempos o problema se repete: dengue e febre amarela ficam às voltas com a população brasileira. Não há vacina para a primeira, e a segunda, apesar da vacinação, incidiu com gravidade em diversas localidades do Brasil nos últimos meses. Mas as duas doenças têm algo em comum além do mosquito transmissor, o Aedes Aegypti: a prevenção como melhor saída.

Dengue - A dengue é mais fácil de ser combatida, mas, paradoxalmente, é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo (veja o mapa da dengue no mundo). Doença infecciosa febril aguda causada pelo vírus Flaviridae, os principais sintomas da dengue são febre alta e dor de cabeça, atrás dos olhos e nas costas. Eventualmente aparecem manchas vermelhas no corpo. A febre dura, em média, cinco dias, e a doença melhora progressivamente em 10 dias. Raramente há complicações, mas podem ocorrer pequenas hemorragias externas.

Febre amarela - A febre amarela é também uma doença infecciosa, mas causada por um flavírus. Só ocorre em países da América Central, da América do Sul e na África, pois é um vírus que precisa do clima tropical para se reproduzir. No Brasil não havia mais casos de febre amarela desde 1942, quando a doença foi s upostamente erradicada pela vacinação.

Os sintomas são febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia e hemorragias de gengivas, nariz, estômago e intestino .

Prevenção - A prevenção das doenças se dá pela extinção do mosquito transmissor, apesar de a vacinação no caso de febre amarela ser essencial. A maior incidência das doenças acontece nos meses de janeiro a abril, período das chuvas, e a melhor forma de se evitar a reprodução do mosquito é combater os focos de acúmulo de água. Além das campanhas de vacinação, é necessário informar a população sobre a ocorrência da doença e como evitá-la. As medidas devem ser tomadas em todos os locais, mas especialmente em zonas rurais e mesmo sítios e casas de veraneio.

Confira, abaixo, uma série de medidas de controle do mosquito com utilização de produtos caseiros para evitar a criação de larvas de Aedes Aegypti. As recomendações foram elaboradas pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).

*Pratos sob vasos de plantas e flores com terra - Eliminar a água acumulada nos pratos depois de regar as plantas, e, de preferência, também escovar ou lavar com bucha a superfície e a parede externa dos vasos, para eliminar os ovos do mosquito nelas aderidos. Adicionar areia.Os ovos do mosquito, mesmo ressecados, podem sobreviver por até um ano sem água. Se neste período entrar em contato com água, o ciclo evolutivo recomeça. Quando a fêmea do mosquito estiver contaminada com os vírus da dengue, ela o transmite para os seus ovos, e os mosquitos já nascerão com eles, iniciando-se novo ciclo de propagação da doença.

*Filtros ou potes d'água - Mantê-los bem tampados e, sempre que não ficarem bem vedados, cobri-los com um pano embaixo da tampa.

*Caixa d'água - Mantê-la sempre tampada ou, pelo menos, telada (tela de mosquiteiro ou tecido) enquanto estiver sendo providenciada a tampa. Realizar a limpeza, com orientação do agente de saúde de sua cidade.

*Tambor, bombona, barril e latão - Em períodos sem uso, emborcar bombonas, barris e latões. Os tambores devem ser

guardados em local coberto, e, quando mantidos ao relento, devem ficar emborcados e ao sol. Em períodos em uso, cobri-los com tampa ou "touca", confeccionada com tela de mosquiteiro ou tecido, ou trocar a água duas vezes por semana, escovar com bucha as paredes do recipiente.

*Bebedouros - Trocar a água duas vezes por semana e escovar ou lavar com bucha o bebedouro, quando de tamanho pequeno. Colocar peixes larvófagos ou lavar e trocar a água duas vezes por semana quando o bebedouro for de tamanho grande e/ou fixo.

*Pneus - Guardá-los secos em local coberto. Quando precisarem permanecer ao relento, tratá-los com sal. Retirá-los do imóvel, entregando-os em pontos de coleta de pneus, ou a gendando seu recolhimento pela prefeitura municipal. Furá-los, no mínimo, em seis pontos eqüidistantes, mantendo-os na posição vertical. Quando utilizados para balanço, é suficiente um único orifício no seu nível mais baixo .

*Material removível (latas, garrafas de vidro ou plástico, potes de iogurte, margarina ou maionese, cascas de coco, calçados e brinquedos velhos etc.) - Colocá-los no cesto ou saco de lixo, para a coleta rotineira da limpeza pública. Garrafas de vidro retornáveis ou outras, inclusive de plástico, deverão ser guardadas secas em local coberto e, de preferência, emborcadas ou tampadas. Se ao relento, deixá-las emborcadas ou tampadas, especialmente as de plástico.

*Piscinas - Em período de uso, efetuar o tratamento adequado incluindo cloro. Em períodos sem uso, reduzir ao máximo possível o volume de água e aplicar água sanitária semanalmente, considerando o volume que permaneceu. Para piscina sem sistema de filtragem, pode-se optar pela adição de sal, não sendo necessário repetir o tratamento.

Para obter informações sobre as quantidades de água sanitária ou sal a ser adicionado por volume de água e conhecer outras medidas de prevenção, consulte o site www.sucen.sp.gov.br. ( Diego Freire )

Quando a vacina se torna um sério risco à saúde 

*Quem deve se vacinar? - "É recomendada a vacinação contra a febre amarela para todos os viajantes, acima de seis meses de idade (nove meses para quem mora fora das áreas endêmicas), que se dirijam aos Estados com áreas de risco, com antecedência mínima de dez dias da viagem", explica Jessé Reis Alves, responsável pelo Check-up do Viajante e pelo Serviço de Vacinação do Fleury Medicina e Saúde.

Não há necessidade de vacinação para os viajantes que se dirigem às demais áreas, uma vez que não apresentam risco de transmissão. "Essa vacina, que é válida por 10 anos, está disponível apenas nos serviços públicos de saúde e alguns aeroportos. Quem deseja fazer viagens internacionais para países que exigem essa imunização prévia deve obter o certificado internacional de vacinação. A listagem completa de serviços de saúde que disponibilizam essa vacina e o documento podem ser consultados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)", ressalta Jessé.

*Contra-indicação - A vacina é contra-indicada para crianças com menos de seis meses de idade, para pessoas com o sistema imunológico comprometido por alguma doença, como neoplasia, Aids ou infecção pelo HIV. Da mesma forma para pacientes em uso de drogas imunossupressoras, radioterapia e com história de reação anafilática relacionada a ovo de galinha e seus derivados. Gestação em qualquer fase constitui contra-indicação relativa, devendo ser avaliado cada caso.

*Soropositivos - Doenças agudas febris moderadas ou graves devem ser primeiramente tratadas, e a vacinação deve ser realizada após a resolução do quadro. Para a indicação da vacinação para indivíduos soro­positivos para HIV e que se desloquem para áreas de risco de transmissão de febre amarela deve ser considerada a contagem de CD4 e carga viral. Quem precisa tomar outras vacinas de vírus vivos, como sarampo, caxumba e rubéola, deve fazê-lo no mesmo dia da vacinação contra a febre amarela. Se a vacinação simultânea não for possível, deve rá aguardar quatro semanas. Vacinas inativadas não apresentam nenhuma restrição de tempo.

*Reações à vacina - Segundo o Ministério da Saúde, aumentou de 30 para 43 o número de pessoas que tiveram alguma reação à vacina contra a febre amarela. Esses casos demonstram a necessidade de só se imunizar ao viajar para as regiões de risco. Isso se não a tiver tomado depois de 1999. Os casos de reação à vacinação foram, até o dia 28/01, quase duas vezes maior que aqueles confirmados de febre amarela


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