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SAÚDE

"Noma Day": para acabar com a doença que devora a face de crianças

Cem mil crianças, entre 2 e 6 anos, morrem na África, a cada ano, de Noma - doença que começa com uma gengivite e evolui para uma gangrena fatal em 80% dos casos. Evento do dia 22 de maio, realizado em Genebra (Suíça), com apoio da FDI e a da OMS, teve por objetivo difundir noções sobre a Noma e mobilizar entidades e governos de todo o mundo a se engajarem nesta luta. Nesta edição, a ABO Nacional faz parte deste esforço mundial, conscientizando os profissionais sobre a doença

 Zaíra Barros

A Não-Noma Federação Internacional realizou em 22 de maio último, o "Noma Day" em associação com a Federação Dentária Internacional (FDI) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), em Ge­nebra (Suíça), para difundir o conhecimento sobre essa devastadora doença que devora a face de cri­anças africanas e mata 100 mil delas por ano.

O dia dedicado ao combate da Noma discutiu tratamentos médicos e cirúrgicos disponíveis, pesquisas sobre o problema e perspectivas. A iniciativa recebeu o apoio de Kofi Annan, teve Ber­trand Piccard (veja no destaque) como presidente honorário e objetivou arrecadar fundos para ações em campo que têm como meta eliminar a Noma por meio do trabalho intensivo de todos os mem­­bros da federação.

A data de 22 de maio foi escolhida para aproveitar a realização da Assembléia da OMS e permitir que ministros presentes de países africanos interessados participassem do evento Noma Day. A expectativa era de que obtendo a presença e atenção das autoridades, mobilizando-as a treinar agentes de saúde para orientar a população, milhares de crianças possam ser salvas.

Do grego nomein, ou devorar

Noma, da palavra grega no­mein, quer dizer devorar. Trata-se de uma devastadora gangrena que começa na boca, como uma gengi­vite, e rapidamente se espalha para a bochecha, desfigura o rosto, destruindo tecidos moles e duros. A doença é atribuída à falta de condições sanitárias e higiene, má nutrição, e floresce em condições de ex­tre­ma pobreza. Suas vítimas são quase sempre crianças de 2 a 6 anos. Sem tratamento, a doença é fatal em 80% dos casos e deixa sobreviventes com intoleráveis mutilações. Os que não morrem da doença nunca mais serão capazes de se alimentar, falar e respirar normalmente. A África Subsaha­riana, a mais pobre região do continente, é o epicentro da doença. Enquanto a exata etiologia da No­ma é ainda desconhecida, sabe-se que ela é causada por uma bactéria que se aproveita da deficiência do sistema imunológico atribuído principalmente à má nutrição. Segundo a OMS, milhares de crianças entre os 2 e 6 anos são afetadas a cada ano, embora dados epide­miológicos mais precisos sejam difíceis de serem registrados por causa do acesso difícil à região, à falta de serviços públicos de saúde, ao desinteresse das autoridades, e à desorganização de levantamentos confiáveis de dados, uma vez que não é uma doença obrigatoriamente comunicável.

Estima-se 500 mil doentes

A alta mortalidade e o quadro de abandono encoberta o preciso número de vítimas, havendo aproximadamente 500 mil casos re­gistrados de Noma na África. Esta doença é mais inaceitável ainda, em pleno século 21, uma vez que tratamento antibioterápico comum e acessível poderia parar a evolução da gangrena se administrado assim que o sintoma aparecer.

A doença tem como agente etiológico uma bactéria facilmente controlável com uma nutrição simples e diversificada, tanto que é extremamente rara - mas não inexistente - até mesmo na América do Sul e na Ásia, onde a nutrição de qualidade ainda não alcança toda a população.

Dentre os poucos registros da Noma nas Américas e na Europa, está o que era considerada endê­mica no campo de concentração nazista de Auschwhitz, em que as terríveis condições em que eram submetidos os judeus e ciganos fa­ziam com que seus sistemas imu­nológicos atingissem níveis críticos de deficiência.

A No Noma International Fe­deration congrega 31 associações de todo o mundo interessadas em colaborar na prevenção, detecção, tratamento, orientação e divulgação da doença, bem como a obter doações e fundos para as pesquisas e tratamento da Noma nas regiões africanas.

Ventos da Esperança

No dia 21 de março de 1999, o suíço Bertrand Piccard e o inglês Brian Jones, os dois primeiros ba­lonistas a conseguir dar a volta ao mundo sem escalas, desceram no deserto egípcio depois de três semanas de uma expedição histórica. Ao voltar da aventura, decidiram dedicar a expedição às crianças de todo o mundo e a consagrar o sucesso deles à luta contra o so­frimento e às doenças ignoradas pelas autoridades. Com esse objetivo, Piccard criou a Ventos da Es­pe­rança e seu encontro com uma criança com Noma foi deter­mi­nante para direcionar a entidade ao combate da doença que mata ou deixa as crianças desfiguradas. Atualmente, seis países africanos se beneficiam do apoio da Ventos da Esperança por meio de programas de formação de agentes de saúde capazes de reconhecer e tratar os primeiros sinais de um caso de Noma. Na Nigéria, país-piloto do projeto, cerca de 3.600 agentes foram formados em 7 anos. Depois de 2003, a Ventos da Esperança se tornou a Federação Internacional Não-Noma, com o objetivo de reforçar o elo formado por aqueles que se enga­jaram na luta contra a Noma. A se­guir, o testemunho de Bertrand Piccard sobre a Noma:

Serviço

Para saber mais sobre Noma

Winds of Hope Foundation - Lau­sanne (Suíça)
Avenue de Florimont, 20
CH 1006 Lausanne
Suisse
(+41 21) 320 77 22
info@windsofhope.org
www.windsofhope.org
www.nonoma.org


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