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SAÚDE BUCAL

Para evitar a catástrofe do biofilme

O JABO conversou com exclusividade com Bente Nyvad, professora de Cariologia da Universidade de Arhus (Dinamarca) e editora associada do periódico da Organização Européia de Pesquisa em Cariologia (Orca). Em pauta, modernos conceitos e critérios sobre a doença cárie

Antonela Tescarollo

Dóris, Sonia, Lubiana, Bente e Sílvia,
no curso realizado em São Paulo

"Consideramos a cárie o sinal clínico da catástrofe do biofilme", afirmou a dinamarquesa Bente Nyvad, professora associada de Cariologia da Universidade de Arhus (Dinamarca) e editora associada do periódico científico Caries Research, da Organização Européia de Pesquisa em Ca­riologia (Orca, em inglês), entidade que ela presidiu de 2003 a 2005. Segundo ela, essa consideração está de acordo com os modernos conceitos e critérios em Cariologia, desenvolvidos a partir das mais recentes pesquisas na área.

Bente esteve em São Paulo em abril último, para ministrar um curso sobre Cariologia Contemporânea, promovido pelo Centro Internacional de Ensino e Pesquisas Avançadas em Saúde (Ciepas), coordenado por Dóris Ruiz e Sílvia Chedid, e conversou com exclusividade com o JABO. O curso foi coordenado por Sonia Grois­man, pós-graduada em Cariologia pela Universidade de Lund (Suécia) e professora adjunta da Universidade Federal Rio de Janeiro.

A pesquisadora dinamarquesa contou que os estudos mais atuais em torno do biofilme e cárie estão permitindo um conhecimento melhor e mais detalhado do processo evolutivo da doença. "Com estas novas informações, estamos descobrindo outras bactérias que também causam a cárie e como elas interagem entre si. Este é um novo conceito, que pode mostrar formas diferenciadas de tratar melhor essa patologia."

Bente completa que antes se acreditava que a cárie deveria ser combatida com o antimicrobiano para a bactéria específica, mas esse novo enfoque está alterando a compreensão da microbiologia do sistema. E conclui: "Assim, a melhor forma de impedir a formação de lesão cariosa seria remover as bactérias causadoras e utilizar fluo­retos. Por isso é tão importante usar dentifrícios fluoretados em qualquer idade, em qualquer situação, por toda a vida".

Diagnóstico preventivo

Conhecer bem o diagnóstico da atividade da lesão cariosa é muito importante para a aplicação específica de fluoretos. Pensando nisso, Bente criou um critério de diagnóstico baseado na atividade da doença, para que seja possível tratá-la e inativá-la precocemente, evitando a cavitação do dente. Segundo a pesquisadora, este critério é diferente do adotado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que foca na cavidade para identificar a lesão.

"O ponto forte do critério que desenvolvi é a não necessidade de intervir com brocas no elemento dentário", diz Bente. E a também especialista em Cariologia Sonia Groisman completa: "Assim, evita-se entrar no Ciclo de Elderton, ou Ciclo Restaurador Repetitivo, que descreve situações de constantes restaurações que levam à perda do elemento dentário".

Congresso da Orca no Brasil

Durante o curso de Bente Nyvad em São Paulo também foi anunciada a realização do Congresso Europeu de Pesquisa em Cariologia no Rio de Janeiro, em 2012. Esta vai ser a primeira vez que o evento, promovido pela Organização Européia de Pesquisa em Cariologia (Orca), acontece na América Latina.

O congresso já tem como vice-presidente Sonia Grois­man, professora adjunta e coordenadora da Especialização em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-graduada em Cariologia pela Universidade de Lund (Suécia). Sonia também é membro da Orca e, a partir de 2009, vai fazer parte do board da organização.

Informações: www.orca-caries-research.org


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