BRASIL
Entre a academia e a política em saúde
Em 1978, surgiu no Rio de Janeiro o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes), grupo que agia ativamente e juntamente com o movimento social da reforma sanitária, que foi bem-sucedido e contribuiu muito para a formulação dos princípios do programa de saúde pública brasileiro, o Sistema Único de Saúde (SUS). "O Cebes caracteriza-se fortemente como um movimento de proposição que reúne profissionais da saúde em torno de uma visão mais ampla e mais crítica sobre a saúde", explica a presidente do Centro, a doutora em Ciência Política Sônia Maria Fleury Teixeira.
De acordo com estes princípios e com a missão de lutar pela democratização da saúde - reafirmados e reanimados em 2006, quando instituição e movimento sanitáriopassaram por uma refundação -, o Cebes realiza atividades e ações junto a profissionais, estudantes e governo.
Uma delas é a produção, há 30 anos, da Revista Saúde em Debate, distribuída aos seus associados. A publicação é dividida em duas partes: um núcleo temático que apresenta e debate, com viés político, diferentes temas, e a parte de artigos científicos na área da saúde pública e coletiva. "Assim, o conteúdo da revista fica entre a academia e a prática política", explica Sônia. O Cebes também edita outra revista, a Divulgação em Saúde para Debate, que enfoca temas específicos e é feita em parceria com outros grupos e entidades. A instituição ainda tem outro braço editorial, através do qual publica livros na área.
Para interferir mais ativamente na política em saúde, o Cebes também realiza ações mais diretas, como a que promove atualmente para defender a Seguridade Social e impedir que na Reforma Tributária sejam extintas as contribuições sociais. "Estamos preparando uma carta e colhendo assinaturas para enviar e fazer contato com ministros e parlamentares", conta a presidente. Por fim, na área de eventos, o Centro realiza seminários para promover debates entre profissionais, organizações não-governamentais, intelectuais, parlamentares e outras pessoas interessadas no tema saúde pública. Esses seminários são, depois, transformados em livros.
E a Odontologia?
Segundo Sônia, atualmente a Odontologia não tem participado muito das ações e produções do Cebes. "Na origem da instituição, havia um grupo da área odontológica, que, inclusive, publicava artigos na revista, mas depois perdemos este contato. Acho que agora é uma boa oportunidade para retomarmos isto." A presidente ainda sugere que seria interessante uma edição especial da Revista Divulgação em Saúde para Debate sobre Odontologia.
O Cebes conta com a participação mais ativa dos seus associados, que são profissionais da saúde, estudantes e instituições e contribuem para a manutenção da instituição. Além de se associar, os interessados em conhecer melhor o trabalho do Cebes podem visitar seu site (www.cebes.org.br), onde é possível participar dos debates no blog, ler as notícias da área, e até fazer o download do conteúdo das revistas já publicadas e se cadastrar para receber o boletim semanal enviado via e-mail.
Mais informações : www.cebes.org.br e (+21) 3882.9140 / 9141
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