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FDI: Revisão de declarações orienta cirurgiões-dentistas
Uso da Acupuntura, recém-regulamentada no Brasil como prática Complementar de Odontologia, aval para as normas da Organização Internacional para a Estandardização (International Standardization Organization, ISO) e qualidade dos implantes são três das declarações da Federação Dentária Internacional (FDI) revisadas em sua última Assembleia Geral, realizada em outubro, em Estocolmo (Suécia).

Uso da Acupuntura na Odontologia

Versão original adotada na Assembleia Geral (AG) da FDI de Viena, em outubro de 2002, e revisada em Estocolmo, em setembro de 2008.

Acupuntura é uma das Alternativas Complementares da Medicina (ACM), usada para tratar uma série de doenças e desordens. Mais de um terço da população de muitos países têm procurado se consultar com um médico acupunturista ao menos uma vez ao ano.

A Acupuntura originou-se na China, há mais de quatro mil anos. É definida como a estimulação dos chamados “pontos de Acupuntura” para prevenção de doenças, tratamento ou manutenção da saúde. Pode utilizar vários métodos, incluindo agulhas, lasers, eletro­acu­puntura e estimulação transcutânea do nervo.

Na Odontologia, a Acupuntura tem sido usada no tratamento de uma série de doenças/desordens e na facilitação dos tratamentos dentários, particularmente na analgesia associada com procedimentos para o manejo de desordens das articulações temporomandibulares, síndromes crônicas orofaciais e misofaciais dolorosas, reflexo de vômito e ansiedade dental.

As respostas dos pacientes à Acupuntura geralmente são positivas, especialmente se forem consideradas as variantes envolvidas: dificuldades que surgem na interpretação da eficácia dos estudos, devidas às suas variações; dimensões das amostras; escolha do placebo e dos pontos etc.

Acupuntura é uma ACM com treinamento acreditado e regulação em vários países.

 

Recomendações

  • Cirurgiões-dentistas somente devem tratar seus pacientes com Acupuntura após obter conhecimento e habilidade para tal.
  • A Acupuntura deve ser empregada somente depois do diagnóstico das condições do paciente. Entretanto, o emprego de terapias convencionais deve ser considerado se apropriado.
  • Uma declaração de consentimento deve ser requerida ao paciente.
  • Normas e procedimentos de controle de infecções precisam ser seguidas. Agulhas de uso único devem ser utilizadas.
  • Como é o caso de todas as terapias, o uso da Acupuntura tem que ser documentada apropriadamente, e registros detalhados devem ser guardados.
  • Pesquisa multidisciplinar sobre a efetividade da Acupuntura na Odontologia é encorajada.
  • Ensino e treino profissional da Acupuntura poderia ser considerado como parte opcional da graduação, pós-graduação e educação continuada profissional

 

Bibliografia

Rosted P. The use of acupuncture in dentistry: a review of the scientific validity of published papers. Oral Dis 1998 4:100-104.

Thayer MLT. The use of acupuncture in dentistry. Dent Update 2007 34:244-250.

 

Aval para as normas de estandardização da ISO

Documento original aprovado na AG de Nova Delhi (Índia), em setembro de 2004, e revisado em Estocolmo, em setembro de 2008.

A Organização Internacional para a Estandardização (International Standardization Organization, ISO) é uma rede de trabalho em parceria com organizações internacionais, governos, indústria, negócios e representantes de consumidores que funciona como uma ponte entre os setores público e privado. Normas e documentos associados são desenvolvidos por mais de 200 Comitês Técnicos (Technical Committees, TCs), cada um representando um setor específico ou atividade. O trabalho técnico de desenvolvimento das normas com cada TC é realizado por um Subcomitê (SC) e pela estrutura de um Grupo de Trabalho (WG). Os WGs são formados por experts indicados pelo Corpo de Membros, e o papel do WG é produzir, por consenso, rascunhos de normas para eventual publicação da ISO, seguindo aprovação definida em votação. As normas são documentos voluntários, mas frequentemente adotados na legislação de países ou grupos de países.

Um dos grandes setores da ISO é o de tecnologia para a saúde, e há cerca de 20 TCs lidando direta ou indiretamente com tópicos sobre o tema. O principal TC para a Odontologia é o ISO/TC-106. Seu escopo formal é estandardização de terminologia, métodos de teste e espe­cificações aplicáveis a materiais, instrumentos, aparelhos e equipamentos usados na Odontologia. No TC-106 estão sete SCs e mais de 50 WGs, com o total de 300 experts associados, de 25 países, e 21 países observadores, manejando mais de 150 estandardes.

Há forte parceria entre a FDI e o TC-106, pois a FDI é o membro de ligação do comitê, estando representada nas reuniões do TC-106. Também o TC-106 é representado na estrutura formal da FDI, por meio de sua filiação ao Comitê Científico. A FDI reconhece o trabalho do ISO/TC-106 como importante para a Odontologia, e recomenda, quando possível, o uso das normas do TC-106 e de outros estandardes da ISO na prática clínica da Odontologia.

 

Qualidade dos implantes

Versão original adotada na AG de Nova Delhi (Índia), em, setembro de 2004. Versão revisada aprovada pela AG de Estocolmo (Suécia), em setembro de 2008.

Mais de 220 tipos de implantes produzidos por cerca de 80 fabricantes são comercializados em todo o mundo. São feitos de diferentes materiais, diferentes formas, largura, comprimento e servem a diferentes tratamentos, incluindo componentes protéticos. Os cirurgiões-dentistas, em teoria, podem escolher entre mais de 2 mil variações do produto. A FDI reconhece que:

  • Globalmente, implantes são feitos de titânio, e o titânio parece ter, cli­nicamente, boa performance cirúrgica em ossos devidamente preparados, apesar de pequenas variações de design.
  • São necessárias mais evidências científicas para determinar os efeitos dos materiais do implante dental, geometria e topografia em sua performance clínica, duração e resultado do tratamento. O estudo metodológico precisa ser estandar­dizado. Portanto, há evidências in­con­clusivas para promover uma ca­te­goria de implante ou sistema de implantes sobre outras.
  • Mesmo alguns testes clínicos sobre implantes dentais que mostram período relativo de acompanhamento precisam medir resultados cientificamente aprovados
  • Alguns implantes são fabricados e vendidos sem estar em conformidade com a estandardização internacional. Seria prudente usar apenas implantes dentais com comprovada performance clínica, conforme normas internacionais, como as da ISO, e que estejam de acordo com os requerimentos regulatórios.

 

Bibliografia

Jokstad A, Brägger U, Brunski JB, Carr AB, Naert I, Wennerberg A. Quality of Dental Implants. Int Dent J 2003; 53: Suppl 3:409-443.

Esposito M, Murray-Curtis L, Gru­sovin MG, Coulthard P, Worthington HV. Interventions for replacing missing teeth: different types of dental implants. Cochrane Cochrane Database Syst Rev 2007; 4:CD00 3815.


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