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Senador pelo Estado do Tocantins, João Ribeiro (PR-TO) tem seu mandato marcado pelo municipalismo, defendendo o desenvolvimento regional. Por conta disso, demonstra interesse especial pelo trabalho da ABO na descentralização da atuação do cirurgião-dentista brasileiro – segundo dados do CFO, nas regiões Sul e Sudeste há cerca de um profissional para cada 1.600 habitantes, enquanto que na região Norte a proporção é de um para cada 5.222 pessoas. Em entrevista concedida após encontros com a Diretoria da ABO Nacional em Brasília (DF), o senador falou deste e de outros trabalhos da entidade em defesa da saúde bucal
Diego Freire |
JABO – Qual sua opinião sobre a inclusão de cirurgiões-dentistas nas equipes das UTIs, defendida pela ABO como recurso para salvar vidas?
João Ribeiro – Minha preocupação é com a população. Entendo que a proposta de inclusão de cirurgiões-dentistas em ambiente de UTI é uma boa iniciativa na medida em que pode diminuir os casos de infecção – especialmente as infecções pulmonares – em hospitais. Para os cirurgiões-dentistas a medida também é positiva, pois significa a abertura de novos postos de trabalho para o contingente de profissionais existente no mercado. Imagino que, quando o projeto de lei que tramita hoje na Câmara dos Deputados vier para o Senado Federal, o nosso papel será o de conhecer a proposta para avaliar a abrangência da questão.
JABO – E a participação do Senado nas outras demandas da Odontologia nacional?
JR – Recentemente, numa reunião paralela ao Congresso Internacional de Odontologia do Distrito Federal (CIODF), o presidente da ABO Nacional, Norberto Lubiana, fez uma apresentação sobre as demandas da categoria. Entendo que, de maneira geral, os senadores são sensíveis às demandas dos profissionais de saúde – especialmente de uma categoria que soma mais de 200 mil profissionais no País.
JABO – Quais defesas da ABO Nacional mais lhe motivam?
JR – A causa que mais me motiva é a questão do desequilíbrio na relação profissional e paciente nos grandes centros. Apoio a proposta do presidente da ABO Nacional de buscar políticas públicas que motivem profissionais a se transferirem aos locais que realmente são carentes de cuidados odontológicos. Sou parceiro da ideia de motivar o governo federal a criar projetos para levar mais profissionais da Odontologia para o interior do País. E, acima de tudo, sou a favor de maior rigor no controle das faculdades de saúde. Tenho o mesmo pensamento a respeito das faculdades de Odontologia. Creio que a adoção do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) pode ajudar no controle do ensino da Odontologia no Brasil.
JABO – Como o senhor vê a atuação política da ABO?
JR – Há 10 anos, a ABO era uma associação preocupada com questões locais. Hoje, trata-se de uma entidade engajada nos temas nacionais e participante das grandes discussões da saúde bucal. Todos em Brasília sabem que nenhuma decisão da área da saúde bucal deve ocorrer sem a participação da ABO. Em Tocantins, tenho assistido à luta do dr. Luiz Fernando Varrone (presidente da ABO/TO) nesta questão do equilíbrio dos postos de trabalho, e sei que ele também está envolvido na questão das UTIs. |