EDITORIAL
Menos profissionais e mais promoção de saúde bucal
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Nos últimos meses, a ABO reuniu-se com autoridades do poder público, em Brasília, para defender a melhoria da formação do cirurgião-dentista brasileiro - entre elas, o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o presidente da Câmara, Michel Temer, a quem solicitou fechamento de faculdades de Odontologia em condições precárias, diminuição do número de vagas e controle da abertura de novos cursos.
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Tais ações se deram em função da existência de faculdades com notas sofríveis nas avaliações realizadas pelo governo. Além disso, levantamento da ABO Nacional mostra que a quantidade de profissionais em atuação no País cresceu absurdamente em uma década, apesar da luta constante que travamos para evitar esta situação. De 1996 a 2006, o número de cirurgiões-dentistas em atividade aumentou 82%, passando de 107.922 para 197.214. O crescimento é preocupante se considerarmos que a população tem crescido em ritmo significativamente mais lento: no mesmo período, passamos de 157.070.163 para 183.987.291 habitantes, um aumento de 17%.
Um manifesto foi divulgado pela ABO durante o Congresso Internacional de Odontologia da ABO/DF, denunciando o problema e mostrando todo o descontentamento da entidade e as ações que serão desenvolvidas para pressionar o poder público visando mudar esta realidade. Precisamos ampliar as políticas públicas que contemplam a saúde bucal e não formar tantos profissionais; precisamos de mais incentivos para desconcentrar profissionais, levando-os para o interior do País, para atender a população carente de cuidados relacionados à saúde bucal; precisamos de concurso público e salários justos. Sabemos do esforço do atual governo, mas precisamos de mais - e, neste mais, temos que formar menos profissionais.
E tendo como principal objetivo iniciar a formação de uma rede de colaboração global para redução da cárie no mundo, o evento de lançamento da Iniciativa Global Anticárie da FDI, que acontece em julho, no Rio de Janeiro, é mais uma conquista da ABO para a Odontologia brasileira, que permitirá aos interessados debater com cientistas reconhecidos mundialmente. O Brasil não sedia o evento por acaso. Além das bem-sucedidas experiências brasileiras em políticas públicas de saúde bucal, planejadas e realizadas em parceria com a ABO, a voz do cirurgião-dentista brasileiro ecoa mundo afora através da atuação internacional da entidade de maior representatividade da Odontologia brasileira.
Ao dedicar-se às duas extremidades que fazem parte do exercício socialmente comprometido da Odontologia - o cirurgião-dentista e a promoção da saúde bucal da população -, a ABO evidencia a abrangência de sua atuação e seu potencial como agente de transformação política e social.
Norberto Francisco Lubiana
Conselheiro da FDI para a América Latina
Presidente da ABO Nacional
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