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O Ministério da Saúde anunciou no final de março que vai incorporar ao Programa Brasil Sorridente, até o final de 2009, 40,6 milhões de kits com escova e pasta de dente, para público infantil e adulto, que estarão à disposição de 100% das Equipes de Saúde Bucal (ESB) em 4.597 municípios. Cerca de 8 milhões destes kits serão entregues para alunos dos ensinos fundamental e médio das escolas públicas localizadas em áreas de baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), chegando a 1.158 municípios. |
Segundo o coordenador nacional de Saúde Bucal, Gilberto Pucca Jr., a distribuição dos kits será contínua, enfatizando que "este é o maior programa de incorporação de medidas de prevenção em saúde bucal do mundo, em termos quantitativos e de impacto". E completa: "Isso deixa de ser um privilégio de quem tem dinheiro para comprar escova e pasta de dente e passa a ser um direito de cada cidadão". A distribuição da primeira parcela dos kits de higiene bucal, correspondente a 17,8 milhões, também já foi anunciada.
Acesso inadequado a escovas
A medida de incorporar os 40,6 milhões de kits ao Brasil Sorridente foi apresentada logo depois da Agência Brasil divulgar que 58% da população brasileira não têm acesso adequado a escovas de dente, incluindo pessoas que utilizam o produto de forma esporádica e também as que não têm acesso algum a escovas. Esta informação, assim como a dos kits, repercutiu bastante na mídia e diversos jornais, sites e emissoras de rádio e televisão ouviram representantes da ABO para comentá-la e alertar a população e o poder público sobre a importância da higiene oral.
Nas entrevistas que concedeu, o presidente nacional da entidade, Norberto Lubiana, explicou que parte da população não tem acesso à escova por não poder comprá-la, mas que outra parte é por falta de conscientização sobre a importância da higiene bucal. "A ABO frisou nas declarações que é essencial informar melhor a população sobre saúde bucal e os cuidados que se deve ter com ela. Além disso, lembramos que a boca é a porta de entrada para muitas doenças."
Segundo Pucca, do Ministério da Saúde, a não utilização de escovas de dente no País é mais comum do que se imagina. Ele alerta para o fato de praticamente todas as capitais brasileiras apresentarem baixos índices de acesso ao produto, principalmente em zonas consideradas de exclusão social. "A gente tem que acabar com essa ideia de que as pessoas não têm acesso aos bens mínimos só nas regiões distantes. O problema está na nossa esquina, nas periferias", afirmou.
O coordenador de Saúde Bucal concorda que dificuldade financeira e desconhecimento são as principais razões pelas quais mais da metade dos brasileiros não utiliza a escova de dente de forma adequada. Em 2003, o índice de acesso zero às escovas de dente chegava a quase 65%. De acordo com o Ministério da Saúde, este número diminuiu devido ao crescente número de pessoas que passaram a integrar o mercado de trabalho.
Mudanças em andamento
A expectativa do Programa Brasil Sorridente é mudar o quadro da saúde bucal do brasileiro significativamente em um prazo máximo de 10 anos. Através do programa, o serviço público de saúde brasileiro conta atualmente com 18 mil equipes de saúde bucal e 674 Centros de Especialidades Odontológicas, dentro da estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS).
Com isso, de 2004 a 2008, a cobertura populacional dos serviços odontológicos teve um acréscimo de 62,5 milhões de pessoas, totalizando, em agosto do ano passado, mais de 83,5 milhões de pessoas cobertas, uma ampliação de mais de 300% nos últimos cinco anos. Segundo o ministério, entre 2003 e 2006 foi investido mais de R$ 1,2 bilhão no Brasil Sorridente. A meta é investir, de 2007 a 2010, cerca de R$ 2,7 bilhões.
As diretrizes do programa foram definidas a partir do SB-Brasil, maior levantamento epidemiológico em saúde bucal já feito no País, realizado em 2003 pelo Ministério da Saúde com o apoio da ABO. A pesquisa mostrou que a incidência de cárie e de doença periodontal nos brasileiros é um problema de saúde pública e que a falta de informação e o baixo poder aquisitivo de grande parte da população são fatores determinantes que comprometem o acesso à saúde bucal. O SB-Brasil apontou índices de CPO-D de 6,17 entre os adolescentes e de 20,13 entre os adultos, além de concluir que menos de 22% da população adulta e menos de 8% dos idosos apresentavam as gengivas sadias.
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