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PROFISSÃO

Tire mais dúvidas sobre uso do flúor


Livia Maria Andaló Tenuta, Profa. Doutora de Bioquímica


Jaime Aparecido Cury, Prof. Titular de Bioquiímica

Na última edição do Jornal ABO (118), foram publicadas as respostas às dúvidas dos leitores da série de três artigos Evidências para Uso de Fluoretos na Odontologia, divulgada pelo Jabo. Nesta edição, os autores Lívia Maria Andaló Tenuta, Profa. Doutora de Bioquímica da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Unicamp, e Jaime Aparecido Cury, Prof. Titular de Bioquímica da mesma instituição, respondem a mais dúvidas enviadas pelos leitores, com o objetivo de divulgar ainda mais este tema que é de grande interesse e relevância para os cirurgiões-dentistas.

Os três artigos da série: “Por que usar fluoreto em Odontologia e seu mecanismo de ação anticárie”, “Meios de usar fluoreto em Odon­tologia” e “Limitações do uso de fluoreto em Odontologia: toxicidade aguda e toxicidade crônica (fluorose dental)”, estão disponíveis no Portal ABO (www.abo.org.br).

E os pesquisadores continuam à disposição dos profissionais para ajudá-los a tirar dúvidas sobre o uso de fluoretos na Odontologia. Basta escrever para: litenuta@fop.unicamp.br e jcury@fop.unicamp.br.

 

PERGUNTA:

Qual a indicação de se administrar leite antes da aplicação profissional de flúor para minimizar as náuseas e outros efeitos da ingestão de flúor? E o gel fluoretado neutro, é mais seguro do que o acidulado em termos de toxicidade aguda?

RESPOSTA:

Há total segurança na aplicação profissional de fluoreto quanto à toxicidade aguda, mesmo usando moldeiras, e assim o uso de leite antes da ATF não é necessário, pois só haverá mal-estar gástrico se houver ingestão de grande quantidade do produto fluoretado. Deve ser utilizada pequena quantidade de gel, o ideal é remover o excesso do gel com uma gaze e pedir ao paciente que cuspa por pelo menos 1 minuto. Isso reduz drasticamente a quantidade ingerida.

O F neutro contém 9.000 ppm de F (0,9 mg F/g de gel), e o acidulado contém 12.300 ppm de F (1,23 mg F/g gel). Assim, a diminuição da dose, caso a criança ingira o gel, não é tão grande para justificar o uso do neutro. Além disso, em termos de pH, o pH do estômago (próximo de 1) é menor do que o pH ácido do gel (em torno de 3,5) e, portanto, não há também risco de uma maior irritação gástrica devido a esse baixo pH do gel aci­dulado. Há ainda a opção de formulações aciduladas na forma de espuma (mousse), mais leve e, portanto, com uma menor dose de exposição.

Em acréscimo, o Facidulado é mais reativo que o neutro em termos de produtos anticárie formados no esmalte-dentina, sendo o neutro uma opção para aplicação em pacientes com reabilitações extensas de materiais porcelânicos e que necessitam de aplicações regulares de fluoreto profissional para o controle de cárie.

 

PERGUNTA:

Em uma cidade com água fluo­retada e com programa de bo­chechos semanais e escovação diária com dentifrício fluoretado nos escolares da rede pública, qual a indicação de realizar aplicação de flúor gel uma vez ao ano? Essa aplicação é necessária? Terá algum efeito adicional nos escolares?

RESPOSTA:

A dúvida é bastante pertinente. Ela pode ser respondida com outros questionamentos:

a. Há heterocontrole da água fluoretada? Algumas cidades possuem água fluoretada, mas com concentração abaixo do ótimo, que é de 0,6 a 0,8 ppm F.

b. Qual o índice de cárie dos escolares a serem bene­fi­cia­dos? A indicação que apresentamos no artigo II da série sobre fluoretos (Jornal ABO, número 116, p.14-15) para aplicação profissional de F diz: “Indicação individual ou coletiva, de acordo com o risco ou atividade de cárie . Isso se aplica à prevalência de cárie da cidade em questão. Se  os escolares não têm cárie, a indicação deve ser questionada. O F gel poderia ser aplicado nas crianças com atividade de cárie, desde que seja viável fazer esse diagnóstico no serviço públi­co. Em cidades onde fica difícil fazer uma indicação individual, pode ser feita uma indicação coletiva de gel uma vez ao ano, mas isso irá depender do índice de cárie da população.

O F a mais terá efeito para aqueles que necessitam, mas para aqueles que já controlam cárie pelo uso de água com F, dentifrício com F e bochecho, ele será irre­levante. Qual a porcentagem da população da cidade que se encaixa nesse perfil?

Deve sempre ser lembrado que aplicação profissional de flúor é uma intervenção profissional tentando compensar o não controle de cárie pelo paciente ou grupo popula­cional. Portanto, sua necessidade tem que ser fundamentada em parâmetros de risco ou atividade de cárie daqueles a serem beneficiados. Pode ser que poucos precisem de muito (maior frequência!) e muitos precisem de pouco ou nada dessa complementação!

 


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