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TAM volta atrás

A crise no transporte aéreo repercutiu negativamente também na Odontologia. O jornal O Globo, na edição de 26 de novembro de 2006, publicou declaração depreciativa do presidente da TAM e do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), Marco Antonio Bologna, comparando o transtorno verificado nos aeroportos brasileiros a uma visita ao consultório odontológico. “As pessoas vão encarar avião como dentista”, declarou o executivo ao periódico diário.

A ABO imediatamente se manifestou sobre a enviesada declaração encaminhando ofício ao presidente da TAM e Snea com cópia para o jornal fluminense. “A infeliz comparação, feita pelo entrevistado e publicada pelo O Globo, prejudica todo um trabalho que vem sendo feito no sentido de valorizar a saúde bucal como parte da saúde integral do indivíduo e derruba os modernos conceitos de prevenção e de Odontologia Minimamente Invasiva praticados pela Odontologia brasileira”, afirmaram no ofício o presidente da ABO, Norberto Francisco Lubiana, e o secretário-geral, Newton Miranda de Carvalho. Os diretores da ABO Nacional enfatizaram que “quem consulta periodicamente o dentista evita tratamentos invasivos e, na necessidade de qualquer procedimento, a profissão e o profissional estão bem aparelhados para cuidar do paciente dentro dos mais modernos critérios que passam ao largo do sofrimento”.

Confira a troca de correspondências

TAM

Ofício 0657 / Gestão 2004/2007

São Paulo, 05 de dezembro de 2006.

Ao Sr. Marco Antonio Bologna
Presidente Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea)

Prezado senhor,

Em nome dos mais de 200 mil cirurgiões-dentistas do País, a Associação Brasileira de Odontologia (ABO Nacional) dirige este protesto a V. Sa. contra a comparação feita na manchete da página 38 do Caderno de Economia do Jornal O Globo, edição de 26/11/2006, com a seguinte declaração: ‘As pessoas vão encarar avião como dentista'. A frase, atribuída na matéria ao dirigente da TAM e do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), sr. Marco Antonio Bologna, é repetida no segundo parágrafo do texto.

A infeliz comparação, feita pelo entrevistado e publicada pelo O Globo, prejudica todo um trabalho que vem sendo feito no sentido de valorizar a saúde bucal como parte da saúde integral do indivíduo e derruba os modernos conceitos de prevenção e de Odontologia Minimamente Invasiva praticados pela Odontologia brasileira. Atualmente, a realidade da Odontologia brasileira é diversa do que é afirmado em manchete pelo O Globo. A prevenção é a maior arma contra o desconforto e a dor. Quem consulta periodicamente o dentista evita tratamentos invasivos e, na necessidade de qualquer procedimento, a profissão e o profissional estão bem aparelhados para cuidar do paciente dentro dos mais modernos critérios que passam ao largo do sofrimento.

Um espaço nobre como é o das páginas do jornal O Globo prestaria um ótimo serviço à população divulgando a prevenção como ferramenta para a saúde bucal e seus resultados, que devem ser praticados desde a gestação e passando por todas as etapas da vida humana. As pessoas devem manter todos os seus dentes por toda vida.

O árduo trabalho da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) não é ignorar os cerca de 15% da população que não têm acesso a um cirurgião-dentista, mas sim lutar para que esta camada de brasileiros possa alcançar o mesmo patamar de saúde bucal dos mais privilegiados. E para isto, conta com o interesse e o engajamento dos formadores de opinião pública, que tem na Imprensa o seu lado mais forte.

A Rede ABO, composta por 27 Seções Estaduais e 390 Regionais em todo o País, faz a sua parte, com atendimento gratuito ou subsidiado à população em seus mais de 1.400 consultórios odontológicos. Outras entidades, ONGs, associações de bairro e entidades filantrópicas também somam esforços para ampliar a cobertura da assistência odontológica a pessoas carentes, direito garantido pela Constituição, mas que somente agora começa a receber recursos do poder público.

Neste contexto, citações como esta reproduzidas pelo O Globo prestam um desserviço à sociedade. Elas desestimulam a população a procurar um serviço odontológico e colaboram para disseminar o conceito de que a Odontologia promove dor em vez de saúde.

A ABO coloca-se à disposição para auxiliar qualquer iniciativa que produza conteúdos socialmente responsáveis do ponto de vista da saúde bucal pública.

Certo de que este apelo receberá a devida consideração deste jornal, reiteramos os votos de estima pelo papel que O Globo ocupa como veículo de comunicação de massa.

Atenciosamente,

Norberto Francisco Lubiana
Presidente

Newton Miranda de Carvalho
Secretário

 

TAM

Linhas Aéreas
São Paulo, 18 de dezembro de 2006.

Ilmos. Senhores,

Dr. Norberto Francisco Lubiana
Presidente da Associação Brasileira de Odontologia

Dr. Newton Miranda de Carvalho
Secretário da Associação Brasileira de Odontologia

Prezados senhores,

Lamento profundamente que minha declaração ao Jornal O Globo e publicada na sua edição de 26 de novembro tenha servido para interpretações distantes do propósito da declaração. Na verdade, o que defendíamos e continuamos a defender é, precisamente, a necessidade dos cidadãos brasileiros freqüentarem regularmente seus cirurgiões-dentistas como a melhor maneira de atingir metas de prevenção para a saúde bucal, o bem estar e conforto dos pacientes auxiliando, dessa forma, na melhoria dos padrões de saúde geral de cada um.

Acredito ainda que, colocada no título da página, a matéria chamou mais a atenção dos leitores, induzindo a interpretações que estão longe dos nossos objetivos e da consciência que temos dos elevados padrões praticados pela odontologia brasileira, seguramente dos mais avançados do mundo.

Na certeza de contar com a generosa atenção dos senhores para estas explicações subscrevo-me.

Atenciosamente,

Marco Antonio Bologna
Presidente da TAM

 

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