menu

ABO inicia luta para fechar faculdades e diminuir número de vagas

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal para a manutenção da saúde bucal de uma população e da qualidade da formação profissional é que haja um CD para cada 1,5 mil habitantes. O Brasil possui mais de 216 mil CDs em exercício, com cerca de 800 habitantes por profissional – um descompasso que, na última reunião do CDN, a ABO Nacional se comprometeu intensificar ações para combater com toda a força.

Quando separados por Estados, os números evidenciam ainda mais o problema. No Maranhão, que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) do País, há uma média de três mil pessoas por CD. Já São Paulo tem, apenas, 600 pessoas por dentista, menos da metade da relação ideal preconizada pela OMS. Em Minas Gerais, essa relação é de 1 CD/726hab. e  no Espírito Santo, 1 CD/843 hab.

Em relação ao  número de faculdades que há em cada Estado: 48 em São Paulo, a grande maioria da rede privada de ensino, contra apenas três no Maranhão; em Minas existem 22 faculdades/cursos de Odontologia, no Estado do Espírito Santo são três.

Segundo o presidente da ABO Nacional, a entidade vai reforçar sua luta pela formação de qualidade e pela revalidação do diploma profissional. “Vamos buscar todas as formas possíveis de pressionar o governo para que sejam feitas avaliações efetivas das faculdades de Odontologia do Brasil, em seu início, meio e fim. Para aquelas que não receberem qualificação adequada, pediremos a diminuição do número de vagas e até o fechamento para as que tiverem as piores avaliações. O provão, avaliação realizada em um período recente mostrou faculdades com conceito E, dentro de uma avaliação decrescente de A a E, e nada aconteceu. O Ministério da Educação fechou os olhos para o problema e não tem desenvolvido uma política responsável para controle da qualidade do ensino superior.”, garantiu.

Vários países do mundo – inclusive o próprio Brasil, que enfrenta uma grave crise em sua saúde pública – já deram provas de que a qualidade do atendimento médico e odontológico e a melhoria dos índices epidemiológicos não é diretamente proporcional ao número de profissionais formados. A medicina brasileira, que também sofre com o excesso de oferta de faculdades, teve o número de denúncias de erro médico ampliado em 160% no último ano.

 Exame de Proficiência  - A ABO Nacional se posicionou contra o exame de proficiência por entender que o mesmo mede  apenas aquele momento de pós-conclusão da graduação, sem chances para que o estudante possa saber se o seu curso vai bem ou mau e sem chances de corrigir o rumo do aprendizado. A ABO defende uma avaliação, realizada pelo Ministério da Educação, no início, durante e no final do curso, permitindo correções de rumo. Defende também a revalidação do diploma profissional a cada 5 anos, por intermédio da educação continuada de todos os profissionais, permitindo que os mesmos acompanhem a evolução científica da profissão e o aperfeiçoamento das suas habilidades, para oferecer serviços com maior qualidade para a população. Para o presidente da ABO Nacional, Norberto Lubiana, os exames de ordem realizados pela Ordem dos Advogados do Brasil  parecem mais reserva de mercado pois ele reprova mais de 80% dos graduandos e não está impedindo que as faculdades de Direito continuem a jogar todos os anos milhares de graduandos no mercado, sem perspectivas profissionais, e o problema aumenta e persiste. E as faculdades continuam a ter grandes lucros financeiros.

 Outro fato que a ABO vem contestando é o de que não existem pesquisas que mostrem com evidência que os formandos de hoje são formados com uma qualidade inferior aos cirurgiões-dentistas que se formaram 20 ou 30 anos atrás. Defender exame de proficiência é tentar fazer reserva de mercado. Dizer que os CDs de hoje se formam com qualidade inferior aos que se formaram lá atrás é discriminatório, a menos que haja evidência científica que comprove este fato. Generalizar, dizendo que todos os que se formam hoje são maus profissionais é antiético e denigre a imagem da profissão.

Untitled Document





 

Copyright © 2005 ABO - Associação Brasileira de Odontologia. Melhor se visualizado com resolução de 1024 X 768.
Todos os direitos reservados. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.