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ABO defende fim do foro
privilegiado
A polêmica sobre o foro privilegiado – a
que recorrem políticos e administradores públicos que são alvos do
Ministério Público – voltou à tona com o julgamento do escândalo do
mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. O CDN – que representa as
320 células da Rede ABO – decidiu apoiar o movimento contra este
foro e participar de todas as ações promovidas por entidades civis e
pela sociedade.
Além do caráter especial que pode
conceder impunidade à improbidade, o foro especial expõe as
dificuldades dos tribunais superiores, que não estão preparados para
enfrentar ações dessa natureza. O foro privilegiado faz parte da
Proposta de Emenda Constitucional 358, que prevê a Reforma
Judiciária brasileira.
Ampliação do foro
– A Associação Nacional dos
Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação dos
Juízes Federais do Brasil (Ajufe) estão empenhadas e contam com o
apoio da ABO para pôr fim a esta excepcionalidade que pretende
estender o benefício também a ex-ocupantes de cargos públicos.
Para o presidente da Ajufe,
Walter Nunes, é preciso chamar a atenção da população e do Congresso
Nacional para um dos dispositivos (artigo 97-A) da PEC 358/2005, que
“não se afina com a democracia, prejudica o combate à criminalidade
e à má gestão da coisa pública”. De acordo com o Artigo 97-A, “a
competência especial por prerrogativa de função, em relação a atos
praticados no exercício da função pública ou a pretexto de
exercê-la, subsiste ainda que o inquérito ou a ação judicial venham
a ser iniciados após a cessação do exercício da função.” Isso
significa a ampliação do foro especial para ex-presidentes,
ex-ministros, ex-deputados e qualquer outra pessoa que tenha ocupado
cargo público.
Esse mesmo
dispositivo estende ainda o foro por prerrogativa de função, hoje
apenas para os crimes de responsabilidade, a ações de improbidade
administrativa: “A ação de improbidade de que trata o artigo 37, §
4º, referente a crime de responsabilidade dos agentes políticos,
será proposta, se for o caso, perante o tribunal competente para
processar e julgar criminalmente o funcionário ou autoridade na
hipótese de prerrogativa de função, observado o disposto no caput
deste artigo”.
A aprovação dessa
proposta acarretaria o imediato congestionamento dos tribunais do
País, que têm natureza recursal e não de instrução de processos, e
transtornos de toda ordem nas apurações, pela distância destes com
os locais onde os fatos em apuração ocorreram. “O foro por
prerrogativa de função é uma exceção e como tal deve ser restrito e
não ampliado”, afirma o presidente da Ajufe.
A PEC está parada na
Comissão Especial da
Reforma do Judiciário, para ser votada, desde o ano passado. A
última alteração, em 12/2006, foi a aprovação do parecer do
relator, que propõe a volta do foro privilegiado, suprimindo os
artigos da PEC original que tratam disso. Agora, espera para ser
colocada na Ordem do Dia, apesar de já terem sido feito alguns
requerimentos para que isso aconteça.
O presidente da ABO,
Norberto Lubiana, afirma que a entidade decidiu apoiar o movimento
por entender que a proposta, se aprovada como está, dará maior
chances para que cresça ainda mais os casos de improbidade
administrativa e desvios de verbas, aumentando ainda mais os casos
de corrupção a que assistimos todos os dias, sem que haja punição
dos infratores. Os impostos que todos os cidadãos pagam devem ser
utilizados de forma correta, concluiu. |