|
Pressão social faz governo liberar R$ 2 bilhões para a saúde
Após a mobilização
de diversos setores da sociedade – entre eles, os profissionais da
Odontologia, representados pela ABO – e diante da crise pela qual a
saúde pública brasileira tem passado, o governo federal liberou R$ 2
bilhões para a resolução da crise no Nordeste. A liberação dos
recursos aconteceu dias após manifestação da Frente Parlamentar da
Saúde e de dezenas de entidades às portas do Congresso Nacional. As
diretorias executivas da ABO e do CFO participaram do protesto,
exigindo urgência na regulamentação da Emenda Constitucional 29,
que, se aprovada pelo Congresso Nacional, vai
organizar o repasse de verbas para a saúde pública.
A liberação do dinheiro foi
anunciada oficialmente em reunião entre o presidente da República e
ministros da cúpula do governo no dia 3 de setembro. O valor já
tinha sido anunciado na semana anterior, após os apelos do ministro
da Saúde, José Gomes Temporão, para que a verba fosse liberada, mas
foi desmentido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que alegou
que o assunto não estava suficientemente esclarecido até então.
Dos R$ 2 bilhões
desbloqueados, R$ 800 milhões irão para a compra de medicamentos e
R$ 1,2 bilhão serão repassados diretamente aos Estados onde a crise
é mais forte. Em Aracaju, capital sergipana, nove bebês morreram na
maternidade pública Hildete Falcão Batista, que realiza partos de
alto risco, entre os dias 21 e 25 de agosto. Nesta semana uma
grávida morreu no Espírito Santo, por falta de ambulância.
Regulamentação da EC-29 – A
alteração da Constituição defendida pela ABO através de diversas
manifestações pela urgente regulamentação da EC-29 vai evitar
desvios de verba na área, pois elimina as brechas que possibilitam
aos governos usar os investimentos da saúde em outras áreas. Devido
à falta de regulamentação, segundo o Ministério da Saúde, R$ 29
bilhões já deixaram de ser aplicados no setor. A proposta ainda
precisa ser votada pela Câmara dos Deputados, mas a pressão
exercida, que culminou em manifestação à luz de velas em frente ao
Congresso Nacional no dia 14 de agosto, foi fundamental para a
liberação emergencial dos R$ 2 bilhões para a saúde.
Em sua última
reunião, o CDN enfatizou a participação da ABO na luta pela
regulamentação da EC-29. O presidente da ABO Nacional, Norberto
Francisco Lubiana, disse que o governo deveria se antecipar à
pressão da sociedade. “Mais uma vez, só cedeu após a manifestação –
nesse caso, da Frente Parlamentar da Saúde e das entidades médicas,
da ABO Nacional e do Conselho Federal de Odontologia, e devido
também às greves e às baixas em todo o País. Esta foi mais uma
vitória parcial nossa, cuja luta agora será intensificada”,
declarou.
O presidente da
Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi, lembrou que
“os R$ 2 bilhões vão servir apenas para estancar a hemorragia, mas
não vão acabar com a crise”. Perondi e representantes da ABO
Nacional e dos Conselhos de Secretários Estaduais e Municipais de
Saúde (Conass e Conasems) participaram da reunião da Comissão de
Seguridade Social e Família da Câmara, do último dia 5, quando,
apoiados pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, enfatizaram
que o principal remédio para os problemas da saúde brasileira é a
urgente regulamentação da EC-29. |