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NORMALIZAÇÃO

Ingressando no estilo Vancouver

Seguindo as mais recentes tendências editoriais em saúde, a Revista ABO Nacional adotará os Requisitos Uniformes para Manuscritos Apresentados a Periódicos Biomédicos (Uni­form Requirements for Manus­cripts Submitted to Biomedical Journals - URMSBJ), também conhecidos como normas em estilo Vancouver, em substituição à NBR 6023 da ABNT. Pelas novas regras, os artigos devem ter, no máximo, 15 laudas com 30 linhas cada uma, 30 referências bibliográficas e 10 imagens, entre outros requisitos. O estilo das referências bibliográficas deve seguir as recomendações da Biblioteca Nacional de Medicina dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (www.nlm.nih. gov/bsd/uniform_requirements.html). A medida entra em vigor a partir do número 75, referente ao bimestre de dezembro 2005/janeiro 2006.

A ABO adotou o novo padrão para preparação de manuscritos com a finalidade de aprimorar a qualidade editorial do título e colaborar com o desenvolvimento e divulgação da produção científica nacional. “Estamos desenvolvendo um trabalho para adequar a revista aos padrões das mais conceituadas publicações internacionais”, afirma o presidente da ABO Nacional, Norberto Francisco Lubiana. “Sendo a ABO a entidade mais representativa da Odontologia brasileira, é natural que a Revista ABO Nacional possua um perfil editorial sintonizado com o que há de mais moderno e atualizado sobre o tema”, confirma o editor científico do título, Ricardo Lombardi.

As normas em estilo Vancouver conferem mais objetividade à elaboração dos artigos científicos e apresentam orientações éticas para a política editorial do setor. A adoção destas diretrizes universais pode colaborar com a elevação da qualidade do desenho dos projetos de pesquisa e também aumentar a visibilidade dos trabalhos publicados.

A mais recente versão dos Requisitos Uniformes, atualizada em outubro último, pode ser consultada em www.icmje.org. Uma versão em português, mais antiga, foi publicada no periódico on-line Revista de Saúde Pública nº 33, em 1999; 33. O conteúdo está disponível no site www.fsp.usp.br.

Marcelo de Andrade

Diretrizes para forma e conteúdo

Os URMSBJ foram elaborados por um grupo de editores de periódicos médicos no Canadá, em 1978. Este comitê passou a ser chamado de Grupo de Vancouver. Os requisitos para artigos, incluindo formato de referências bibliográficas, foram desenvolvidos pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA e publicados pela primeira vez em 1979

. O Grupo de Vancouver evoluiu para o Comitê Internacional de Editores de Jornais Médicos (International Committee of Medical Journal Editors – ICMJE), que se encontra anualmenteCom o passar do tempo, a complexidade do universo científico, que depende cada vez mais de investimento privado para levar adiante suas pesquisas, passou a sugerir princípios éticos para a publicação em jornais da área da saúde para dar mais transparência aos estudos e revelar possíveis conflitos de interesse.

O ICMJE produziu várias edições dos URMSBJ. O documento contém diretrizes para a preparação dos artigos e orientações éticas para autores, revisores e editores. Nele há uma grande preocupação com a imparcialidade do estudo. “Autores deveriam descrever o papel do patrocinador do estudo, se houver algum, no planejamento da pesquisa, coleta de dados, análise e interpretação das informações, na redação do artigo e na decisão de apresentar o trabalho para publicação”, pontifica o credo.


Lourdes Aparecida Martins dos Santos Pinto

“As normas Vancouver apresentam de forma bastante coerente os tópicos relacionados à autoria e co-autoria dos trabalhos, os aspectos da liberdade editorial e conflitos de interesse, entre outros pontos importantes sobre ética em pesquisa”, diz a profª adjunta do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Lourdes Aparecida Martins dos Santos-Pinto.

Hoje, 11 jornais são membros oficiais do ICMJE: Annals of Internal Medicine, Canadian Medical Association Journal, Croatian Medical Journal, Jama, Nederlands Tijdschrift voor Geneeskunde, New England Journal of Medicine, New Zealand Medical Journal, The Lancet, The Medical Journal of Australia, Tidsskrift for Den Norske Llegeforening, and Ugeskrift for Laeger. Mas um sem número de periódicos de peso utiliza o modelo ao redor do mundo. Na Odontologia, os exemplos internacionais mais conhecidos do padrão são o Journal of The American Dental Association (Jada) e British Dental Journal (BDJ). Outros tantos títulos também empregam esse modelo, mas não constam da relação apresentada pelo ICMJE.

Mais disciplina

As normas oferecem instruções sobre o modo de preparar manuscritos, mas não sobre o estilo de publicação. Por isso cada periódico tem suas próprias exigências quanto ao tamanho do artigo, fonte de letra usada, quantidade máxima de fotos e tabelas, etc. Confira as instruções aos autores adotadas pela Revista ABO Nacional na pág. 268.


Ricardo Lombardi

Patrícia Meira

De acordo com o editor científico, Ricardo Lombardi, as normas em estilo Vancouver e as características estéticas da Revista ABO Nacional vão tornar os autores mais criteriosos quanto à elaboração e estruturação dos trabalhos. “Se por um lado isso demanda mais tempo e dedicação, por um outro haverá o prazer do feitio de uma obra melhor lapidada e de acordo com nor­mas internacionais”, compara.

Na opinião de Lombardi, a mudança na elaboração dos trabalhos ajudará a comunidade científica odontológica a equacio­nar melhor a relação entre quantidade e qualidade. A produção da Odontologia brasileira já atingiu um patamar invejável. O País ocupa o terceiro lugar em número de trabalhos enviados para a reunião anual da Associação
Internacional para Pesquisa Odon­tológica (IADR, em inglês), ficando atrás apenas dos EUA e Japão, mas, segundo Lombardi, é elevado o índice de trabalhos rejeitados que foram encaminhados para publicação em periódicos conceituados internacionalmente. “Isso requer o estabelecimento de uma nova ordem, com mais disciplina e estruturação metodo­lógica na elaboração dos trabalhos. Nossa capacidade científica sendo apresentada de acordo com regras mais exigentes e internacionalmente adotadas, certamente nos permitirá melhorar nosso conceito científico, dentro e fora do País. Capacidade para tal, temos de sobra”, avalia o editor científico.

O novo padrão entra em vigor no número 75 (dezembro 2005/janeiro 2006). “Os trabalhos enviados e aceitos para publicação a partir do próximo ano que não se enquadrarem nestas normas serão remetidos para os autores para serem adequados”, esclarece a secretária-executiva da Revista ABO Nacional, Patrícia Meira Bento.

Resumé - Standardization
Going on board with Vancouver

In compliance with the most recent editorial tendencies in health, the Brazilian Dental Magazine shall adopt the Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals - URMSBJ, also known as the Vancouver style guidelines. The measure becomes effective with edition No. 75, for December 2005/January 2006.

The Brazilian Dental Association (ABO, in Portuguese) adopted the new standard for manuscript preparation to upgrade publishing quality and collaborate with the development and dissemination of national scientific production. “We are developing something that fits the magazine in with the most highly regarded publications in the world,” says ABO National president, Norberto Francisco Lubiana.

The Vancouver style standards confer greater objectivity to the writing of scientific articles and present ethical guidelines for editorial policy. Adoption of these universal guidelines should lend to raising the quality of design of the research projects and also to increase the visibility of the papers published.

The most recent version of the Uniform Requirements, updated last October, may be found at www.icmje.org .

Revista surgiu para divulgar a ciência e informar

A Revista ABO Nacional foi lançada em 1993 com uma proposta editorial avançada para o setor odontológico na época: divulgar a produção científica nacional com a publicação de artigos e também abordar assuntos de interesse do cirurgião-dentista através de um enfoque jornalístico. Setenta e quatro edições depois, a Revista ABO Nacional possui atualmente periodicidade bimestral, distribuição nacional e cada número atinge tiragem de 30 mil exemplares, em média.

Além da qualidade de seu conteúdo, o título apresenta uma das melhores relações entre custo e benefício do mercado e boas condições de pagamento. “A Revista ABO Nacional não tem características mercantilistas, possui alto padrão científico e corpo editorial renovado”, afirma o presidente da ABO Nacional, Norberto Francisco Lubiana.

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