NORMALIZAÇÃO
Estilo dá mais visibilidade aos trabalhos
A adoção do estilo Vancouver, um dos padrões mais conceituados na área biomédica, permite uma elaboração mais enxuta e racional do artigo e confere mais visibilidade ao mesmo. A opinião é do professor adjunto da disciplina de Cariologia Clínica do curso de Odontologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), coordenador do Mestrado em Odontologia Preventiva e Infantil da mesma instituição, Fábio Correia Sampaio. Ele é membro do corpo editorial ou editor ad hoc das revistas Odontociência (PUC-RS), Revista de Odontologia da Unesp, Jaos (USP-Bauru), Brazilian Oral Research (USP-SP), Brazilian Journal of Oral Sciences (Unicamp) e Caries Research.
Segundo ele, a primeira vantagem é que o estilo é consolidado mundialmente e, portanto, não sofre processos constantes de modificação como ocorre com outras normas.
Além disso, o texto fica mais limpo, facilitando a preparação e leitura, particularmente quandohá citação de vários autores em um parágrafo. “Uma outra vantagem é que o padrão |

Fábio Correia Sampaio |
Vancouver é muito utilizado em comparação com estilos de Harvard e Chicago, entre outros. Desta forma, tanto o trabalho científico e a revista ganham mais visibilidade”, explica Sampaio. “Carona” mais difícil
A padronização permite consultar mais rapidamente o conteúdo do trabalho e facilita o controle do material produzido e direitos autorais. Este é apenas um dos aspectos éticos sobre o estilo Vancouver, ressalta o docente. Para ele, o maior mérito é o estabelecimento de parâmetros para autoria de artigos, questão ainda nebulosa que cerca muitas obras. No meio acadêmico ainda persiste a prática de “pegar carona” em artigos científicos, principalmente para atingir uma determinada freqüência de publicação, critério de produtividade adotado em alguns programas de fomento à pesquisa e qualificação de corpo docente.
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“O estabelecimento de quem é autor, conferido para quem atuou ou contribuiu de forma substancial para a realização do trabalho, e de quem fica na lista de agradecimentos, ou seja, todos os indivíduos que atuaram indiretamente e não conseguiram atingir critérios suficientes para qualificá-los como autores, foi sem dúvida um avanço”, explica. A aquisição de financiamento ou supervisão de equipe, por exemplo, não garante participação como autor do trabalho.
Sampaio tem um olhar bastante crítico sobre a produção científica. Ele considera que a Odontologia brasileira encontra-se em um processo crescente de qualificação, mas ainda há espaço para aprimoramentos. Até artigos com metodologia bem delineada ainda pecam na publicação de nível internacional por “abrasileirar” o texto em inglês ou por apresentar erros básicos de gramática.
“Escrever um artigo científico é uma arte”, diz, e os critérios internacionais são bastante rígidos. Segundo o docente, muitos autores não vêem o processo de avaliação como |
algo positivo para o trabalho e nem sempre a rejeição ocorre por uma questão de qualidade do mesmo. “A revista pode não ser o fórum ideal para o tema do trabalho”, argumenta. A aplicação do estilo Vancouver pelos periódicos nacionais pode também acelerar e melhorar o processo de revisão de artigos no Brasil, que Sampaio ainda considera lento. Internacionalização
Se o pesquisador brasileiro deseja que as publicações periódicas nacionais sejam tão lidas quanto as internacionais, então o País tem que adotar diretrizes universais para publicação de artigos. Para Lourdes dos Santos-Pinto, as normas Vancouver indicam os guidelines mais apropriados para cada tipo específico de desenho experimental e estas orientações têm facilitado a elaboração de projetos e contribuído para a divulgação dos resultados no exterior. “Trabalhos realizados e apresentados em revistas nacionais seguindo estas diretrizes deverão ser bem aceitos em um processo de avaliação crítica”, deduz a docente.
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