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ODONTOHEBIATRIA
Paciente
jovem, profissional maduro

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O
atendimento odontológico do hebiatra requer
cuidados específicos, tanto no relacionamento
com o paciente quanto na parte clínica.
O CD deve se adequar para atender bem às
necessidades do jovem e dele obter melhor retorno
As
especificidades físicas, bucais e comportamentais
dos adolescentes determinam formas mais adequadas
do cirurgião-dentista atender esse grupo,
para que ele contribua efetivamente para a
formação e o desenvolvimento
de indivíduos saudáveis
e responsáveis por sua saúde bucal. Antes de tudo, é de
extrema importância que o profissional esteja livre de preconceitos
e estereótipos
e entenda o universo da adolescência, identificando as alterações
pelas quais o indivíduo está passando e ainda tendo discernimento
do que são aspectos normais e patológicos nessa fase. |
| “É preciso
conhecer a adolescência e suas características,
tanto biológicas como psicológicas
e sociais. O adolescente passa por transformações
metabólicas, hormonais, estresses emocionais
advindos de cobranças externas, buscam novos
desafios e experiências e se sentem ‘fortes’, ‘imortais’,
o que caracteriza os comportamentos de risco”,
alerta a cirurgiã-dentista Carolina Cardoso
Guedes, professora da UBC e assistente da odontopediatra
Sandra Kalil. |
| Outro
aspecto importante a que o profissional deve
estar atento é que a adolescência é uma
fase limite entre a dependência infantil
e a autonomia do adulto. Nesse contexto, os cuidados
com a saúde bucal também devem
ser transferidos. “Essa é uma época
em que as tarefas e o controle rotineiro dos
pais tendem a diminuir e a responsabilidade dos
adolescentes ganha ênfase. Alguns jovens
são capazes de se cuidar sozinhos e estão
cientes da importância da própria
saúde bucal. Outros resistem em incorporar
hábitos saudáveis por imaturidade,
falta de informação, ausência
de motivação ou até por
rebeldia”, avalia a CD Anna Paula Bezerra
Greck, doutora em Odontopediatria pela Universidade
de Paris (França), professora da especialidade
da Escola de Aperfeiçoamento Profissional
(EAP) da ABO Bahia e que tem a experiência
de 12 anos atendendo bebês, crianças
e jovens. |

CD Anna Paula Greck |
O
papel do cirurgião-dentista é se
inserir nessa fase como educador e motivador,
para introduzir nos hábitos e na rotina
do pa¬ciente hebiatra o cuidado com a saúde
bucal e conscientizá-lo da sua importância
para a saúde geral. E isso nem sempre é tarefa
das mais fáceis, pela dificuldade própria
em se adotar um novo hábito e ainda
pelo comportamento contestador de muitos adolescentes.
Anna Paula indica aos profissionais usar informações com comprovação
científica e ilustrações sobre o tema, para aumentar o interesse
do paciente em se conhecer e se cuidar. O livro Manual de Odontohebiatria, da
Editora Santos (2005), também cita recursos como folhetos, macro¬modelos,
material audiovisual, evidenciadores de biofilme (eritro¬sina, verde de malaquita,
iodo e suco de beterraba) e outros para mostrar ao paciente os motivos pelos
quais deve cuidar da sua saúde bucal, por quais problemas bucais e de
saúde pode passar, convencê-lo disso e orientá-lo a fazer
da melhor forma.
Para que os novos
hábitos sejam incorporados pelo jovem,
Corrêa et al. (2002) recomenda ainda a utilização de um “método
de ligação”, que propõe a introdução
de novas rotinas relacionadas a outras já estabelecidas, no caso, tomar
banho, lavar o rosto pela manhã etc. A odontopediatra Ana Paula Pinto
de Souza, especialista em Odontope¬diatria e professora da Universidade para
o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp), de Campo
Grande (MS), também sugere que os temas abordados na educação
em saúde façam parte do dia-a-dia do paciente, como sexo, festas,
paquera, álcool, cigarro, piercing e outros.
Relacionamento afinado
Mostrar ao jovem
que ele deve ser responsável
por sua saúde bucal não é a única
medida importante para, ao mesmo tempo, ter sua
colaboração e atendê-lo de
forma completa. O bom andamento do tratamento
depende, e muito, do quanto o cirurgião-dentista
conhece o paciente e da relação
que mantém com ele. “A anamnese
bem conduzida, na presença de um dos pais,
ou de ambos, ou do responsável, já fornece
muitas informações sobre o modo
de vida, alimentação, higiene,
saúde geral, relacionamento familiar e
personalidade do adolescente. É importante
também dirigirmos o nosso questionário
ao adolescente, mostrando interesse em escutá-lo”,
diz a odontopediatra Anna Paula Greck.
“
Além disso, é preciso ter sensibilidade
para deixar o adolescente à vontade, percebendo,
por exemplo, o momento certo de pedir que ele
entre sozinho para o atendimento, para que possa
tirar dúvidas e responder às perguntas
sem vergonha ou receio”, completa a especialista.
Construir um vínculo e uma relação
de confiança com o paciente – facilitados
quando o profissional o acompanha desde a infância – também é muito
importante, pois o CD pode se tornar o intermediário
entre os pais e os adolescentes, ou entre eles
e outros profissionais da saúde.
Ao manter uma relação mais próxima
com o jovem e conduzir bem os exames clínicos
e anamnésicos, o cirurgião-dentista é,
muitas vezes, o primeiro responsável a
saber ou perceber problemas como o uso do álcool,
fumo, drogas ou outro. Sobre esse laço
formado Anna Paula ainda completa: “Um
vínculo forte com os pacientes nos traz
sempre muita satisfação e orgulho
ao atestar que eles estão mais sadios
e completos em saúde bucal do que nós
mesmos quando tínhamos a idade deles”.
A especialista também lembra que o profissional
deve adequar a forma de se comunicar com esse
público, adotando uma postura versátil
e informal, porém com linguagem madura. “Definitivamente
as ‘palavrinhas’ no ‘diminutivozinho’ não
são a melhor opção. Normalmente
os adolescentes não querem ser tratados
como criança e se sentem mais próximos
dos adultos.”
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Anseios
e necessidades
A estética dental é a principal preocupação dos adolescentes
quanto à boca, por terem a necessidade de se sentir mais seguros em relação à aparência
e aceitos no grupo. Sendo assim, a prevenção é deixada um
pouco de lado pelos jovens e a procura pelo profissional geralmente acontece
quando sentem alguma dor, ou nas situações já citadas. Além
disso, Anna Paula Greck conta que “alguns se precipitam em marcar uma avaliação
quando percebem ulcerações ou manchas na mucosa oral, por medo
de ter contraído alguma ‘doença contagiosa’ depois
da última festa. Então, observamos o desconhecimento em relação às
patologias infecto-contagiosas, aos efeitos do tabaco e às DSTs”.
No entanto, a prevenção é extremamente importante nessa
faixa etária e permite uma atuação ampla e diversa do cirurgião-dentista,
pois é quando os pacientes já estão com maior autonomia
para se cuidar, para procurar informações e para optar por hábitos
alimentares e de vida mais saudáveis. Mas, para isso, claro, é preciso
que estejam cientes da importância de prevenir problemas bucais e de que
um sorriso bonito também tem que ser saudável.
Além da atenção na prevenção, o atendimento
odontológico do paciente hebiatra deve levar sempre em consideração
que é entre os 12 e 20 anos que a dentição se completa com
as 32 unidades e ocorrem intensas modificações craniofaciais e
dentárias. “Cabe ao profissional identificar precocemente oligodontias,
unidades supranumerárias, dentes impactados ou inclusos. As exodontias
de terceiros molares podem ser necessárias no final da fase adolescente”,
destaca Anna Paula. Problemas também muito freqüentes nessa faixa
etária são a cárie dentária, a doença periodontal,
as conseqüên¬cias da fluorose, a halitose e as oclu¬sopatias.
Fatores que fazem parte da vida do jovem, que não estão diretamente
ligados à saúde bucal, mas podem trazer conseqüências
para essa área, também devem ser observados. Entre eles está o
estresse, ansiedade, dieta desequilibrada e aumento da responsabilidade escolar
e social, que podem causar ou facilitar patologias bucais como a gengivite ulcerativa
necrosante e a peri¬odontite agressiva, além dos transtornos alimentares,
a glice¬mia aumentada e a hipertensão, que podem ser identificados
pelo cirurgião-dentista para evitar prejuízos à saúde
bucal e ao tratamento odontológico.
A cirurgiã-dentista Carolina Guedes ainda completa: “O jovem pode
ter os dentes manchados devido ao uso de cigarro e outras drogas; pode ter erosões
devido ao consumo exagerado de refrigerantes e sucos cítricos; apresentar
bruxismo decorrente de estresse emocional; aumento da incidência de cárie
devido ao consumo de alimentos industrializados ricos em carboidratos e açúcar
e uma série de outros problemas”. Ela ressalta que o profissional
deve orientar os pacientes que praticam esportes quanto ao risco de traumatismo
dentário, aconselhando-os, em alguns casos, a usar protetores bucais e
passando noções de primeiros socorros em caso de ocorrer algum
acidente.
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Vaidade
adolescente
O
senso de estética varia de pessoa
para pessoa, mas a vaidade é comum
a todos os seres humanos, principalmente
nos adolescentes, que buscam auto-afirmação
e uma identidade que, na maioria das
vezes, reflete e é advinda do
círculo social com o qual ele
convive.
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Nessa
fase, aumenta o interesse por clareamento
dental e colocação
de piercings bucais e adornos dentais,
entre outros procedimentos.
Para
a CD Carolina Guedes, estudiosa
da Odontohebiatria, “o
papel do profissional nesse contexto é conhecer
as necessidades estéticas
de seu paciente para conseguir
lidar com a vaidade tranqüilamente
e atender aos seus anseios sem
prejudicar sua integridade mental
e a de sua saúde bucal”.
O piercing (do inglês “to pierce”, perfurar) é uma
forma de modificar o corpo humano, normalmente furando-o
para introduzir peças de metal esterilizado. O uso
de piercings na cavidade bucal, especialmente na língua,
traz riscos de aumento do fluxo salivar, dor, fraturas dentárias,
impedimento da fala, hematomas, cistos, retração
gengival, sangramento, lesões na mucosa e problemas
em relação ao sabor dos alimentos.“Trata-se
de um corpo estranho no organismo,
dificultando a fonação,
a mastigação e
a acomodação da
língua”, explica
Carolina.
Já os
adornos dentais, feitos em ouro,
metais e pedras, chegaram ao
Brasil há pouco mais de
quatro anos e não provocam
desgaste dental, já que
são fixados com cola especial,
o que pode representar uma boa
alternativa aos piercings. “Mas
se, mesmo assim, após
todas as explicações
e orientações,
o paciente maior de idade insistir
em colocar piercing, ele deve
ser orientado a procurar um estabelecimento
que atenda a todas as normas
de biossegurança, para
evitar infecções,
hepatites e Aids.
Além
disso, após a colocação
do adorno, é preciso higienizar
o piercing com freqüência
e visitar o cirurgião-dentista
regularmente para exames clínicos
que possam detectar precocemente
qualquer alteração”,
orienta a odontopediatra Sandra
Kalil.
Dentes
enfeitados
Somente
CDs
estão
habilitados
a colocar
e retirar
um
adorno
dental,
que
pode
ser
fixado
em
qualquer
dente,
seja
ele
natural
ou
de
resina
ou
porcelana.
Isso
porque
se
tratam
de
adesivos,
pedras
e jóias
que
são
apenas
colados
no
dente
com
um
fixador
especial,
sem
trazer
prejuízo
algum
ao
elemento
dental.
Tal
colagem é feita
da
mesma
forma
que
se
colam
os
bráquetes
ortodônticos
dos
aparelhos
fixos.
O procedimento
não
demora
mais
do
que
15
minutos
e é iniciado
com
aplicação
de
uma
substância
que
deixa
o dente
mais áspero
por
alguns
segundos
apenas,
sendo,
então,
aplicada
a jóia
com
um
produto
adesivo
que é,
na
seqüência,
polimerizado
por
meio
de
potente
fonte
de
luz.
Os adornos podem ficar nos dentes por tempo indeterminado.
Basta que a pessoa procure um consultório odontológico
quando quiser retirar o adorno para que o procedimento seja
feito de forma correta. Os cuidados com a higiene bucal auxiliam
na vida útil do adereço, mas, mesmo assim,
com o tempo pode haver a formação de placa
bacteriana e tártaro na região de contato do
adesivo com o dente, sendo necessária a remoção
periódica do adesivo velho. Ainda nestes casos, cabe
ao cirurgião-dentista o aconselhamento e a orientação.
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