Grandes populações e particularidades individuais. Para chegar a estes dois objetivos com eficiência, a Promoção da Saúde apresenta refinadas abordagens de atendimento, que valorizam cada pessoa dentro do ciclo de vida familiar por que passa
A Promoção da Saúde tem o objetivo de levar cobertura e orientação em saúde de forma abrangente a um grande número de pessoas, mas com a preocupação de oferecer um atendimento humano e que leve em consideração as particularidades das comunidades e dos indivíduos. O trabalho em Promoção da Saúde encontra, então, terreno fértil no âmbito familiar, onde a relação entre o coletivo e o individual é mais fácil de ser estabelecida, oferecendo um atendimento integral aos seus membros.
No livro Saúde Bucal das Famílias – Trabalhando com Evidências (Ed. Artes Médicas), dois de seus autores, Simone Tetu Moysés e Léo Kriger, que coordenaram a obra juntamente com Samuel Jorge Moysés, defendem que essa abordagem “valoriza diferenças nas realidades, nas formas de convívio e de interação e nas subjetividades das famílias”. Kriger completa explicando que dessa forma é possível desenvolver ações de valorização da Saúde Individual e Familiar. “As ações coletivas, como a visita domiciliar, as ferramentas de diagnóstico familiar e os procedimentos de Promoção da Saúde e controle de doenças, devem receber do profissional a mesma atenção que o atendimento individual de cada paciente, que, por sua vez, deve conter a anamnese, o diagnóstico, o plano de tratamento, a determinação do risco e atividade de doença, entre outros procedimentos.”
Para definir melhor como ocorre o atendimento nesse âmbito, no capítulo Manejo de Famílias por Ciclos de Vida do livro são propostas estratégias aplicáveis em famílias que passam pelos seguintes momentos: com filhos pequenos, com adolescentes, durante a vida familiar adulta e com idosos. “O ciclo de vida familiar pode ser definido como os movimentos e transformações que ocorrem ao longo da história familiar, com estágios de desenvolvimento que exigem adaptações de seus membros. Em cada estágio, há papéis e eventos distintos para cada membro da família, que podem representar fatores estressores na trajetória desse grupo”, explica Kriger.
As equipes de profissionais da Saúde que atuam nesses diferentes contextos devem entender as dinâmicas em que funcionam, para que analisem com clareza os processos saúde-doença que afetam cada pessoa da família. “O manejo da Saúde e, em especial, da Saúde Bucal, exige a adoção de estratégias diferenciadas em cada ambiente familiar, nos diferentes estágios”, explica Léo Kriger, que também é mestre em Odontologia Preventiva e Social.
Ele ainda dá como exemplo a Puericultura Odontológica, que vê o ambiente familiar como o melhor espaço para discutir com os pais ou responsáveis os aspectos gerais da saúde do bebê e, por extensão, da saúde bucal. O profissional pode enfatizar os fatores de risco e os fatores protetores para a Saúde Bucal, informando sobre a importância do uso racional de flúor, de uma dieta saudável, do aleitamento materno, entre outros. Através dessa abordagem pode se estabelecer um “pacto” para a promoção e a manutenção da Saúde por meio do cuidado e do acompanhamento. (AT )
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