Tudo tem um começo. Antes de se ocupar da ameaça invisível de fungos, bactérias e vírus, o homem enfrentava como principais causas dos seus males físicos ataques de animais selvagens, frio e calor extremos e o próprio homem, ainda não civilizado. Hoje, dominada, ao menos em tese, a ação visível e invisível dos maiores males da humanidade, o indivíduo começa a se ocupar do domínio de suas causas, voltando os olhos para a prevenção e a promoção da saúde - conceitos que, como mostra esta edição da Revista ABO Nacional, precisam ser considerados desde a concepção e o princípio da vida para que o futuro siga em qualidade.
Continuando a série de reportagens especiais sobre o Futuro da Odontologia iniciada na edição passada, a ABO chama a atenção do cirurgião-dentista brasileiro para os primeiros anos de vida do paciente, quando o corpo passa pelos seus primeiros estágios de adaptação ao mundo externo, e para todas as fases que antecedem o nascimento da criança, pois as ações e hábitos dos pais são determinantes no futuro da saúde do filho. Para tanto, especialistas e pesquisadores de renome nacional e internacional foram consultados, compartilhando suas experiências com a prevenção e a promoção de saúde adquiridas em anos de cuidado com o futuro das crianças de seus respectivos países.
A despeito do aumento da expectativa de vida e do envelhecimento da população, o Brasil ainda é uma nação jovem. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para cada nove pessoas com mais de 65 anos há outras cem entre 15 e 64. Mas a população brasileira está envelhecendo rápido, e, em algum momento, o País vai chegar ao padrão demográfico de nações mais desenvolvidas. E é nas crianças que reside a possibilidade de, no futuro, também desfrutarmos da qualidade de vida de que gozam esses povos.
Países em desenvolvimento, como a China, já estão, em parte, colhendo os frutos do cuidado com a prevenção. Em Hong Kong , políticas públicas preventivas transformaram a região em exemplo mundial de superação de problemas com a saúde. A experiência positiva dessa ilha foi testemunhada por esta Presidência da ABO em visitas recentes à China, e poderá ser compartilhada nesta edição na entrevista com o coordenador de Saúde Bucal do governo de Hong Kong, Joseph Chan.
A população de Hong Kong e de várias outras regiões do planeta estão desfrutando de melhor saúde bucal graças ao cuidado, no passado, com a prevenção, aplicada, especialmente, na infância. Não se trata apenas de desenvolvimento científico e tecnológico, que dominou virtualmente as causas de doença e morte do passado. Se as crianças são o futuro, nada mais coerente do que cuidar delas para que o amanhã seja melhor. Este cuidado não pode descartar a atenção à saúde bucal, de extrema importância para a saúde integral.
|