Odontopediatria e presidente da Associação Brasileira de Odontopediatria. O grupo apresentou, então, à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Plano de Atendimento Odontológico no Primeiro Ano de Vida, que tinha os seguintes objetivos:
- Conhecer o bebê e suas necessidades congênitas, de desenvolvimento e adquiridas, como cárie, doenças de boca e traumatismo dental;
- Desenvolver sistema, métodos, técnicas e equipamentos necessários à construção de uma clínica odontológica para bebês;
- Aplicar os conhecimentos nos serviços, públicos e privados, assim como no ensino da Odontologia.
Luiz Walter conta que o projeto foi aplicado na UEL, onde foi criado o Núcleo de Odontologia para Bebês (NOB) e inaugurada, em 1986, uma Bebê Clínica Multidisciplinar, a primeira com este propósito no Brasil. "Esta clínica possui um acervo de atendimentos de cerca de 30 mil bebês, portanto, é o maior centro de referência sobre o tema no Brasil", diz o odontopediatra, que atualmente também é diretor da Bebê Clínica da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Ele ainda conta que nesta clínica o bebê é atendido sob os enfoques odontológico, fonoaudiológico, fisioterapêutico e nutricional, mas sempre com olhos nos fatores de risco que possam interferir no seu desenvolvimento buco-dental e geral.
Hoje, no País, são mais de 100 faculdades que ensinam ou praticam Odontologia para Bebês, incorporando mais de 10 milhões de crianças que estavam fora da faixa de atendimento. Este projeto também foi levado para outros países da América Latina, como Peru, México, Venezuela, Colômbia e Bolívia, por alunos de pós-graduação que vieram acompanhá-lo no Brasil. "Este sistema de atendimento, criado e desenvolvido no Brasil, veio para ficar e pode ser incorporado a qualquer programa de governo, incluindo o Saúde da Família", afirma Luiz Walter.
Mais saúde para os futuros adultos
A análise dos resultados já obtidos pela aplicação da Odontologia para Bebês em Londrina mostra que a base do projeto - educação para gerar prevenção - está sendo cumprida. Em 2004, 64% das crianças com 5 e 6 anos da cidade nunca haviam tido cárie e o índice CPOD aos 12 anos era 0.98, muito semelhante aos países com os melhores índices de saúde bucal.
"A Odontologia para Bebês é eficaz, simples e barata. Porém não mostra números de extrações, nem de obturações, porque elas quase não existem, e alguns confundem isto com falta de produção. Na realidade, o sistema prima por promover a saúde e não por tratar da doença", avalia o idealizador do projeto. Ele acrescenta que, desta forma, o atendimento voltado aos bebês - com orientação das mães desde a gestação - prevê uma Odontologia mais agradável, em que o prazer de ir ao cirurgião-dentista substitui o antigo pavor, já que as consultas não são mais focadas no tratamento, muitas vezes incômodo, da cárie e de suas conseqüências danosas.
A Odontologia para Bebês ainda tem a função maior e profunda de poder mudar todo o perfil da saúde bucal da população, pois, com o passar dos anos, seus benefícios avançam até chegar aos adultos e depois à terceira idade, diminuindo sensivelmente as necessidades curativas. "Existe muitos mitos, porém a realidade é que quanto mais prevenirmos, mais alcançaremos a finalidade social da profissão, aumentando sua representação na sociedade", diz Luiz Walter. |