A Odontologia brasileira nunca produziu tanto conhecimento científico quanto nos últimos anos. A efervescência da área é verificada através do crescente número de publicações registradas em bases de dados nacionais e internacionais, mas seus efeitos na sociedade ainda são parcos. Esta edição da Revista ABO Nacional, que dá continuidade à série de reportagens sobre o futuro da Odontologia, celebra os avanços da Odontologia na ciência sem negligenciar os desafios que se impõem ao pleno aproveitamento do conhecimento científico odontológico.
Para tanto, foram entrevistados importantes pesquisadores brasileiros, cujo trabalho tem ajudado a definir os rumos da Odontologia nacional. Através da experiência de décadas de vida acadêmica, estes profissionais criticam a centralização da pesquisa científica e a realização de trabalhos de pouco impacto social, mas alegram-se com o crescente surgimento de jovens pesquisadores, incentivados pela iniciação científica, e com o desenvolvimento de pesquisas em áreas com grande potencial de promoção da saúde.
A pesquisa científica é um processo que deve ser enriquecedor não só para quem a desenvolve, através do merecido reconhecimento dos seus pares e do seu engrandecimento intelectual e profissional, mas também para a sociedade. O conhecimento científico não tem razão de ser se a sociedade não for beneficiada por ele. A pesquisa é um processo de construção de conhecimento que precisa ter como objetivo o bem-estar social.
A Revista ABO Nacional orgulha-se de ser um veículo de disseminação da produção científica nacional em Odontologia, mas, nesta reportagem, chama a atenção para a necessidade de o próprio cirurgião-dentista ser um crítico da pesquisa odontológica. Se todo trabalho científico deve começar com uma boa pergunta, também deve ser lido com olhar questionador. Além de se perguntar por que uma pesquisa precisa ser realizada, deve-se perguntar para quem ela será feita.
Norberto Francisco Lubiana
Presidente da ABO Nacional |