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O FUTURO DA ODONTOLOGIA V
Passado, presente e futuro da Odontologia informatizada
O início da aplicação da informática na Odontologia é recente. No entanto, quando se trata de avanço tecnológico, é tempo mais que suficiente para profundas e rápidas mudanças. Neste caminho sem volta, o cirurgião-dentista deve estar disposto e preparado para as revoluções que ainda estão por vir


Década de 80: um dos primeiros modelos de mesa digitalizadora

Com 57 anos de profissão, o cirurgião-dentista ortodontista Cléber Bidegain Pereira viu muitas mudanças ocorrerem na Odontologia, em especial às relacionadas à informatização, que provocou verdadeiras revoluções com a incorporação da internet, dos computadores pessoais e de outras tecnologias digitais aos diferentes processos. E Bidegain não ficou apenas assistindo a essas mudanças acontecerem, mas as acompanhou de perto e ainda, junto de outros colegas também simpatizantes da informática, trabalhou para divulgar as novidades na área entre os profissionais brasileiros.

Prova deste pioneirismo foi a realização, em 1992, do I Simpósio de Informática na Ortodontia, realizado pela Sociedade Paulista de Ortodontia (SPO), e depois, em 97, do 1º Congresso Brasileiro

de Informá­ticana Ortodontia, presidido por ele e promovido pela Sociedade Gaúcha de Ortodontia (Sogaor). Este evento se tornou um marco por ser bastante inovador e também por um acontecimento em especial. "Naquela época, poucos ministradores, mesmo os internacionais, projetavaM arquivos digitais nas apresentações, apenas slides. Então, entendemos que, se usassem a projeção digital, seria um excelente meio de incentivar a utilização desta nova ferramenta de comunicação que surgia", conta Bidegain.


CD Cléber Bidegain Pereira

Para isto, foi usado um scanner de alta fidelidade, específico para digitalizar slides, que Carlos Rodrigues Jr., vice-presidente do congresso, havia trazido dos Estados Unidos. "Este equipamento era uma excelente solução, mesmo porque havia o acervo em slides que precisava ser transformado em digital para projeção em meio virtual", diz o presidente do evento.

Esta medida mostrou uma perspectiva totalmente nova para todos os participantes. Em carta a Bidegain, o ministrador mexicano Roberto Justus relata: "Esta experiência mudou minha vida 'real' para uma 'virtual'. As possibilidades que o computador permitia de ampliar as fotografias, melhorar seu contraste, sua cor, inserir textos nelas me abriram um mundo novo".

Mas bem antes destes acontecimentos, Bidegain e outros CDs desbravadores das novas tecnologias, como Boris Grinberg, Adolpho Fichman, Marcos Gri­bel, Antônio R. de Almeira, José Luiz C. Junqueira, Gil Fonseca Barison, José Gaspar, Waldir Grec, Kurt Faltin Jr., José El­vídio, Durval Zambon, Hélio Tsukamoto, João Dulce Barcelos, Ben Hur Godolphin, entre outros, ortodontistas em sua maioria, já se movimentavam para ampliar e aprimorar seus conhecimentos, assim como para divulgar o tema entre os profissionais. Em 1985, eles fundaram a Associação Brasileira de Usuários de Computadores na Odontologia (Abuco), "que não chegou a grandes realizações, mas congregou um grupo esplêndido, que trocava informações e experiências. Na época não havia cursos de informática para a Odontologia. Recorríamos, então, aos técnicos em infor­má­tica, às improvisações e aos colegas", conta Bidegain.

 

O novo antes e agora

As primeiras novidades de informática na Odontologia foram os softwares administrativos genéricos e depois os específicos para a área odontológica, desenvolvidos também no Brasil, e que surgiram por volta de 1980. Essa ferramenta se proliferou com importante aplicação na clínica e muitas especialidades têm hoje sistemas específicos para suas áreas. "A informática trouxe para a clínica maior facilidade no arquivamento e busca da informação administrativa e financeira e, sobretudo, na documentação com imagens, radiográficas ou fotográficas, possibilitando melhor estudo, consulta e comunicação com colegas e pacientes", avalia Cléber Bidegain.


Pioneirismo: 1º Congresso Brasileiro de Informática na Ortodontia
O cirurgião-dentista também destaca a cefalometria com­pu­tadorizada como uma das primeiras e mais relevantes aplicações científicas da informática na Odontologia brasileira. A tec­nologia surgiu em meados dos anos 1980 e foi possibilitada pelo desenvolvimento de mesas digi­talizadoras, onde eram marcados os pontos cefalométricos, e softwares específicos, para "ler" estes pontos no computador. "Desde que a cefalometria com­putadorizada se impôs, ela tornou-se imprescindível, por ser mais precisa e rápida, eliminando alguns erros do operador e superando, assim, a cefalometria manual."

Depois de criado, o sistema foi sendo melhorado ao longo dos anos, inclusive por orto­dontistas, radiologistas e programadores do Brasil, com o desenvolvimento de novos aplicativos para complementar a análise de modelos e os estudos cefa­lométricos, como a possibilidade de localização dos dentes nos três planos do espaço e para melhorar a documentação ortodôntica, entre outras funções. Um avanço tecno­lógico importante na técnica ocorreu em 1994, quando a empresa brasileira Radio Memory lançou o software que permitia a marcação dos pontos cefalo­métricos com o mouse na tela do computador. "Este programa tinha alta qualidade internacional e vem sendo ampliado e melhorado até os dias de hoje", diz Bidegain. Neste mesmo ano chegou ao Brasil o software Dolphin Imaging, precursor do uso da cefalometria com imagens em três dimensões. "Mais tarde, a tomografia computadori­zada descortinou um novo panorama para o diagnóstico e o planejamento clínico da face", completa.

 

Cada vez mais virtual

A informática e a tecnologia já estão totalmente integradas ao dia-a-dia das pessoas, não há dúvidas, e na Odontologia não poderia ser diferente. Além disso, está bem claro que a dependência destas ferramentas só tende a aumentar, tornando-as necessárias. "As criações científicas são céleres no mundo de hoje, carecendo de caminhos fartos e rápidos que só a internet possibilita. Quem deixa de utilizar esta e outras tecnologias fica para trás e perde a competitividade saudável", afirma Cléber Bidegain, a partir da experiência de quem acompanhou de perto estas recentes e velozes revoluções.

O CD lembra que em 2005 deu uma entrevista em que fez uma previsão sobre o futuro da infor­mática na Odontologia que foi confirmada. "Antevejo que as comunicações com o paciente serão através da internet. Tudo será falado de viva voz e, posteriormente, remetido pela internet, com certificado digital e pedido de confirmação do recebimento", disse ele à época. Hoje, já uma realidade para os profissionais - pelo menos para os mais atualizados - a dispo­nibilização on-line de informações gerenciais e clínicas, que podem ser acessadas de qualquer lugar, até de telefones celulares. Estas novas possibilidades intensificam as interações entre cirurgiões-dentistas e pacientes e entre os próprios profissionais, facilitando a troca de informações clínicas e a prestação de serviços via internet.

Mas este novo contexto virtual requer novos cuidados e os crimes pela internet também já são uma realidade. "Uma das grandes vantagens dos arquivos digitais é que eles podem ser modificados com facilidade. No entanto, isto também é uma desvantagem, pois assim eles perdem a identidade e confia­bi­lidade", afirma Bidegain. E continua: "Por este motivo a Medida Provisória 2.200-2, de 2001, válida até hoje, criou a certificação digital, que garante a integridade dos documentos digitais assinados desta forma". A certificação digital ainda não é amplamente usada nos serviços odontológicos no Brasil, mas, por garantir a autenticidade, integridade e validade jurídica dos documentos eletrônicos, seu uso deve crescer por uma exigência natural do mundo informatizado.



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