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O FUTURO DA ODONTOLOGIA V
O consultório do futuro
Agregando tecnologia informática a ferramentas clínicas, de gestão e de relacionamento, o ambiente de trabalho do cirurgião-dentista do futuro será marcado pela convergência

 


Convergência faz parte do futuro
da Odontologia
A evolução tecnológica e científica da Odontologia tem se mostrado não admitiam a possibilidade de fazer restauração posterior em resina, e há menos tempo ainda a Dentística Restauradora preconizava realizar a chamada extensão preventiva e as "caudas de andorinha", procedimentos rechaçados hoje em dia. Da mesma forma, a Endodontia em seção única, particularmente veloz. Há menos de 20 anos, muitos cirurgiões-dentistas brasileiros as próteses fixas metal free, clareamentos a laser e os
laminados de porcelana apenas se tornaram a rotina que são hoje de 15 anos para cá. Mas, assim como o sucesso da clínica odontológica está ligado à competência técnica do cirurgião-dentista e à evolução da ciência e das ferramentas tecnológicas empregadas, a capacidade de gerir tarefas administrativas, das quais fazem parte, por exemplo, a gestão do consultório, pode fazer toda a diferença.

Protótipo de cadeira odontológica
do futuro
Para tanto, métodos convencionais de administração de consultórios odontológicos vêm sendo substituídos, com sucesso, por práticas informatizadas que otimizam o trabalho envolvido - recursos que, para o cirurgião-dentista Plínio Tomaz, pós-graduado em Marke­ting pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), serão indispensáveis ao cirurgião-dentista do futuro. "O profissional da Odontologia do futuro, que, de certa forma, já é do presente, precisa entender e aceitar o fato de que jamais terminará a sua formação, e que ela vai além da prática de procedimentos odontológicos. Ele precisa ter a capacidade de desaprender e reaprender com a mesma velocidade com que aprendeu sobre qualquer assunto clínico pela primeira vez, e isso vale, especialmente, à adaptação de sua maneira

de gerir o consultório. O uso da informática pode facilitar bastante essa mudança", defende.

Tomaz caracteriza as ferramentas de informática das quais o cirurgião-dentista pode dispor no consultório odontológico em três categorias: clínicas, de gestão e de relacionamento. "As ferramentas clínicas são equipamentos para utilização direta com os pacientes: cadeiras, equipos, lasers, aplica­dores anestésicos eletrônicos etc. Essas ferramentas são as mais populares entre os cirurgiões-dentistas, por estarem ligadas diretamente à prática odontológica. Mas as demais não podem ser negligenciadas."

Segundo Tomaz, ferramentas de gestão são aquelas que armazenam e processam informações capazes de gerar conhecimento que possa ser aplicado na empresa. "Não esqueçamos de que o consultório é uma empresa. Com informações rápidas e precisas, podemos definir melhor



CD Plínio Tomaz

a hora de contratar e de demitir, as parcerias que serão ou não estabelecidas e as estratégias que estão ou não dando certo, além de monitorar os resultados e a performance de cada detalhe da clínica", explica. Já as ferramentas de relacionamento são todas aquelas empregadas na criação ou no fortalecimento da relação profissional-paciente, como e-mail, websites, blogs, mensagens via celular etc.

As três categorias relacionadas por Tomaz são, em sua maioria, baseadas em informática. O cirurgião-dentista vê a convergência entre elas como o futuro do consultório odontológico. "Em breve, a cadeira estará ligada a um sistema central com total integração à gestão do consultório", anima-se.

O futuro apontado por Tomaz já começa a ser construído em espaços de inovação como a clínica modelo criada em 2008 pela Forp-USP. São cinco consultórios, um centro cirúrgico, ilha de edição de imagens, sala de raios-x digital, sala de treinamento pré-clínico e área administrativa, tudo com infra-estrutura informa­ti­zada, que permite, entre outras ações, integração em tempo real com a Secretaria de Saúde de Ri­beirão Preto nas estratégias de controle de qualidade, estudos de prevalência e gestão, contribuindo diretamente com as políticas públicas da área odontológica. A base de dados serve ao levantamento das necessidades da população local e à definição de políticas públicas de atendimento na área da saúde bucal.


CD Mario Taba Júnior
Segundo o coordenador da iniciativa, Mario Taba Júnior, professor associado da Forp-USP, "o objetivo é compartilhar os dados gerados na clínica modelo entre todas as áreas da unidade e, ao mesmo tempo, com a Secretaria de Saúde, que deverá adequar sua estrutura". Incorporando a informa­tização em toda a rotina de geren­ciamento, como fluxo de pacientes, uso de materiais, validação dos procedimentos e comunicação com a rede do SUS, a clínica modelo pretende levar à integração e ao controle de todo o processo, desde a atualização do banco de dados dos pacientes aos custos operacio­nais, tudo em tempo real. No futuro, com o know-how adquirido, o grupo pretende tê-la como referência para a rede pública.

A informática é a grande protagonista da democratização dos avanços alcançados pela clínica modelo da Forp. Todos os consultórios são equipados para que os procedimentos sejam regis­trados, editados e colocados à disposição dos alunos, ou ainda para que sejam transmitidos em tempo real. Mas, apesar das novidades antecipadas, o professor Taba Jr. enfatiza que as mudanças não dispensam a valorização do elemento humano. "Nesse cenário, os meios tecnológicos desempenham seus papéis ao serem apropriados por seus usuários - um nunca prescinde do outro. A mudança não é automática e não pode ser feita sem uma importante adaptação. Do entendimento à implantação de uma proposta tecnológica, há revisões de conceitos, de comportamentos, que não podem ser desprezadas", acredita.

Nesse sentido, Plínio Tomaz chama a atenção para um cuidado que julga ser primordial: a huma­nização da tecnologia. "Ape­sar de as ferramentas eletrônicas de relacionamento fornecerem importante acréscimo de velocidade, precisão e oportunidades de contatos, não se pode abrir mão de momentos de interação pessoal direta. O contato humano vem sendo considerado o diferencial de grandes empresas ao redor do mundo. O importante é manter a qualidade e a quantidade de contatos nos relacionamentos, mas não deixar que isso seja apenas por vias impessoais. Assim, o futuro vai ser um lugar ainda mais interessante para se exercer a Odontologia."



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