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Na área da saúde em geral, a Ortodontia certamente está entre as disciplinas com maior avanço científico, técnico e tecnológico, verificado pelo extenso número de pesquisas e publicações científicas, como também pelo crescimento da indústria do setor, e tudo isso acontecendo em alta velocidade. “Essas duas vertentes se nutrem mutuamente: pesquisas ‘induzem' a criação de novos produtos, que adquirem credibilidade e aceitação após serem confirmados por novas pesquisas, e assim consecutivamente”, avalia Ricardo Lombardi de Farias, doutor em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), professor adjunto da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e diretor científico da Revista ABO Nacional. |
Mas todo esse avanço não faz nada sozinho. O profissional precisa ter base científica para escolher as melhores técnicas, como dominá-las e qual a conduta mais indicada a seguir, principalmente no momento do diagnóstico e planejamento do caso. O mestre e doutor em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas (FOP/Unicamp) e presidente do Conselho Científico da ABO Pernambuco Stenyo Tavares costuma dizer que “o diagnóstico e planejamento ortodôntico correto são 75% do sucesso do tratamento”.

Prof. Ricardo Lombardi de Farias |
Se não houver uma boa abordagem do problema ortodôntico nestas duas determinantes etapas, os danos são muitos – e isto, infelizmente acontece com frequência. “Bem, no mínimo, um tratamento mal conduzido vai ser muito longo, acarretando um custo maior para o paciente, além de desencadear um estresse no relacionamento profissional-paciente”, diz Tavares. E Lombardi completa: “A abrangência disso é bastante ampla, podendo comprometer a função mastigatória, com ou sem dor, a estética facial, e, com muita frequência, fragilizando psicologicamente o indivíduo. As sequelas não surgirão necessariamente logo após o tratamento finalizado”.
E o cuidado especial com o diagnóstico e o planejamento deve começar já na anamnese e exame clínico, que permitem a coleta de importantes informações e vão determinar a solicitação de exames complementares. “A primeira pergunta a fazer ao paciente é qual a sua queixa principal. Outras perguntas |
servem para saber o fator etiológico da doença, se intrínsecos ou extrínsecos”, diz o membro da ABO Pernambuco. O ortodontista Leopoldino Capelozza, professor titular da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB/USP), também chama a atenção para a necessidade de identificar os fatores da etiologia do problema, “O correto diagnóstico busca determinar se o que estamos vendo no paciente é genético e/ou ambiental, o que vai justificar as ações clínicas do tratamento, dando cores de verdade ao prognóstico”.
Analisar o bem-estar físico do paciente, suas condições médicas e outras informações que não são obtidas no exame bucal também é importante. “Precisamos saber se o paciente utiliza algum medicamento controlado, pois alguns deles podem interferir na movimentação ortodôntica”, afirma Tavares. Lombardi reforça a importância na boa comunicação. “A boa relação e a confiança entre profissional e paciente, ou familiares, é de extrema importância. No caso dos adolescentes, por exemplo, interagir com ele, saber qual seu esporte ou atividade favorita, conhecer sua auto-estima, ouvir dele o que espera como resultado são detalhes que fazem a diferença.” Assim, também se obtém maior colaboração do paciente.
Ciência x experiência x técnica
A partir das informações já obtidas, o profissional parte para reunir a documentação ortodôntica necessária, que deve ser composta por, no mínimo, ficha clínica, radiografia panorâmica, telerradiografia lateral da cabeça, fotografias extrabucais com visão frontal, visão lateral e frontal sorrindo, cinco fotografias intrabucais e modelos de gesso. “Além disso, em alguns casos, podemos solicitar radiografias periapicais, radiografias da mão e do punho e tomografias computadorizadas”, completa Tavares. Estas informações são essenciais não só para determinar o tratamento como também para acompanhar sua evolução.

Diagnóstico e planejamento orientam aplicação das diversas técnicas: aparelhos autoligáveis... ..
.mini-implantes e aparelho lingual (à direita) |
Com toda essa documentação em mãos, o trabalho do ortodontista é posto à prova, pois não adianta contar com as mais modernas técnicas de diagnóstico por imagem, se não tiver conhecimento cientifico para identificar o problema e elaborar a estratégia do tratamento. Neste momento também entra em cena a experiência do profissional e ele terá que administrar todos esses elementos para realizar um diagnóstico e planejamento satisfatório e previsível.
“Um bom ortodontista é fruto de muito estudo, orientado por professores qualificados em cursos de especialização. Claro que, com o tempo, a destreza manual vai sendo aperfeiçoada e os casos tratados vão servir como ensinamento, o que chamamos de experiência, aprender com os nossos acertos e erros”, avalia Stenyo Tavares. |
Para Lombardi, o conhecimento técnico e científico e a experiência têm igual importância na formação do especialista em Ortodontia, mas ele destaca que sem um bom adestramento manual, conseguido pela prática diária, não é possível alcançar os resultados desejados. “O importante é a humildade de reconhecer que sempre estaremos necessitando de evoluir nesses pilares do conhecimento humano”, conclui.
Tecnologia ortodôntica: passado e futuro em harmonia
 Prof. Stenyo Tavares |
A Ortodontia é uma das especialidades odontológicas que viram seu aparato tecnológico evoluir com maior velocidade nos últimos anos, mas com uma peculiaridade: enquanto em outras áreas tecnologias são superadas, ortodontistas se beneficiam dos avanços tecnológicos sem abrir mão da tradição.
Para o ortodontista Stenyo Tavares, doutor em Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade de Campinas (FOP-Unicamp) e presidente do Conselho Científico da ABO Pernambuco, o melhor meio de julgar se uma nova tecnologia ortodôntica é eficiente é avaliar seu tempo de uso e sua comprovação científica. “Existem alguns aparatos ortodônticos que são lançados no mercado como milagrosos e, após algum tempo, observa-se que os resultados científicos e clínicos não são significantes, ficando o aparelho praticamente em desuso”, alerta. Tavares também destaca a importância |
da origem da tecnologia na avaliação de sua eficiência. Ele classifica a produção de materiais ortodônticos em três categorias: internacional renomada, com excelente qualidade, mas custo elevado; nacional renomada, com produto intermediário e custo mais acessível; e nacional popular, com material de qualidade e custo inferior aos demais. Mas Tavares enfatiza que tal classificação não significa que tratamentos realizados com produtos de empresas nacionais populares terminem de maneira insatisfatória, pois, para ele, o que define o sucesso do processo é a qualidade do profissional. “É perfeitamente viável na clínica ortodôntica a utilização de bráquetes produzidos por empresas renomadas nacionais, gerando acabamento mais refinado no tratamento sem grandes despesas ao profissional e, consequentemente, ao paciente”, defende o especialista. |
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