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27/11 - Dia Nacional e Internacional de Combate ao Câncer
Cuidados com a saúde bucal salvam vidas |
R.103.08
25.11.08
DF/MTb: 49.614
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A Associação Brasileira de Odontologia (ABO) alerta: higiene oral deficiente, uso de próteses dentárias mal ajustadas e doença periodontal (gengivite), além de tabagismo e alcoolismo, podem levar ao câncer de boca, uma das formas mais comuns da doença que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mata 7,6 milhões de pessoas por ano em todo o planeta. O papel do cirurgião-dentista no diagnóstico precoce pode ser decisivo, ampliando em 80% as chances de cura

Consultas periódicas e combate ao tabagismo podem fazer a diferença
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer bucal deve atingir 14.160 brasileiros até o fim do ano. Com a proximidade do Dia Nacional de Combate ao Câncer, celebrado na próxima quinta-feira (27/11), a ABO chama a atenção para o controle dos fatores de risco e para a importância do cirurgião-dentista no diagnóstico precoce da doença, que pode ampliar para 80% as chances de cura.
O câncer bucal abrange as neoplasias malignas da cavidade oral, afetando mucosa, gengivas, palato duro (céu da boca), língua, assoalho da boca e/ou lábios. Segundo a estomatologista Maria Carméli Sampaio, consultora da ABO e doutora pela Universidade de São Paulo (USP), os principais fatores de risco são idade superior a 40 anos, má higiene oral, uso de próteses dentárias mal ajustadas, tabagismo e alcoolismo – estes dois últimos, quando combinados, ampliam consideravelmente as chances de manifestação da doença.
Combinações perigosas – A ação constante e prolongada de próteses mal adaptadas e de bordas cortantes de dente sobre a mucosa bucal constitui, ao longo dos anos, causas de lesões que podem induzir o desenvolvimento do câncer de boca pela potencialização de outros agentes carcinogênicos que atuam na mucosa, particularmente em indivíduos com hábitos tabagistas e etilistas. A literatura científica também sugere forte associação entre as várias formas de consumo de tabaco e alta prevalência e severidade de doença periodontal (gengivite).
Entre outros malefícios provocados na cavidade oral, o fumo destrói as enzimas da saliva que combatem substâncias prejudiciais. Isto torna a saliva uma mistura corrosiva de compostos químicos do tabaco na boca, facilitando o surgimento de células cancerígenas. Quem fuma 30 cigarros/dia já pode apresentar lesão pré-maligna. Já os mecanismos pelos quais o álcool pode agir no desenvolvimento deste câncer ainda não estão definitivamente esclarecidos, mas estudos indicam relação com o aumento da permeabilidade das células da mucosa aos agentes carcinogênicos devido ao efeito solubilizante do álcool, presença de substâncias carcinogênicas nas bebidas alcoólicas, dano celular produzidos pelos metabólitos do etanol e deficiências nutricionais secundárias ao consumo crônico do próprio álcool.
Inimigo invisível – Outros fatores relacionados ao surgimento de câncer bucal não são tão facilmente identificáveis, mas podem ser igualmente perigosos. A radiação solar (raios ultravioleta), por exemplo, é capaz de produzir lesões graves. Sendo assim, a exposição crônica à luz solar é fator de risco para uma das neoplasias malignas mais importantes da boca, o câncer do lábio inferior.
O risco de desenvolvimento do câncer de boca também é maior em trabalhadores de indústrias de processamento de metais, couro, níquel, álcool isopropílico e ácido sulfúrico. Na verdade, o fator ocupacional não é o agente cancerígeno; ele apenas obriga as pessoas a se exporem a agentes de risco em função da profissão. Esses riscos seriam bastante limitados se os trabalhadores se submetessem aos meios de proteção que as indústrias devem fornecer.
Sintomas – O câncer bucal manifesta-se principalmente pelo aparecimento de feridas na boca que não cicatrizam após alguns dias. Além disso, podem surgir ulcerações superficiais com menos de 2 cm de diâmetro e indolores, sangrando ou não, e manchas esbranquiçadas ou avermelhadas nos lábios ou na mucosa bucal. O estágio avançado da doença caracteriza-se pela dificuldade de falar, mastigar e engolir, além de emagrecimento acentuado, dor e presença de caroço no pescoço.
Prevenção e diagnóstico – A ABO recomenda evitar o fumo e o álcool, promover higiene oral, ter os dentes tratados e fazer consulta odontológica de controle (exame clínico da boca) pelo menos uma vez por semestre para que a prevenção do câncer bucal seja eficiente. É importante, ainda, a manutenção de uma dieta equilibrada, rica em vegetais e frutas, além de outros hábitos saudáveis.
Os métodos terapêuticos aplicáveis ao câncer da boca são cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Em lesões iniciais, segundo o Inca, a cura pode ser obtida em 80% dos casos, evidenciando a importância do diagnóstico precoce.
ABO faz campanha permanente - Para ajudar a salvar as mais de 200 mil vidas às quais, segundo o Ministério da Saúde, o tabagismo põe fim anualmente no Brasil, a ABO emprega a força dos mais de 220 mil cirurgiões-dentistas brasileiros representados pela entidade em campanhas nacionais de combate ao fumo, distribuindo material informativo pelas 321 células que compõem a Rede ABO.
O selo antitabagismo da ABO segue as diretrizes estabelecidas pela Federação Dentária Internacional (FDI) para implementação de medidas que acabem com o fumo em ambientes fechados. Assim, a ABO já declarou livre de fumaça sua sede administrativa e orienta toda a sua rede a fazer o mesmo, bem como nos eventos que realiza anualmente e que envolvem cerca de 50 mil profissionais em todo o Brasil. |