Projeto
de lei que torna obrigatória a presença do dentista
nas equipes multiprofissionais da UTI acumula apoios entre
profissionais da saúde, inclusive da Associação
de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), e representantes
do poder público. Associação Brasileira
de Odontologia (ABO) embasou o projeto e está à frente
da cruzada pela aprovação do PL, que vai
beneficiar com saúde bucal e integral os pacientes
internados nas UTIs
Diminuir o tempo das internações,
reduzir custos hospitalares e evitar a mortalidade nas
Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Estes resultados
podem ser alcançados com maior eficácia
prestando-se a devida assistência à saúde
bucal dos pacientes críticos, mas esse serviço
tem sido negligenciado pela ausência de dentistas
na grande maioria dos hospitais brasileiros. Para pôr
fim a esta realidade, tramita na Câmara dos Deputados
o Projeto de Lei 2776/08, que torna obrigatória
a presença do profissional nas equipes das UTIs,
incluindo o atendimento odontológico nos cuidados
aos pacientes. O PL foi embasado pela ABO.
A ABO defende veementemente a proposta, inspirada por reportagem da Revista
ABO Nacional, por considerar que a falta de atendimento odontológico
nas UTIs contribui para a proliferação de bactérias e
fungos mais fortes nem sempre comuns ao meio bucal. Além de causar problemas
bucais, estes microrganismos podem facilitar outras infecções
e doenças sistêmicas, principalmente as respiratórias,
já que eles são aspirados e chegam ao pulmão. Assim, não
só a boca do paciente é prejudicada, mas também sua saúde
geral e sua recuperação – um prejuízo injustificável
levando-se em consideração, ainda, que o cuidado com a saúde
bucal é um serviço barato, pois costuma envolver processos simples
e rápidos.
Base científica - O presidente
nacional da ABO, Norberto Francisco Lubiana, evoca a
ciência para explicar a importância da inserção
do dentista nas equipes das UTIs: “Dezenas de livros
e milhares de artigos cientificamente conduzidos em conjunto
por cirurgiões-dentistas e médicos, ou
ainda por profissionais de áreas afins, confirmam
estes fatos”. Lubiana chama a atenção,
ainda, para a economia que a medida proporcionaria à saúde
pública brasileira, “racionalizando o uso
de medicamentos, reduzindo os custos com exames complementares,
melhorando e envolvendo toda a equipe da UTI em um trabalho
multiprofissional integrado, como bem indicam as diretrizes
do Sistema único de Saúde (SUS), melhorando
a assistência ao paciente e salvando mais vidas”.
Medicina Intensiva apóia – O
PL 2776/08 vem acumulando apoios entre representantes
do poder público e dos profissionais da saúde.
Em reunião com o presidente nacional da ABO, na
manhã de ontem (5), o presidente da Associação
de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), Álvaro
Réa-Neto, destacou a importância da multidisciplinaridade
no atendimento do paciente crítico e disse que
a entidade apóia a presença do cirurgião-dentista
nas equipes das UTIs.
Poucas semanas antes, no dia 15 de maio, em audiência pública
realizada na Câmara, cirurgiões-dentistas e parlamentares discutiram
os benefícios que o trato odontológico pode trazer aos pacientes
das UTIs. Além do autor do PL, participaram da audiência o vice-presidente
da ABO, Luiz Roberto Craveiro Campos, as cirurgiãs-dentistas entrevistadas
pela reportagem da Revista ABO Nacional, Teresa Márcia Nascimento Moraes
e Maria Christina Brunetti, representantes do Ministério da Saúde
e outros interessados no assunto.
Na ocasião, foram apresentadas cartas de apoio ao projeto, enviadas
por entidades e profissionais da saúde que reconhecem a necessidade
do dentista nas equipes dos hospitais. Antes, o vice-presidente José Alencar,
sensibilizado pela causa, encaminhou ofício aos ministros da Saúde,
Casa Civil, Educação e Relações Institucionais,
aos presidentes da Câmara e do Senado e a todos os líderes partidários
do Congresso Nacional solicitando especial atenção para o assunto.
O projeto 2776/08 tramita na Comissão de Seguridade Social e Família,
com o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG) como relator, e depois segue para a
de Constituição e Justiça e de Cidadania, sendo apreciado
em caráter conclusivo – ou seja, não irá para votação
em plenário, o que deve agilizar seu andamento.
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Para ajudar a salvar
as mais de 200 mil vidas às quais, segundo o Ministério
da Saúde, o tabagismo põe fim anualmente
no Brasil, a Associação Brasileira de Odontologia
(ABO Nacional) emprega a força dos mais de 219 mil
cirurgiões-dentistas brasileiros representados pela
entidade às campanhas nacionais de combate ao fumo.
Esses esforços se intensificam com a proximidade
do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado no próximo
sábado (31/5), com a distribuição
de milhares de cartazes pelas 320 células que compõem
a Rede ABO, enfatizando a mensagem contra o tabagismo.
A ação fortalece o selo antitabagismo que a ABO criou no ano
passado, seguindo as diretrizes estabelecidas pela Federação
Dentária Internacional (FDI) para implementação de medidas
que acabem com o fumo em ambientes fechados. Nesse sentido, a ABO já declarou
livre de fumaça sua sede administrativa e incentiva toda a sua Rede
a adotar a mesma medida, bem como nos congressos que realiza anualmente e que
envolvem cerca de 50 mil profissionais em todo o Brasil.
A atenção ao assunto é de extremo interesse público,
levando-se em consideração que, segundo o Instituto Nacional
de Câncer (Inca), são esperados mais de 460 mil novos casos de
câncer no Brasil em 2008, sendo que o fumo é um dos principais
fatores de risco para a doença. A ABO tem fontes capacitadas para falar
sobre o assunto em todo o Brasil.
Tabaco
como fator de risco
Fatores de risco - Os principais
fatores de risco são idade superior
a 40 anos, vício de fumar cachimbos
e cigarros, consumo de álcool, má higiene
bucal e uso de próteses dentárias
mal-ajustadas. Entre outros malefícios
provocados na cavidade oral, o fumo destrói
as enzimas da saliva que combatem substâncias
prejudiciais. Isto torna a saliva uma mistura
corrosiva de compostos químicos do tabaco
na boca, facilitando o surgimento de células
cancerígenas. Quem fuma 30 cigarros/dia
já pode apresentar lesão pré-maligna. |
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