Durante os quatro dias de realização do Congresso Internacional de Odontologia do Distrito Federal (CIODF), promovido pela ABO/DF em Brasília, dirigentes da Associação Brasileira de Odontologia (ABO Nacional) reuniram-se com o presidente da Câmara Federal e com parlamentares, apresentando as bandeiras da entidade. Entre elas, o fechamento de faculdades precárias, a diminuição de vagas na graduação e a inclusão de cirurgiões-dentistas nas equipes das UTIs. Como resultado deste trabalho, a ABO divulgou, em reunião com deputados e senadores em Brasília (DF), documento em que defende medidas essenciais ao ideal de saúde bucal para todos

Temer (ao centro), Lubiana (à dir.) e Craveiro |
Com o objetivo de sensibilizar os parlamentares brasileiros quanto à importância da saúde bucal para a população, a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) reuniu autoridades do poder público e da Odontologia nacional em Brasília (DF), na noite da última quinta-feira (26/3), quando divulgou carta aberta ( para ler a íntegra, clique aqui ) em que “manifesta-se publicamente sobre os temas que considera relevantes e que estarão de forma permanente na sua pauta de discussões em todos os fóruns sobre saúde e educação, fazendo parte das ações para conscientizar e exigir do poder público e instituições de ensino suas responsabilidades”. |
A carta divulgada pela ABO apresenta medidas em defesa da melhoria da formação odontológica e que visam à universalização da saúde pública brasileira e à atenção à saúde bucal como política de Estado. Presente ao encontro, o vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), José Luiz Dantas Mestrinho, garantiu total apoio da entidade, do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) “nessa parceria pela recuperação do que deveria ser o Sistema Único de Saúde (SUS), com universalização da saúde”. Concordando com os termos da carta aberta divulgada pela ABO, Mestrinho falou, ainda, da importância do contato direto e constante com as assessorias parlamentares para que o trabalho das entidades do setor pela melhoria da saúde pública brasileira tenha maior êxito. |

Mestrinho, da AMB
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Entre os parlamentares que participaram do encontro estavam o senador João Ribeiro (PR-TO); os deputados federais Neilton Mulim (PR-RJ), Eliene Lima (PP-MT), Paulo Bornhausen (DEM-SC) e Jairo Paes de Lira (PTC-SP); o deputado estadual por Pernambuco Nelson Pereira (PCdoB-PE) e o vereador de Salvador (BA) José Carlos Pitangueira (PRB-BA). Também estiveram presentes a chefe de gabinete do deputado Mulim, Inailde Lira Silva, e o assessor parlamentar coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Elias Miler da Silva. Receberam os convidados a Diretoria Nacional da ABO e demais representantes da Rede ABO, formada por 27 Seções Estaduais, 293 Regionais e 81 Escolas de Educação Continuada da UniABO.
Odontologia salvando vidas – O encontro da noite da última quinta-feira foi precedido por uma série de outros encontros da ABO, em Brasília, com autoridades do poder público. Uma das bandeiras expressas na carta aberta foi defendida pelo presidente da ABO Nacional, Norberto Lubiana, em reunião com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). De autoria do deputado Neilton Mulim, que também participou da reunião, o Projeto de Lei 2776/2008 torna obrigatória a inclusão de cirurgiões-dentistas nas equipes multidisciplinares das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Respaldado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), parceira da ABO, Lubiana explicou a Temer que muitos pacientes entram nas UTIs devido a trauma na cabeça e morrem de infecção pulmonar causada por bactérias da cavidade bucal que contaminam os tubos para respiração artificial. Outros aspectos técnicos foram explicados pela presidente do Departamento Amib-ABO de Odontologia nas UTIs, Teresa Marcia Nascimento de Moraes.
Outro argumento a favor do PL foi apresentado pelo deputado Paes de Lira, que assumiu a vaga do ex-deputado Clodovil Hernandes (PR-SP), falecido recentemente e que vinha dando apoio à proposta. Lira chamou a atenção para a diminuição de custos na saúde pública que a devida atenção à saúde bucal de pacientes críticos acarretaria, tendo em vista o caráter preventivo da medida. Após as argumentações, Temer se disse convencido dos méritos da proposta, e que, agora, é preciso encontrar meios para viabilizá-la, colocando-se à disposição para ajudar.
Também participaram da reunião o presidente da ABO/RJ, Paulo Murilo; o coordenador da UniABO, Inácio Rocha; a diretora do Departamento Amib-ABO, Maria Cristina Brunetti; o presidente do Conselho Regional de Odontologia do Rio de Janeiro (CRO-RJ), Afonso Rocha; e o presidente do Conselho de Ética Odontológica do CRO-RJ, Francisco Soriano.
Formação odontológica adequada – Os diretores da Rede ABO também se reuniram com a diretora de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, para tratar de aspectos dos cursos da UniABO e do trabalho da ABO pela melhoria da qualidade do ensino odontológico. Lubiana reafirmou os argumentos da entidade pelo fechamento de faculdades deficientes. Na última avaliação do Ministério da Educação, 34 faculdades de Odontologia tiveram nota 1. Ainda assim, o Brasil tem mais cursos de graduação na área do que os EUA e o Canadá juntos.
O fechamento de faculdades deficientes também foi defendido pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES), com quem a ABO também se reuniu. Casagrande garantiu apoio na luta pela melhoria das condições de trabalho do cirurgião-dentista brasileiro. Mais de 180 cursos de Odontologia formam cerca de 12 mil profissionais por ano, e a luta da ABO é para que este número diminua.
CARTA ABERTA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ODONTOLOGIA
ABO NACIONAL
A Associação Brasileira de Odontologia (ABO Nacional), com suas 27 seções estaduais e 293 regionais espalhadas por todo o território brasileiro, manifesta-se publicamente sobre os temas que considera extremamente relevantes e que estarão de forma permanente na sua pauta de discussões em todos os fóruns sobre saúde e educação, e que farão parte das ações para conscientizar e exigir do poder público e instituições de ensino suas responsabilidades.
1. A ABO solicita ação permanente e efetiva do Ministério da Educação na fiscalização e no controle da qualidade do ensino nas faculdades e nos centros universitários que possuem cursos de graduação em Odontologia.
2. A ABO manifesta-se contrária ao altíssimo número de cursos de Odontologia e de vagas neles existentes, que vem provocando o aumento desproporcional do número de cirurgiões-dentistas em relação ao crescimento da população, tendo os profissionais que enfrentar subemprego, desemprego, remuneração aviltante e exploratória e precarização nas relações trabalhistas, levando muitos jovens ao abandono da profissão e à frustração pela perda de vários anos de estudos.
3. A ABO solicita do Ministério da Educação o controle da qualidade da formação profissional em Odontologia com o urgente fechamento dos cursos que obtiveram notas baixas nos exames de avaliação, além de diminuição do número de vagas nos cursos com notas médias e manutenção das vagas nos cursos com notas dentro do padrão de excelência.
4. A ABO manifesta-se ainda contrária à possibilidade de realização de exame de proficiência na Odontologia por entender que este sistema não apresenta parâmetros que garantam a qualidade no ensino de Odontologia, pune os menos culpados –os alunos – e fecha os olhos para aqueles que realmente têm o dever de garantir boa qualidade na formação profissional: o Ministério da Educação e as instituições que ofertam os cursos.
5. A ABO manifesta-se em defesa do Sistema Único de Saúde de forma universal, como prevê a Constituição, reconhece o esforço do governo na implantação da Política Nacional de Saúde Bucal, o Brasil Sorridente, e solicita ao Ministério da Saúde a ampliação desta política como forma de diminuir os alarmantes índices epidemiológicos em saúde bucal no Brasil em curto e médio prazo.
6. A ABO é totalmente favorável e se coloca à disposição do Ministério para contribuir na construção de um sistema de controle na formação profissional em Odontologia, por entender que a qualidade do ensino é um direito de toda a sociedade e uma responsabilidade do poder público, das instituições que têm a autorização do Ministério da Educação e das entidades de representação profissional.
Brasília, 26 de março de 2009
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O que é a ABO – Entidade sem fins lucrativos dedicada à defesa da classe odontológica e da saúde bucal da população, a Associação Brasileira de Odontologia (ABO) congrega 321 células em todo o País, sendo 27 Seções (em todos os Estados brasileiros e no Distrito Federal) e 294 Regionais, com 85 Escolas de Educação Continuada e 1.500 consultórios odontológicos instalados. Nestes espaços, são oferecidos atendimentos à população, gratuitos ou a preços de custo de materiais.
A entidade realiza cerca de 10 congressos por ano, em vários Estados brasileiros, reunindo mais de 50 mil participantes nestes eventos. É, também, a maior associação da Federação Dentária Internacional (FDI). Um brasileiro, o carioca Roberto Vianna, da Diretoria da ABO, é o presidente eleito da FDI e toma posse em setembro deste ano, no Congresso Mundial de Cingapura. Em 2010, o Congresso Mundial da FDI será realizado, também em setembro, em Salvador (BA), trazendo cerca de 15 mil cirurgiões-dentistas ao Brasil durante o evento.
A ABO é presidida nacionalmente pelo cirurgião-dentista capixaba Norberto Francisco Lubiana, que é também conselheiro da FDI.
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