Argila pode provocar erosão no esmalte do dente

A culinarista e apresentadora Bela Gil levantou nova polêmica na web ao postar um vídeo em que ensina a filha a escovar os dentes com argila. Em 2015, Bela também chamou atenção na mídia por indicar cúrcuma na higiene bucal.

De acordo com a odontopediatra e membro da Associação Brasileira de Odontologia, Fernanda Mamede, nunca houve qualquer artigo científico que comprovasse a eficácia de argila como agente antimicrobiano que evita doenças bucais. “Não tenho conhecimento do uso de argila em boca, a não ser por nossos ancestrais que utilizavam argila triturada da cor branca misturada a hortelã, couve e manjericão para dar perfume. Evoluímos e descobrimos a alta abrasividade de materiais naturais sobre dentes, gengivas e mucosas e, acima de tudo, os malefícios superiores aos benefícios.”

Mamede explica que a argila é um mineral que possui grânulos e sua abrasividade é acima da
suportada pelo esmalte do dente, o que pode provocar erosões de esmalte, retrações gengivais, além de hipersensibilidade pela alta fricção. “Está comprovado cientificamente que o uso de fluoretos diminuem em 40% a atividade de cárie na superfície dentária. O uso dos cremes dentais é a forma mais difundida de autoadministração tópica no mundo e, consequentemente, a mais utilizada. Atualmente, além de fluoretos nos dentifrícios, há associações de antimicrobianos para auxiliar no combate às doenças periodontais, potássio no auxílio à sensibilidade dentinária e diversas funções para a manutenção da higiene bucal”, diz.

No início do século XIX, a escova de dentes era usada apenas com água. Com o tempo, surgiram misturas caseiras e os ingredientes mais comuns eram giz, tijolo pulverizado e sal. Em 1940, surgiu o creme dental fluoretado, composto por diferentes tipos de fluoreto (fluoreto de sódio e monofluorfosfato de sódio, entre outros). Estudos científicos demonstram a importância da escovação e da presença do fluoreto para a saúde bucal. “Já está comprovado que o fluoreto tem um papel importante na prevenção da cárie dentária, uma vez que a sua presença constante em baixa concentração, na placa e superfície dentária, reduz a desmineralização e aumenta a remineralização dos tecidos dentários. O uso do creme dental em quantidade ideal é a forma mais eficaz para manter essa concentração”, explica a odontopediatra.

Existem diversas fórmulas que substituem os cremes dentais, no entanto, as recomendadas pela Associação Brasileira de Odontologia são as fiscalizadas, liberadas pelos órgãos competentes de vigilância sanitária, atestadas pela American Dental Association (ADA) e, atualmente, com o Selo ABO.