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A primeira carta de dentista do Brasil foi concedida ao português Pedro Martins de Moura, em 15 de fevereiro de 1811. Em 23 de julho recebe o documento o primeiro brasileiro, Sebastian Fernandez de Oliveira. A vinda do francês Eugenio Frederico Guertin, diplomado pela Faculdade de Medicina de Paris, traz progressos principalmente na área de próteses. Esse profissional recebeu sua carta para atuar no Brasil em 3 de março de 1820. Colocava coroas metálicas, obturava dentes com ouro ou chumbo, fazia limpeza e extração de dentes. Pela qualidade de seu trabalho foi nomeado dentista do imperador e da imperatriz. Ele é o autor da primeira obra de Odontologia feita no Brasil, de acordo com os registros disponíveis. O livro é Avisos Tendentes à Conservação dos Dentes e sua Substituição, publicado em 1829. O consultório de Guertin ficava na rua do Ouvidor, 126, no Rio de Janeiro, e era procurado pelas pessoas que prezavam seus dentes. É curiosa a tabela de preços cobrados por Guertin.

Depois de 1822

A primeira carta de dentista concedida após a independência do Brasil foi para Gregório Raphael da Silva, de descendência portuguesa, em 1º de junho de 1824. Em 30 de agosto de 1828, d. Pedro I extinguiu os cargos de cirurgião-mor, físico-mor e provedor-mor, alterando mais uma vez a responsabilidade pela concessão das cartas de licença. As atividades passaram a ser exercidas pelas câmaras municipais e justiças ordinárias. O objetivo dessa mudança era descentralizar a concessão de licenças, mas esbarrava na falta de profissionais capacitados a examinar os candidatos em todos os lugares.

Depois dos dentistas franceses, a partir de 1840 começam a chegar os oriundos dos Estados Unidos, contribuindo também para o desenvolvimento da profissão no Brasil. Em 1849 o americano Clinton Van Tuyl publicou o Guia dos Dentes Sãos. Em 14 de setembro de 1850 é criada a Junta de Higiene Pública, responsável por ações saneadoras e pela regularização de profissionais formados em universidades estrangeiras. Um ano depois, o decreto nº 828, artigo 28, determinava que médicos, cirurgiões, boticários, dentistas e parteiras apresentassem suas cartas de habilitação à Junta.

Nos anos seguintes várias medidas vieram aprimorar o exercício da profissão de dentista. Ainda em 1851 o diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, José Martins da Cruz Jobim, conseguiu a publicação de um decreto que criava novos estatutos para a faculdade com o objetivo de melhorar o ensino e o combate ao charlatanismo, que existia apesar das exigências determinadas para a obtenção da licença de trabalho.

Com o decreto 1.754, de 14 de maio de 1856, os candidatos a receber os títulos de dentista ou dentista aprovado faziam exames nas faculdades de Medicina da Bahia ou do Rio de Janeiro. Os testes constavam de uma parte prática, com a extração de um dente de cadáver e de uma parte teórica dividida em cinco grupos de temas: Anatomia, Fisiologia, Patologia e Anomalias dos Dentes, Gengivas e Arcadas Alveolares; Higiene e Terapêutica dos Dentes; Descrição dos Instrumentos que Compõem o Arsenal Cirúrgico do Dentista; Teoria e Prática de sua Aplicação, e Meios de Confeccionar as Peças da Prótese e Ortopedia Dentária.

Apesar da data oficial de formação da Associação Brasileira de Odontologia estar fixada em 1949, há material sobre a história da Odontologia no Brasil apontando a criação da entidade em 1942. Segundo dados disponíveis, a primeira entidade de classe criada no Brasil foi o Instituto de Cirurgiões-Dentistas, em 1868. Foi dissolvido no ano seguinte e renasceu em 14 de maio de 1889, tendo se tornado, em 1942, a Associação Brasileira de Odontologia. Um bom assunto para os pesquisadores definirem.

VEJA MAIS
(parte 1)
500 anos de Odontologia no Brasil (parte 2)
(parte 3)
(parte 4)
(parte 5)
(parte 6)
Na São Paulo de 1850 (parte 7)


* A matéria História da ABO Nacional foi publicada originalmente em sua íntegra na Revista ABO Nacional edição outubro/novembro de 1998, e assinada pelos jornalistas Bia Ferreira e Cacá Sil Garcia.

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