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O que não me ensinaram na faculdade

Há tempos tenho a idéia de escrever um livro com este título (ou algo parecido). Nele descreveria uma porção de coisas, as quais considero fundamentais ao êxito no consultório e na carreira, mas que ninguém nos contou nos bancos da faculdade ou, se alguns raros contaram, fizemos questão de ignorar.

Assim, enquanto esse próximo livro ainda é apenas um projeto, vou lhe adiantar algumas destas coisas, sem pretender esgotar o assunto.

Não me ensinaram na faculdade...

1. ... que a odontologia é uma profissão que pode ser exercida de forma muito mais ampla e diversificada do que apenas a atividade em consultório próprio. Muito pelo contrário, durante a graduação todos iam me alimentando a idéia de que “dentista que é dentista tem que ter um consultório próprio”. Hoje sei que posso ser dentista com “d” maiúsculo mesmo sem estar com a mão na boca de um paciente. Por exemplo: fiscal de vigilância sanitária, endorser da indústria de tecnologia odontológica, auditor técnico, pesquisador de materiais dentários, coordenador de saúde pública no município e assim por diante;

2. ... que é necessário – sim – conhecer e se familiarizar com números, contas, etc. Tá bom, “gostar” talvez seja pedir demais para alguns, embora recomendado, mas não se pode ignorar. O consultório é uma empresa e precisa ser administrado como tal (aliás, não me falaram isso também), ou seja, precisa receber de mim que sou dono, proprietário e, “empresário”, especial atenção e gestão. Exercer a profissão é uma coisa, ter um consultório (empresa) é outra, mas normalmente confundimos e misturamos tudo. Um equívoco comum. Assim, é muito importante conhecer e, de certa forma, dominar números. Para ser dentista você pode até deixar os tais “números” de lado, mas se quer mesmo ter um consultório, então não tem jeito;

3. ... que não basta ser tecnicamente bom para ser bem sucedido na profissão, mas que é preciso saber vender os serviços que aprendemos a fazer. Aliás, fazer é relativamente fácil. Duro mesmo é convencer outras pessoas a escolher e comprar esses serviços, não é verdade? Quem tem um certo dom para isso costuma se dar bem, mas e quem não tem? Nos deram a falsa impressão de que o insucesso é conseqüência sine qua non de inabilidade técnica. Não é;

4. ... que é necessário saber se comunicar e relacionar com pessoas. Saber lidar com pessoas é algo de extrema importância e uma habilidade presente em quase todos os profissionais bem sucedidos. Acho que em todos! É preciso saber conversar, aceitar as diferenças e ter empatia pelo outro, ou seja, aprender a colocar-se no lugar do cliente. Muitas vezes, até ouvimos essa orientação, mas nos enganamos e achamos que é apenas modo de falar;

5. ... que fazer determinados procedimentos em 854 passos e, consequentemente, gastando 3 horas de trabalho custam muito para mim e que, portanto, só pode ser praticado por quem tem condições de cobrar umas 8 vezes mais do que eu. E pior: me fazem sentir o pior dos piores se ousar a pensar diferente e usar meus conhecimentos técnicos e científicos aprendidos para ser mais objetivo e produtivo. Quase todos os procedimentos odontológicos podem ser feitos de diversas formas e técnicas. É preciso encontrar e adotar aquela que é mais parecida com a minha realidade;

6. ... que o sucesso do consultório não depende apenas de mim, mas que cada pessoa da equipe tem um papel fundamental nisso, inclusive na captação de clientes ou mesmo na manutenção e fidelização deles. Selecionar os funcionários de modo criterioso e saber tratá-los com respeito e motivação não é só um detalhe, mas parte integrante do bom resultado;

7. ... que como todo dentista parece querer fazer o mesmo tipo de serviço, nos mesmos locais e para o mesmo tipo de pessoas, o mercado de trabalho no Brasil está então, de um modo geral, saturado. Ninguém me disse que, por isso, eu deveria procurar um lugar (estado, município, bairro) para montar o consultório que fosse mais adequado e, principalmente, que eu deveria focar em um determinado nicho de mercado, isto é, escolher um determinado padrão e tipo de pessoas (classe social, sexo, faixa etária, estilo de vida, etc.) e definir meu consultório com base nisso;

8. ... que o retorno sobre o investimento no consultório não vem no curto prazo, como recém formados costumam se iludir. Às vezes, nem no médio, só no longo prazo. Isso significa que não basta eu ter x reais para investir na montagem inicial do consultório, mas 3 x (no mínimo) para poder me manter e continuar fazendo os reinvestimentos necessários durante 2 ou 3 anos, que é o período médio de retorno.

Bem, ainda há muitos outros itens que eu gostaria de acrescentar a esta lista. Por enquanto, vá pensando sobre o assunto e, se tiver outras verdades como esta que só aprendeu às duras penas e sozinho, entre em contato e me conte sua experiência.

Até a próxima.

* Plínio Augusto Rehse Tomaz é cirurgião-dentista e diretor da Tomaz Assessoria e Marketing S/S Ltda. Autor dos livros “Marketing para Dentistas” (Navegar Editora, 4ª edição, 2004) e “Consultório-Empresa” (Navegar Editora, 2004).
Página na Web: http://www.tomazmkt.com.br
E-mail: plinio@tomazmkt.com.br

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