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III Eipas discute saúde integral
Medicina e Odontologia juntas no III Encontro Institucional das Profissões da Área de Saúde

Craveiro (coordenador), Serrano (médico), Viviam (relatora),
Lubiana (debatedor), Christina (CD),
Pucca e vilela (debatedores) |
O conceito de saúde integral, que considera o efeito sistêmico da saúde bucal sobre o organismo do paciente, norteou toda a manhã do dia 15 de junho, quando, compondo a programação do último dia da Hospitalar 2007, aconteceram as discussões do III Encontro Institucional das Profissões da Área de Saúde (Eipas). A edição deste ano teve como tema Odontologia Sistêmica - Estratégias das Áreas Médica, Odontológica e Hospitalar para Conscientizar a População -, e, seguindo o formato já consagrado pelos encontros anteriores, reuniu profissionais e autoridades de relevante atuação nacional em torno de discussões fundamentais ao bem-estar da população.
Segundo um dos debatedores, Norberto Lubiana, presidente da ABO Nacional (entidade organizadora do III Eipas), o objetivo do evento é discutir propostas para a sensibilização de empresas, profissionais das áreas de saúde e educação, acadêmicos e o poder público, entre outros, sobre a importância da saúde bucal para a saúde integral. "Ainda é preciso unir esforços para |
que acumulemos mais conhecimento sobre o assunto, mas não se pode duvidar da relevante influência que a Odontologia exerce na qualidade de vida da população", argumentou. Os demais debatedores do III Eipas foram Gilberto Pucca Jr., coordenador Nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, e Laércio Vilela, representante do Conselho Federal de Odontologia (CFO). O Encontro foi coordenado pelo vice-presidente da ABO Nacional, Luiz Roberto Craveiro e teve como relatora Viviam Louise Dias Elias, presidente do Conselho Deliberativo nacional (CDN) e da ABO/MS.
Como parte desses esforços em busca do conhecimento e da socialização da informação, as discussões do III Eipas foram precedidas por duas palestras, que se ocuparam da apresentação científica do tema. A primeira, ministrada pela especialista em Periodontia Christina Brunetti , doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), tratou do papel do cirurgião-dentista em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) junto a pacientes críticos, e dos últimos estudos sobre uma provável relação entre contaminação periodontal e a ocorrência de partos prematuros, entre outros.
A palestra seguinte, ministrada pelo professor Carlos Serrano, livre-docente pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), abordou, entre outros assuntos, as relações entre Odontologia e Cardiologia, destacando o papel do médico e do cirurgião-dentista na promoção da saúde, a importância dos check-ups periódicos e de se corrigir os fatores de risco e detectar precocemente as doenças cardiovasculares. Serrano traçou paralelos entre a doença periodontal e doenças cardiovasculares, como endocardite e doença arterial coronariana (DAC), e fez alertas quanto ao uso de antitrombóticos, anestésicos locais e antibióticos em pacientes de risco.
Interface e resultados
Ao começar o debate, em sintonia com as palestras proferidas na abertura do III Eipas, o coordenador Nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Gilberto Pucca Jr., fez questão de enfatizar a importância da interface entre Odontologia e Medicina. "Mas a grande questão é como levar os resultados dessa interação para os profissionais e a própria sociedade", afirmou, dizendo que as ações do Ministério da Saúde são um reflexo dessa demanda.
O representante do CFO no III Eipas, Laércio Vilela, chamou a atenção para a necessidade do envolvimento da iniciativa privada nas discussões. Foram feitas propostas para o recrutamento de mais personagens nas possíveis campanhas e políticas públicas surgidas das discussões atuais sobre saúde integral.
Documento
As discussões do III Eipas resultaram em um primeiro documento (veja destaque), organizado pela relatora Viviam Louise Dias Elias, que compila todas as proposições feitas e tem como objetivo nortear as próximas ações dos profissionais e entidades presentes em busca do fortalecimento do conceito de saúde integral na opinião e nas políticas públicas.
Ao final do encontro, o sentimento era de motivação para o recrutamento de novos parceiros. "Outros agentes da sociedade precisam se engajar nessa luta. A mídia, por exemplo, deve ser uma parceira nos trabalhos pela democratização do acesso à saúde integral", convidou o presidente da ABO Nacional, Norberto Lubiana.
Relatório aponta caminhos para fortalecer a saúde integral
1 - Sensibilização das entidades, empresas, governos, áreas da Saúde e Educação, universidades, planos de saúde, especialidades médicas como ginecologia e gastroenterologia
2 - Sensibilização das equipes médica, odontológica e técnica sobre o papel delas na promoção da saúde e treinamento desses profissionais
3 - Apoio da mídia como forma de alertar a comunidade em geral, em especial os tabagistas, diabéticos e portadores de doenças cardiovasculares
4 - Orientação de alunos em escolas, feita por coordenadores e supervisores treinados
5 - Cartilhas educacionais dirigidas às Associações de Pais e Mestres que cuidam de cantinas com orientação sobre alimentação saudável
6 - Projeto-piloto de dois anos de pesquisa com apoio do Ministério da Saúde sobre a correlação das doenças e a Odontologia
7 - Formação profissional multidisciplinar com treinamento dos acadêmicos em áreas da Medicina e da Odontologia
8 - Estabelecer protocolos de atendimento em UTIs para casos de doenças bucais
9 - Propor projeto de lei com modificações sugeridas
10 - Inserção dos conceitos nos planos odontológicos e de saúde
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