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O CD como aliado na luta contra a obesidade no Brasil

Pesquisa recém-divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que, em três décadas, o número de crianças e adolescentes do sexo masculino acima do peso no País subiu de 4% para 18%; entre as meninas, o salto foi de 7,5% para 15,5%. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, são mais de 6,7 milhões de crianças e adolescentes obesos no Brasil, números que configuram um problema de saúde pública. O CD pode ajudar na resolução dessa problemática detectando indícios de transtorno alimentar na cavidade oral do seu paciente e o encaminhando para tratamento.

O assunto foi abordado na edição 82 da Revista da ABO, que teve como tema de sua matéria de capa o papel do CD no diagnóstico e no tratamento precoce de transtornos alimentares, entre eles o comer compulsivo, intimamente ligado ao desenvolvimento de obesidade. Isso porque a boca pode dar evidências do transtorno ao profissional, que pode detectá-lo ainda em seus estágios iniciais de manifestação e encaminhar o paciente para o tratamento adequado - especialmente porque o paciente com transtorno alimentar tende a esconder o problema da família.

Caracterizada pelo acúmulo em excesso de gordura corporal, a obesidade geralmente é associada a problemas de saúde e é resultado de diversas interações, envolvendo aspectos genéticos, ambientais e comportamentais. Pacientes obesos têm seus movimentos limitados, mais tendência à contaminação por fungos e outras infecções de pele devido às dobras de gordura e sobrecarregam sua coluna e membros inferiores, podendo apresentar degenerações de articulações da coluna, quadril, joelhos e tornozelos, além de doença varicosa superficial e profunda, com úlceras de repetição e erisipela. A obesidade é, ainda, fator de risco para doenças como hipertensão arterial, diabetes e câncer, entre outras. Em geral, um aumento de 20% do peso médio aceito para a idade eleva as taxas de mortalidade em 20% para homens e 10% para mulheres.

Entre os sintomas do comer compulsivo que se manifestam na cavidade oral de quem sofre de transtorno alimentar estão aumento de cárie - causado pela maior ingestão de carboidratos -, erosão dental, bruxismo, hipersensibi­lidade dentinária, xerostomia, mucosites e gengivites, entre outros. "Pela possibilidade de identificar estas alterações num simples exame clínico rotineiro, o profissional de Odontologia tem um papel importante no diagnóstico clínico da doença", diz a CD Rosana Ximenes, doutoranda em Neuropsi­quiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e estudiosa da relação entre a Odontologia e transtornos alimentares. Mas, apesar da importância do diagnóstico precoce por parte do CD, Rosana alerta para a necessidade de se encaminhar o paciente diagnosticado para o tratamento com o máximo de urgência, "pois os transtornos alimentares possuem alta taxa de mortalidade e o prognóstico nem sempre é favorável". Caso as lesões odontológicas sejam tratadas sem a devida atenção às suas causas, a doença continua, assim como os prejuízos provocados pelas alterações bucais, como escurecimento dos dentes pela erosão dentária.

Tratamento multidisciplinar

O tratamento da obesidade envolve reeducação alimentar, aumento da atividade física e, eventualmente, uso de medicações auxiliares. Dependendo da situação de cada paciente, pode ser indicado o envolvimento de psicólogo ou psiquiatra.

As implicações que os transtornos alimentares, como o comer compulsivo, têm na saúde bucal do indivíduo reforçam a necessidade da noção ampla de saúde integral. Rosana Ximenes chama a atenção para a importância da interação multidisciplinar na restauração da saúde integral do ser humano. Para ela, é fundamental a atuação do CD dentro da multidisciplinaridade necessária para o tratamento de um problema que envolve de fatores biológicos a fatores psicológicos, sociais e culturais, com o auxílio de profissionais da Psiquiatria, Psicologia, Nutrição e Fisioterapia. "E, se identificarmos precocemente a doença, através da observação dos sintomas e sinais clínicos, o paciente pode nem vir a desenvolvê-la", completa a CD.
BOX:

Mais proteína no primeiro ano de vida resulta em um adulto gordo

Um estudo realizado pelo Programa de Obesidade Infantil da União Européia envolvendo 990 crianças levantou indícios de que a obesidade pode ter relação com o consumo de altos teores de proteínas no primeiro ano de vida. Os cientistas acompanharam os efeitos da alimentação de 990 bebês, do nascimento até os dois anos de idade, entre outubro de 2002 e julho de 2006.

Comparando o crescimento de crianças alimentadas com fórmulas de alto teor protéico - 3g de proteína / 100kcal nos primeiros 6 meses e 4,5g/100kcal nos 6 meses posteriores - ao de crianças alimentadas com fórmulas com baixo teor de proteína - 1,8g de proteína / 100kcal e 2,25g/100kcal, respectivamente -, o estudo chegou à conclusão de que as últimas tiveram taxa de crescimento semelhante ao de crianças alimentadas com leite materno. Além disso, foi notado benefício metabólico e endócrino, melhor índice de massa corporal, o que representa menor risco da criança se tornar obesa. Para os envolvidos no estudo, há evidências de que a nutrição no primeiro ano tem influências para toda a vida do ser humano.


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