INTERNACIONAL
Fola, aos 90 anos, cheia de vida e realizações
Diz uma lenda que a Federação Odontológica Latino-americana (Fola) nasceu de uma história de amor.
Romantismo à parte, o que sempre guiou a Federação foi e continua sendo o fruto da semente plantada por seus fundadores em 1917: a integração do continente latino-americano. Nove décadas depois, a entidade se firma no cenário internacional com representatividade - mais de 300 mil cirurgiões-dentistas, quase um terço dos profissionais filiados à FDI - e a união de seus 21 países-membros

1917: o fundador Juan Burnett na criação da entidade, no Chile |
A lenda - Estudiosos da história e das origens da Fola, como Juan Arruti (Uruguai), contam que uma embarcação da esquadra inglesa naufragou na costa uruguaia no começo do século 18 e um de seus tripulantes foi recolhido na praia por um casal. O inglês se recuperou na casa dessa família, que tinha uma jovem filha por quem o oficial se apaixonou. Depois de se reapresentar à armada inglesa e sendo dispensado, regressou ao Uruguai e se casou com sua amada. O filho deles, Juan Burnett, foi um dos fundadores da Fola e seu primeiro presidente, eleito em 1917, quando tudo teve início: no Congresso Odontológico Pan-americano, realizado em Santiago do Chile.
A história - O rigor histórico aponta o dia 8 de outubro de 1917 como a data de fundação da Fola, no congresso chileno. O objetivo da então recém-criada entidade era congregar a Odontologia por meio das diversas associações esparramadas nos países da América Latina. |

Emblema da entidade de 1925 |
O passado - Para os cirurgiões-dentistas latino-americanos, o encontro de Santiago foi um acontecimento memorável. O presidente-organizador Juan Burnett e o secretário Héctor Cohas passaram para a história da Odontologia latino-americana. Três anos depois, foi realizado o I Congresso Odontológico Latino-americano (Cola), em Montevidéu.
A Federação marcou seu nascimento desde o início com a criação da bandeira e do emblema da entidade, nas cores amarelo, verde, branco, azul e vermelho, que se tornaram símbolos da presença da entidade, em 1925. Mais tarde, em 1929, no Rio de Janeiro, a entidade lançou o projeto da Revista Odontológica Latino-americana, registrada com a abreviatura oficial de Rola, e que tinha preocupação institucional e científica.
Em 1970, a Fola solicitou à Federação Dentária Internacional (FDI) sua afiliação como organização regional, sendo reconhecida como tal dois anos depois, passando então a chamar-se Fola/Oral (Federação Odontológica Latino-americana/Organização Regional para a América Latina).
80 anos, uma nova fase - Em 1997, a Fola comemorou seus 80 anos no mesmo local onde foi fundada, com o Congresso Latino-americano e Chileno organizado pelo Colégio de Cirurgiões-dentistas do Chile. Sob a presidência de Pedro Martinelli (Brasil) desde 1994, a entidade - então com 14 países-membros - galgou novos patamares e cumpriu sua missão de aproximar fronteiras, fortalecida pela grande ligação que sempre existiu entre os países do continente. Reeleito para uma nova gestão no Chile, Martinelli havia cumprido os 18 pontos de sua proposta de trabalho feita para o primeiro mandato, entre eles: lutar para os países do continente se afiliarem à Fola, melhorar os meios de comunicação da entidade, fortalecer o Congresso Fola, criar o Selo Aprovado Fola, incentivar a promover o intercâmbio científico e cultural na América Latina e entre as universidades da região, valorizar os associados da entidade e o cirurgião-dentista latino-americano. É criada a medalha comemorativa aos 80 anos da entidade, homenageando diversas personalidades do continente e do exterior. |

Medalha Fola 80 anos,
Instituída em 1997 |

1997: 80 anos comemorados no Chile - Delegados dos países latino-americanos reuniram-se no Chile 8 décadas depois para celebrar conquistas e a união do continente em torno de objetivos comuns. |
Até 1998, quando Pedro Martinelli sofreu morte súbita em viagem de trabalho que fazia a La Paz (Lima), a Fola passou a 20 países-membros, havia recebido a visita de dirigentes da FDI em seus congressos e firmava-se no cenário internacional. O Brasil, com Déo Costa Ramos passando de vice a presidente, completou o mandato que lhe cabia até 2000, quando novas eleições escolheram a Argentina como nova sede da Fola e Enrique Cister como presidente. |
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Aos 90 anos, vitórias
Em junho de 1998, poucos dias antes da morte de Pedro Martinelli, Adolfo Rodríguez (foto) participou como presidente da Associação Odontológica Dominicana (República Dominicana) do Congresso da Fola em Cuba. Começava ali a trajetória do jovem dirigente que hoje está à frente da Fola, em seu primeiro mandato, e que tem assento na Comissão de Finanças da FDI. De olho no futuro, a entidade acompanha a modernidade, ganha novo logotipo e se prepara para os 90 anos. |
| Um longo caminho foi percorrido pela entidade desde sua fundação. Além de comemorar no Copeo, em Recife (Pernambuco), suas nove décadas de existência, a Federação Odontológica Latino-americana tem muito mais a celebrar: 21 países-membros, a conquista de postos na FDI - o principal deles o de presidente eleito, com maioria absoluta de votos para Roberto Vianna (Brasil) -, a escolha pelo Conselho da FDI do Brasil para a realização de seu Congresso em 2010, e o coração de uma jovem senhora que pulsa e bate cheia de vida, propósitos e realizações. |
| Países - sedes da Fola |
| Da fundação até a década de 40 |
| 1917 - 1920: Uruguai |
| 1921 - 1925: Chile |
| 1925 - 1929: Brasil |
| 1934 - 1940: Tribunal de Arbitragem |
| 1941 - 1946: Argentina |
*Há várias lacunas após 1944, a primeira delas provocada pela Segunda Guerra Mundial
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| Década de 80 aos dias atuais |
| 1986-1989: Colômbia |
| 1989 - 1992: Cuba |
| 1992-1994 : Venezuela |
| 1994 - 1997: Brasil |
| 1997 -2000: Brasil |
| 2000-2003: Argentina |
| 2003-2007: Argentina |
| 2007-2010: República Dominicana |
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