Prevenção de doenças bucais
Aprovada originalmente no FDI'1998, em Barcelona (Espanha), teve versão adaptada pela Assembleia Geral da FDI de setembro de 2008, em Estocolmo (Suécia).
A FDI aponta neste documento que as principais doenças bucais são a cárie, a periodontite e o câncer oral. Medidas relativamente simples e de baixo custo podem prevenir largamente essas condições e reduzir seus malefícios. Em acréscimo, condições orais crônicas têm sido associadas com doenças sistêmicas, como coronariopatias, infartos e diabetes, entre outras. Nesses casos, a entidade defende aproximação preventiva, com dieta saudável e sem consumo de tabaco e bebidas alcoólicas. Já a prevenção da mais comum doença oral, a cárie, requer o uso apropriado do flúor.
Entre as barreiras que impedem a prevenção estão pobreza, baixa prioridade à saúde oral e falta de suporte político, o que provocam falta de percepção das necessidades e recursos inadequados.
O documento respalda as seguintes medidas principais na prevenção de doenças bucais:
- Educação através do entendimento de que a saúde oral está integrada à saúde geral
- Cooperação entre profissionais de saúde, governos, ONGs e mídia para promover o conhecimento de que a maioria das doenças orais e suas consequências podem ser prevenidas com intervenções simples
- Políticas públicas de saúde e programas que incluam medidas de promoção e prevenção para a população, em níveis da comunidade, profissional e individual
- Colaboração organizada entre patrocinadores de todos os níveis e adoção de medidas que possam ser duplicadas, confiáveis e dotadas de recursos para a prevenção integrada de doença oral como parte da prevenção de outras doenças crônicas não comunicáveis
Tabaco OU saúde oral
Resolução original adotada em Orlando (EUA), em 1996, e revisada pela AG de Estocolmo (Suécia), no FDI'2008.
Neste documento, a FDI defende que a boa saúde oral e o uso do tabaco, em nenhuma forma, podem caminhar juntos. O uso do tabaco é danoso para a saúde e é causa comum de vício, doenças preveníveis, incapacidades e morte. Ainda, o uso do tabaco conduz a aumento do risco de câncer oral, doença periodontal e uma série de outras doenças, e, contrariamente, afeta o resultado do cuidado à saúde oral.
Evidências mostram que breves intervenções, orientação direta, material de apoio e acompanhamento dado por profissionais de saúde oral têm significante impacto nos pacientes que usam produtos provenientes do tabaco. Ajudar estes pacientes é um dos mais importantes serviços que os profissionais de saúde oral podem prestar e uma obrigação ética a ser cumprida.
A FDI defende fortemente e encoraja todas as atividades que focam a prevenção do início do vício, a redução do consumo e o controle dos danos para o fumante passivo causados pelos produtos do tabaco. A FDI endossa e promove todos os artigos da Convenção Quadro (WHO Framework Convention on Tabaco Control – WHO FCTC), e encoraja todas as suas associações membros e todos os profissionais de saúde oral a:
- Adotar ações decisivas para reduzir o uso do tabaco e o vício da nicotina
- Integrar e aconselhar a orientação de cessar o tabaco na prática diária do consultório
- Integrar educação e treinamentos relacionados ao tabaco para todos os acadêmicos
- Apoiar energicamente a implementação do WHO FCTC
- Aplicar as principais linhas gerais do Código de Exercício de Entidades de Profissionais de Saúde Oral sobre o tabaco
- Ser modelo para pacientes e público em geral, não usando produtos do tabaco
- Envolver-se nos programas nacionais conduzidos nos respectivos países
Câncer oral
Resolução adotada na AG de Barcelona (Espanha), em 1998, e revisada em Estocolmo (Suécia), em 2008.
O câncer oral é o maior problema mundial de saúde. Inclui tumores malignos nos lábios, na cavidade oral, orofaringe, nasofaringe e hipofaringe, sendo doença altamente letal, incapacitante e desfigurante. Tem incidência global, de aproximadamente 2-3% entre todos os tumores malignos, embora tenha uma das mais baixas taxas de sobrevivência: mais de cinco anos em 50% dos casos. O número de mortes por câncer oral em 2002 era de 318 mil, comparado as 477 mil mortes por câncer de mama 1 .
Frequentemente, o diagnóstico é feito quando a doença está em estágio avançado, e, consequentemente, o prognóstico é pobre, com alta morbidade e mortalidade. Revisões sistemáticas e outros estudos 2,3 sugerem que a triagem para o câncer oral deve continuar como parte do exercício odontológico e médico, além do registro apropriado dos dados, e há evidências de efetividade no exame visual da cavidade oral como método de diagnóstico da doença em casos de alto risco 4 . Não há evidências convincentes para apoio a outros métodos de classificação, como toluidine blue, imagens fluorescentes e amostras citológicas como diagnóstico auxiliar prévio à biópsia 5 .
Os maiores fatores de riscos para o câncer oral são:
- Uso de produtos de tabaco
- Consumo exagerado de álcool em qualquer forma
- Nutrição pobre em frutas e vegetais
- Infecção pelo papiloma vírus humano
- Lesões pré-cancerosas
Diante dos fatos, a FDI enfatiza o importante papel que profissionais de saúde têm em:
- Detecção precoce do câncer oral
- Educação do paciente sobre os maiores riscos associados a fatores comportamentais
- Encorajar pacientes a diminuir a exposição aos fatores de risco causadores do câncer
- Manter tecnologias de diagnostico confiáveis e válidas
- Estabelecer protocolos de orientação para pacientes apresentando lesões suspeitas ou câncer oral diagnosticado
- Estabelecer gerenciamento efetivo de estratégias interdisciplinares, incluindo anúncio de rede de apoio psicossocial
A FDI recomenda também:
- Que sejam desenvolvidas políticas nacionais de saúde e estratégias preventivas para o cancer oral, incluindo a educação de pacientes
- Que sejam providenciados treinamentos específicos para o reconhecimento, avaliação e orientação de pacientes para diagnóstico, tratamento e gerenciamento do pós-tratamento
Referências
1. The World Health Report 2004, Changing History Annex Table 2: cause, sex and mortality stratum in WHO regions estimates for 2002. (www.who.int/whr/2004/annex/topic/en/annex_2_en.pdf) Accessed on 22
September 2008
2. Kujan O, Glenny AM, Oliver RJ, Thakker N, Sloan P. Screening programmes for the early detection and prevention of oral cancer. Cochrane Database Syst Rev, 2006 July 19; 3:CD004150
3. Patten LL. The effectiveness of community-base visual screening and utility of adjunctive diagnostic aids in the early detection of oral cancer. Oral Oncol 2003 39: 708-723
4. Sankaranarayanan R, Ramadas K, Thomas G, Muwonge R, Thara S, Mathew B, Rajan B; Trivandrum Oral Cancer Screening Study Group. Effect of screening on oral cancer mortality in Kerala, India: a cluster-randomised controlled trial. Lancet 2005 365: 1927-33
5. Lingen Mark W., Kalmar John R., Karrison Theodore, Speight Paul M., Critical evaluation of diagnostic aids for the detection of oral cancer. Oral Oncol 2008 44: 10-22 |