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SERVIÇO
Influenza A: prevenção no consultório odontológico


CD Renata Pitella

Entidades e órgãos oficiais estão informando sobre os cuidados que profissionais de saúde, inclusive CDs, devem tomar para prevenir a transmissão do H1N1 e contribuir para o rápido atendimento dos casos suspeitos. Ao divulgar amplamente estas informações, a ABO espera promover a melhor arma contra a Influenza A: a prevenção

Antonela Tescarollo

Embora o Brasil tenha registrado 680 casos confirmados de Influenza A e apenas uma morte, os cuidados devem ser mantidos, pois o vírus H1N1 continua sendo transmitido. No mundo todo, o número de mortes causadas pela gripe chegou a 324 e o número total de ocorrências é de 72.900, em 48 países, segundo a Organização Mundial de Saúde em relatório divulgado em junho.

Diante deste risco, entidades e órgãos de saúde e de vigilância sanitária estão informando amplamente a população sobre como prevenir a contaminação pelo vírus, quais os sintomas da Influenza A e quais medidas tomar em caso de suspeita. Os cuidados específicos na Odontologia também estão sendo divulgados. No Portal ABO (www.abo.org.br), está disponível para download Informe Técnico sobre a gripe, elaborado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), com diversas orientações para o profissional de saúde. No site do Ministério da Saúde (www.saude.gov.br) também estão disponíveis os documentos “Protocolo de procedimentos para manejo de casos e contatos de influenza A (H1N1)” e “Protocolo de notificação e investigação de casos”, entre outras informações.

A Organization for Safety and Asepsis Procedures (Osap), entidade internacional parceira da ABO voltada à biossegurança na Odontologia, e o Center for Disease Control and Prevention (CDC), entidade dedicada a promover saúde e qualidade de vida através da prevenção e controle de doenças, também publicaram em seus sites alertas aos cirurgiões-dentistas em relação à Influenza A.

Segundo a Osap, os profissionais devem estar atentos aos sintomas da gripe nos seus pacientes e, caso apresentem algum deles, o tratamento deve ser interrompido e a pessoa encaminhada ao médico. Toda a equipe odontológica deve dar atenção especial aos cuidados em biossegurança recomendados, principalmente com relação a doenças respiratórias. A entidade disponibiliza em seu site (www. osap.org) documentos com informações detalhadas sobre esta e outras recomendações, como o “Protocol for Managing Dental Patients with Confirmed or Suspected Respiratory Infection and for Dental Patients with Confirmed or Suspected Tuberculosis”, entre outros.

O CDC também publicou em seu site (www.cdc.gov) documento especialmente produzido para a prevenção da Influenza A nos serviços odontológicos. “Prevention of Swine Influenza A (H1N1) in the Dental Healthcare Setting” aborda os alertas visuais da doença, higiene respiratória, os cuidados com as pessoas que apresentam sintomas, entre outras precauções.

 

Atenção no consultório, sempre

Segundo a cirurgiã-dentista Re­nata Pittella, consultora em biossegurança da ABO Nacional, os cuidados destacados na Odontologia para prevenir a transmissão do vírus H1N1 endossam os protocolos já conhecidos nesta área. “O uso correto da máscara e a lavagem frequente das mãos são as medidas mais destacadas”, diz Renata. E ela completa: “Caso a cadeia asséptica se quebre, existe risco de contaminação cruzada no consultório odontológico. Os protocolos atuais de biossegurança, se aplicados corretamente, são suficientes para a proteção contra esta gripe”.

A especialista ainda esclarece que o risco de contaminação pelo H1N1 no consultório é o mesmo de uma gripe comum. “O contato estreito entre profissional e paciente pode levar a contaminação, visto que é uma doença transmitida por aerosóis, mas o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI) é efetivo na prevenção deste contágio.”

A efetividade dos cuidados que evitam a transmissão e a correta aplicação dos protocolos de biossegurança também devem estar bem claros para o cirurgião-dentista, para que não seja negado atendimento odontológico, especialmente de urgência, ao paciente confirmado ou suspeito de estar com a Influenza A. “Um tratamento de urgência pode ser realizado quando necessário e a prescrição de medicamentos deve ser realizada em conjunto com o médico que assiste o paciente”, diz Renata.

“O cirurgião-dentista, enquanto profissional de saúde, deve esclarecer seus pacientes em relação ao diagnóstico e sintomas da doença e, no caso de suspeita, enca­minhá-lo ao local correto para pronto tratamento do caso”, completa a consultora da ABO.

SERVIÇO

Portal ABO: www.abo.org.br
Osap: www.osap.org , em Infec­tion Control Issues
CDC: www.cdc.gov/OralHealth/infectioncontrol/index.htm
Ministério da Saúde: www.saude. gov.br
Secretaria de Vigilância em Saúde: www.saude.gov.br/svs
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): www.anvisa. gov.br

 

Em caso de suspeita...

Se atender algum paciente suspeito de ter contraído o vírus H1N1 (veja sintomas no quadro Sintomas e suspeitas), o CD deve contatar o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) local, se houver em sua cidade, e enca­minhá-lo para o Hospital de Referência. É prudente também anotar as informações do paciente, como nome, endereço, telefone, e-mail, para localizá-lo facilmente, se ele não se apresentar ao hospital indicado.

Os casos suspeitos também devem ser notificados imediatamente à Secretaria de Saúde Municipal e/ou Estadual. É possível fazer a notificação eletrônica pelo e-mail notifica@saude. gov.br, ou no site do Ministério da Saúde, clicando no banner Influenza A (H1N1) e depois no Notifique Aqui.

No site do ministério também está disponível a lista dos Hospitais de Referência para Pandemia de Influenza. Qualquer outra informação pode ser conseguida através do Disque Central Médica do Centro de Vigilância Epidemio­lógica: 0800 55 54 66.

 

Sintomas e suspeitas

Conheça as definições dos diferentes casos de pacientes relacionados à Influenza A, conforme o Ministério da Saúde.

Caso em monitoramento : devido à virulência e expressão clínica do subtipo de vírus desta gripe (H1N1), foi adotada classificação com o objetivo de ampliar a sensibilidade da vigilância epidemio­lógica. Assim, são considerados casos em monito­ramento as pessoas procedentes de países afetados, nos últimos 10 dias, com febre aferida ou não E com tosse, podendo ou não estar acompanhadas dos demais sintomas definidos em caso suspeito. Também devem estar em monitoramento os procedentes, nos últimos 10 dias, de países não afetados, mas que apresentam os sintomas de caso suspeito.

Estes casos deverão ficar em observação e, conforme sua evolução clínica, serão posteriormente reclassificados como suspeitos, prováveis, confirmados ou descartados.

Caso suspeito : pessoa que apresentar febre alta de maneira repentina (> 38ºC) E tosse, podendo estar acompanhadas de um ou mais dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações ou dificuldade respiratória. São também consideradas características de casos suspeitos: apresentar sintomas até 10 dias após sair de países que reportaram casos pela Influenza A, OU ter tido contato próximo, nos últimos 10 dias, com pessoa classificada como caso suspeito, provável ou confirmado da gripe.

Caso provável : pessoa com as características de caso suspeito que apresente um dos seguintes critérios adicionais: confirmação laboratorial de infecção por vírus da influenza A, porém sem resultados laboratoriais conclusivos quanto à infecção por vírus de influenza sazonal; OU i ndivíduo sintomático com clínica com­patível de infecção respiratória aguda indeterminada; OU que evoluiu para óbito decorrente desta infecção E que tem vínculo epidemiológico (de tempo, local ou exposição) com outro caso provável ou confirmado de infecção pelo H1N1.

Caso confirmado: indivíduo infectado pelo vírus da In­fluenza A (H1N1), confirmado por laboratório de referência, por meio da técnica de RT-PCR em tempo real.

Caso descartado : os casos em monitoramento, suspeito ou provável que tiveram resultado negativo para todos os tipos de influ­enza, ou em que não tenha sido detectada infecção por influenza A, em que tenha sido diagnosticada outra doença são descartados.

 


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