EDITORIAL
Na calada da noite. Até quando?
Norberto Francisco Lubiana, presidente da ABO Nacional
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Mais uma vez, enquanto a sociedade brasileira dormia ou fazia seus preparativos para os festejos de fim de ano, justamente no dia 29 de dezembro de 2005, o governo baixava outra medida provisória, agora a 275, nos moldes da 252 que foi publicada em 31 de dezembro de 2004 (Diário Oficial da União) e que esta mesma sociedade derrubou. Buscando insistentemente o aumento da já escorchante carga tributária, que tanto penaliza os pequenos empreendedores deste País, o resultado na prática é o aumento do cafezinho que iremos tomar, no arroz que iremos comer ou nas luvas e no cimento que iremos usar.
A ABO Nacional mais uma vez se juntou às entidades da sociedade civil organizada que formaram a frente nacional contra a MP 232 para protestar e lutar contra esta MP 275 e já pode comemorar uma primeira vitória. O relator da medida, deputado Milton Barbosa (PSC-BA), deu parecer mantendo as alíquotas que vinham sendo praticadas antes da edição da medida. A matéria agora deve passar pela Câmara e pelo Senado e, se aprovada, irá à sanção presidencial. |
Em um momento em que centenas de entidades, incluindo aqui a ABO, e empresários se juntaram para formar o movimento Quero Mais Brasil, com o intuito de criar uma nova agenda de desenvolvimento para o País, cobrar mais transparência e lutar por justiça tributária; em que foi lançada a campanha De Olho no Imposto, com o objetivo de conscientizar a população sobre a quantidade de impostos que incide por cada produto que compramos, o governo aplica, no apagar das luzes do fim do ano, mais um golpe tributário em todos os brasileiros, repetindo uma já bem conhecida prática de governos anteriores.
Se podemos comemorar as ações do atual governo na área da saúde bucal e em outros setores, na área tributária ocorre o contrário, com um aumento do já enorme volume de impostos que pagamos quando compramos as coisas necessárias ao nosso cotidiano.
Pense nisso e faça a sua parte. Mande e-mail, fale com o seu parlamentar. A pressão da sociedade é o único jeito de conter a voracidade de arrecadação do governo.