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SAÚDE BUCAL
O diagnóstico da cárie hoje
Laser, raio-x digital e microscópio reforçam o leque de opções para detecção de lesões. Especialista alerta, porém, que novas técnicas ainda oferecem poucas vantagens em relação ao exame visual e radiográfico e têm alto custo

O diagnóstico da cárie está muito além da simples análise da situação do tecido dentário, para verificar se há presença de lesão. Este processo é mais amplo e também envolve a avaliação da atividade e da profundidade da lesão e dos fatores etiológicos da cárie, tanto biológicos como socioeco­nô­mi­cos. A partir destas informações pode-se decidir, então, pelo melhor tratamento.


CD Fausto Medeiros Mendes

Os métodos para a detecção da cárie vêm se desenvolvendo e complementando-se aos convencionais para oferecer mais objetividade e apoio à avaliação clínica e conforto ao paciente. Segundo o doutor em Odontopediatria e cirurgião-dentista especializado em diagnóstico de cárie, Fausto Medeiros Mendes, os métodos mais modernos disponíveis para o profissional brasileiro são o laser, raios-X digital e microscópio clínico.

O equipamento a laser capta a fluorescência do tecido cariado emitida por metabólitos - substâncias orgânicas produzidas pelas bactérias presentes na lesão após serem excitadas por uma luz vermelha que, no caso,

é proveniente de um laser de diodo. Depois de captar a fluorescência, o aparelho a traduz em valores numéricos, numa escala relativa de 0 a 99. Quanto maior o valor obtido, maior a lesão de cárie.

A radiografia digital permite que o CD manipule a imagem obtida do dente para conseguir maior precisão e diminui o tempo de exposição do paciente à radiação. Já o microscópio aumenta a imagem do dente e, conseqüentemente, a da lesão também, facilitando sua visualização.

Mesmo reconhecendo a tecnologia, a precisão e a objetividade dos métodos mais modernos, Mendes considera que eles ainda oferecem poucas vantagens em relação aos tradicionais exames visual e radiográfico e têm alto custo. O preço médio desses novos equipamentos gira em torno de R$ 6.600,00 (laser), entre R$ 15.000,00 e R$ 60.000,00 (microscópios) e R$ 35.000,00 (radiografia digital).

Para ele, o índice de acertos dos novos procedimentos e instrumentos não supera muito o dos convencionais, desde que estes sejam bem realizados. No caso da microscopia clínica, por exemplo, ele afirma que o aparelho "aumenta muito a imagem, e o CD tende a ver qualquer alteração pequena na superfície oclusal - muitas vezes anatômica - como uma lesão de cárie, realizando o tratamento operatório sem necessidade".

Para os cirurgiões-dentistas interessados em usar os métodos mais modernos, Mendes recomenda aguardar a divulgação de pesquisas mais consistentes sobre a segurança e eficiência dos produtos antes de adquiri-los.

Subjetividade influencia diagnóstico

Os métodos convencionais de detecção de lesão de cárie - principalmente o visual - ainda podem ser mais vantajosos que os modernos em termos de custo e e e benefício na avaliação de Mendes, mas o especialista não deixa de citar também seus problemas e defasagens.

A inspeção visual é um método muito subjetivo e varia muito entre os cirurgiões-dentistas, pois depende do conhecimento e do modo que ele interpreta a cárie dentária. Além disso, por ser um procedimento bastante tradicional, as formas de aplicação do exame visual precisam ser atualizadas. "O uso do explorador afiado, que ainda é utilizado por muitos clínicos, deve ser abolido de uma vez por todas.
O explorador não tem grande precisão de diagnóstico e causa danos à superfície do dente", afirma o estudioso. Ainda assim, Mendes considera o método visual imprescindível para qualquer exame - é o único, entre todos os métodos disponíveis, capaz de estimar se a lesão é ativa ou inativa. Mas a inspeção visual deve ser comple­mentada, quando possível, com outra técnica, como a radiografia tradicional ou digital e o equipamento a laser, para dar mais precisão e segurança ao diagnóstico do profissional.

Métodos de última geração ainda inéditos no Brasil

Alguns métodos e equipamentos mais modernos para detecção de lesões de cárie são pouco conhecidos ou inéditos no Brasil. Entre eles está a detecção de resistência elétrica: devido à sua porosidade, o tecido doente acumula saliva e forma um caminho para a corrente elétrica. O método oferece informações sobre a quantidade de lesões e, apesar de não ser tão recente, não foi bem difundido aqui, segundo Fausto Me­deiros Mendes.


  Kit auxilia na predição de cárie

Já a transiluminação por fibra óptica (Foti) e sua versão digital (Difoti) se beneficiam da tolerância maior do tecido cariado à difusão da luz em comparação com o tecido hígido. Assim, a lesão pode ser visualizada, pois aparece como uma sombra escura quando transiluminada. De acordo com o profissional, essas são técnicas bastante modernas e oferecem resultados apenas qualitativos.

Um método bastante usado na Europa é o Quantitative Light-induced

Fluorescence (QLF). Baseia-se na fluorescência do dente, mas diferente do método a laser. Sua vantagem está na quantificação de pequenas perdas minerais do esmalte e na detecção precoce da lesão, sendo adequado para monitorar lesões de mancha branca e verificar se progridem ou remine­ralizam. Mas nem tudo é perfeito. Sua desvantagem é não ser eficiente nas superfícies oclusal e interproximal. Os profissionais estrangeiros também podem contar com um kit que auxilia na predição de cárie, através daverificação imediata do pH e fluxo salivar e da capacidade tampão.

O equipamento de detecção a laser já está disponível no Brasil, mas uma versão mais atualizada está sendo lançada na Europa. O diferencial do novo produto é que ele pode ser utilizado na superfície interproximal, além da oclusal, como o anterior. Entre os métodos que estão em estudo e ainda não estão disponíveis para uso clínico, dois dos mais promissores são a tomografia e a microtomografia.

 

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