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P E R I O D O N T I A
A lição da salamandra

Estudos sobre a regeneração de tecidos em torno de dentes extraídos verificam os limites do nosso corpo e dos tratamentos atuais


CD Maurício Araújo

Se uma salamandra tem um pedaço do seu rabo cortado, ela é capaz de regenerá-lo exatamente como era antes, igual em forma e função. Este exemplo é dado pelo cirurgião-dentista e doutor em Periodontia pela Universidade de Gotemburgo (Suécia) Maurício Araújo, para questionar se nós, seres humanos, teríamos a mesma capacidade da salamandra para realizar uma regeneração verdadeira de tecidos e órgãos cortados ou destruídos.

Em seu doutorado, Araújo estudou o potencial de regeneração dos tecidos periodontais destruídos e as conclusões indicaram que não somos tão bons quanto as salamandras nesse quesito. "Os meus resultados mostraram que, na melhor das hipóteses, você consegue formar um tecido semelhante ao original, mas não igual."

O especialista deu continuidade aos seus estudos no Brasil, na Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná, mas ainda em conjunto com a Universidade de Gotemburgo. Esses experimentos, realizados em cachorros, avaliaram a regeneração dos tecidos em alvéolos resultantes de extrações recentes que receberam um implante. O objetivo do estudo foi verificar se a instalação de implante imediatamente após a extração dentária é capaz de prevenir a perda óssea no rebordo

alveolar. Seus resultados verificaram que o implante não impede a perda ocorrida ao redor do elemento depois de sua extração. "O implante pode devolver parte do que foi perdido, mas não a totalidade. Ele é um ótimo substituto para a falta do dente, e não para o dente", completa Araújo.

Quanto à regeneração do tecido gengival, o especialista diz que, em alguns pacientes, ela também é prejudicada, pois a gengiva se retrai junto com o osso, prejudicando o aspecto estético. Para que os danos resultantes dessa perda tecidual sejam diminuídos, o recomendado, segundo ele, é esperar um tempo entre a extração do dente e a colocação do implante para que a alteração óssea ocorra completamente. O tempo de espera sugerido é de dois meses.

Além do prejuízo estético que a perda óssea em torno do dente extraído pode trazer, ainda há a possibilidade do paciente ter que fazer um enxerto ósseo para recuperar o tecido e poder receber um implante.

Nada melhor que o original

Os estudos que Araújo continua desenvolvendo na UEM em conjunto com a instituição sueca também pesquisam diversos substitutos ósseos para o tecido que é perdido. "Nenhuma técnica cirúrgica garante com 100% de previsibilidade a reconstrução total do osso perdido, mas a cada dia chegamos mais perto do osso normal." Além disso, a equipe de pesquisa tenta entender porque acontece a perda óssea após a extração do dente. Segundo o pesquisador, ainda não foi encontrada a resposta para isso, ainda que a explicação mais simplista seria que o osso foi criado para sustentar o dente e, quando este é extraído, ele se vai.

De todo o estudo que vem realizando em torno da regeneração do tecido bucal, Araújo diz tirar algumas lições: "Preserve a saúde das suas gengivas e de seus dentes". Para ele, apesar de os tratamentos de reabilitação oral serem muito bons, eles não são perfeitos e não devolvem exatamente o que foi perdido. Ele faz esse alerta em favor da preservação dos elementos bucais para evitar que extrações sejam feitas sem necessidade, simplesmente porque existem alternativas para resolvê-las, como os implantes.

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