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SUA SAÚDE
Cardiopatias na cadeira odontológica

Condições próprias de pacientes com doenças cardíacas exigem cuidados especiais durante o atendimento e tratamento odontológicos.
Diante disso, o CD deve conhecer melhor as interações possíveis entre boca e coração, assim como as cardiopatias em si, além dele mesmo cuidar de sua saúde integral e qualidade de vida

A integração da boca com a saúde geral e sistêmica do indivíduo é assunto cada vez mais estudado e comentado, ultrapassando até o meio da Odontologia e chegando aos ouvidos do público em geral. Mas para que esse conceito seja realmente aplicado, antes de mais nada, os próprios cirurgiões-dentistas devem incorporá-lo a cada passo do atendimento que realizam.

Para isso, o profissional deve estar consciente e habituado a não se limitar ao levantamento do material básico de exame clínico, sem fazer uma anamnese profunda em termos de histórico bucal e da saúde geral, por mais simples que o caso possa parecer.




Periodontista Rodrigo Bueno
de Moraes
“ Desprezar assuntos ou interferências associadas a outros segmentos como a Medicina, a Fonoaudiologia, a Psicologia e a Nutrição pode conduzir a um tratamento unicamente sintomático e que desconsidera a real etiologia da situação clínica verificada”, aponta o periodontista Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes.

Um dos principais aspectos gerais do paciente que o cirurgião-dentista deve levar em consideração são as doenças cardiovasculares. Além de sofrerem influência das infecções periodontais, as cardiopatias e condições associadas a elas também interferem na saúde bucal, favorecendo alguns sintomas, e no atendimento e procedimentos odontológicos. Assim, a princípio, o profissional deve sempre investigar se o paciente é

cardiopata ou não, principalmente se verificar que ele está dentro de alguns fatores de risco. Caso o CD já saiba que o paciente sofre do problema, deve questioná-lo sobre qual tipo de doença cardíaca possui, qual a terapia empregada, o nível do controle médico mais recente e se há a presença de complicações.

Para Rodrigo de Moraes, um dos primeiros cuidados com esses pacientes deve ser o controle da ansiedade e melhora na oferta do conforto, pois boa parte deles está em situação que favorece a aflição e o estresse. “Questões como a adequada inclinação da cadeira odontológica, a leveza e a sutileza nos gestos e o controle da dor e da ansiedade fazem diferença quando se trata de um paciente com risco cardiovascular.”

Interações entre tratamentos


Cardiologista Carlos Serrano Jr., do Incor

Nos pacientes cardíacos, o procedimento de anestesia requer atenção especial. Carlos Serrano Jr., médico assistente da Unidade Clínica de Coronariopatia Aguda do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas e livre docente pela Faculdade de Medicina da USP, recomenda dar preferência aos anestésicos sem vasoconstritores, para evitar hiperglicemia e vasoespasmo. O periodontista Rodrigo de Moraes lembra que também deve ser considerada a adrenalina endógena liberada na corrente circulatória quando o paciente está sob medo e tensão.

Os medicamentos usados por esses pacientes também devem ser conhecidos pelos cirurgiões-dentistas, como os de controle de pressão sanguínea, que podem favorecer a diminuição do fluxo salivar, provocar alterações significativas na capacidade de coagulação e alterar a qualidade da resposta imu no in flamatória. Segundo o perio dontista, os fármacos prescritos pelos cardiologistas podem, indiretamente, colaborar para o sur gimento de infecções bucais oportunistas, como infecções fún gi cas, lesões bucais, cárie e problemas periodontais.

Além disso, estas medicações ainda podem influenciar nos procedimentos odontológicos mais complexos e invasivos. Por isso, o cardiologista Carlos Serrano indica “suspender antitrom bóticos, como AAS, clopidogrel, ou anti coagulante, cinco a sete dias antes de cirurgias, para diminuir a chance de sangramento”. O perio dontista, por sua vez, sugere, nesses casos, que médicos e cirurgiões-dentistas verifiquem a possibilidade de substituição de medicamentos, ou até a “adoção de protocolos mais rigorosos para o controle clínico e diário, especialmente quando não for possível trocá-los”.

As cardiopatias também podem influenciar a cavidade oral quando o paciente, muito preocupado com o problema cardíaco, ou, por uma restrição motora decorrente de algum evento car diovascular, descuida da saúde bucal. Por outro lado, o cirurgião-dentista deve estar atento ao controle das ocorrências infecciosas e inflamatórias cardíacas favore cidas por doenças bucais, como a doença periodontal e as afecções dentárias mais graves. Assim, a prescrição de antibio ticoterapia profilática no pré e/ou pós-operatório odontológico é importante para diminuir os riscos de infecção, especialmente nos casos associados com o risco para a endo cardite infecciosa.

Interdisciplinar e integral

Para o periodontista Rodrigo de Moraes, o enfoque maior para as relações entre Odontologia e Cardiologia tende a melhorar a atenção integral à saúde do paciente na medida em que “ressalta a importância da contínua reci clagem profissional e da constante comunicação interdiscipli nar entre médicos, cirurgiões-dentistas e os outros profissionais, como educadores físicos, nutricionistas e psicólogos”.
Em conjunto, os profissionais das duas áreas também devem estar prontos para alertar e orientar sobre os fatores de risco em comum, que prejudicam tanto a saúde e o tratamento da boca quanto do coração, como o dia bete melito, o fumo, dieta inadequada e outros.

O peito embaixo do jaleco

O cirurgiões-dentistas não devem somente suspeitar que seus pacientes são cardiopatas, mas que eles também podem ter o problema, ou apresentar grandes chances de desenvolvê-lo, assumindo a posição de pacientes. Além do mais, lutar por espaço num mercado de trabalho competitivo e que exige constante atualização e, ainda, a grande responsabilidade natural de uma profissão que lida diretamente com pessoas, condições comuns aos CDs, contribuem para que, tanto homens quanto mulheres, entrem numa rotina estressante e apressada, aumentando a predisposição deles para as doenças cardíacas.

Assim, para cuidar melhor da sua saúde e qualidade de vida, leia nas próximas páginas importantes informações sobre as cardiopatias e valiosas dicas sobre como preveni-las, controlá-las e tratá-las, mantendo sempre os bons hábitos e o bom humor.



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