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O FUTURO DA ODONTOLOGIA IV
E o Brasil nisso tudo?
Em meio à alta tecnologia e ao avanço científico que cercam a Odontologia e, em especial, a Cirurgia e Traumatologia Buco­ma­xilofaciais, atualmente - e ainda com grandes expectativas para o futuro -, surge a dúvida: o Brasil está acompanhando essas evoluções?


Imagem de tomografia computadorizada da face obtida no Serviço de Apoio ao Diagnóstico e Terapia (SADT) do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre e usada pela equipe de CTBMF: Odontologia deve usufruir da tecnologia hospitalar

"O Brasil é um País com diferenças socioeconômicas importantes. Isso também implica nas possibilidades de se adquirir tecnologia de ponta, na velocidade em que ela é lançada pelos fabricantes ou desenvolvedores. Além da aquisição, é necessário que as equipes possam ser treinadas e que uma rede de suporte esteja disponível para operação e manutenção destas tecnologias. A CTBMF, por atuar em centro cirúrgico hospitalar, usufrui de avanços que rotineiramente são adquiridos pelas organizações hospitalares. Porém, a difusão desta tecnologia no Brasil ainda é inci­piente", avalia Edela Puricelli. Para a especialista, algumas das possíveis razões para a pouca penetração desta tecnologia são a transferência tecnológica precária, a dis­sociação da imaginologia odontológica dos Serviços de Apoio ao Diagnóstico e Terapias (SADT) dos hospitais, a falta de ações governamentais em saúde bucal para pacientes internados e uma visão equivocada da relação custo-benefício dos materiais e dos equipamentos odontológicos.

Quanto ao serviço oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS), ela reconhece que, apesar das já conhecidas dificuldades de acesso que a população enfrenta, "a CTBMF está disponibili­zada tanto em nível de especialidade quanto de alta complexidade, em quase todos os hospitais considerados de referência".

A especialista ainda diz: "Dentro de um universo globalizado, os esforços da comunidade científica brasileira, nas três dimensões - ensino, pesquisa e assistência em saúde - precisam favorecer a geração de novos conhecimentos integrados. Destacamos a PUC/RS pela criação de um parque tecno­lógico (TECNOPUC), em que recursos de última geração, equipes com formação e produção intelectual diferenciada e gestão em pesquisa são colocados à disposição de todos dentro de um modelo universidade-empresa". (www.pucrs.br/agt/tecnopuc).

"A cirurgiã bucomaxilo­facial profa. dra. Marília Ger­hardt de Oliveira, professora da instituição, tem inovado junto ao Núcleo de Desenvolvimento Tec­no­­lógico em Superfícies, In­ter­faces e Nano­es­truturas, deste parque, coordenado pelo prof. dr. Roberto Hübler", destaca Edela Puricelli

Mas, mesmo apoiando as evoluções em técnicas, equipamentos e materiais na área, a especialista faz um alerta: "É necessário evitar o deslumbramento pela utilização de sofisticados métodos acreditando que o seu domínio e emprego produzam uma O­don­tologia à prova de erros".

E aponta: "Quando precisamente indicadas e corretamente aplicadas, as modalidades tec­noló­gicas trarão benefícios ao profissional, por proporcionar ferramentas auxiliares, e ao paciente, por receber um atendimento mais eficaz. Contudo, o profundo conhecimento em saúde, especialmente da ciência odontológica, para o correto diagnóstico somado à habilidade e à destreza do CD, são fatores indisso­ciáveis para as melhores práticas e o sucesso desejado em ca­da tratamento."



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