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O FUTURO DA ODONTOLOGIA V
Um diagnóstico do futuro
As tecnologias em diagnóstico por imagem alcançaram um avanço enorme com a informatização, que acabou impulsionando as demais áreas da Odontologia. As novas técnicas tornaram os processos mais rápidos, mais seguros para os pacientes e transformaram as habilidades dos profissionais


Tomografia computadorizada Cone Beam: revolução na Odontologia
O diagnóstico por imagem pode ser considerado como uma mola propulsora que impulsiona a Odontologia em direção a processos informatizados e à tec­no­logia de ponta. Por ser complementar às outras áreas da Odontologia, auxiliando no diagnóstico e plano de tratamento, a Radiologia Odon­to­lógica "divide" com outras especialidades, como Orto­dontia, Im­planto­dontia, Periodontia e Endo­dontia, suas novidades em técnicas e equipamentos.

Nos últimos 10 anos, o diagnóstico por imagem na Odontologia passou por grandes avanços tecnológicos, e exames tradicionais como a radiografia panorâmica e as radiografias intra-orais evoluíram para o formato di­gital. Novos sensores, computadores pessoais mais evoluídos, entre outras tecnologias, permitiram o desenvolvimento de equipamentos mais modernos. "Os aparelhos mais novos oferecem vantagens substanciais em relação aos métodos convencionais, tais como: maior resolução espacial e de contraste, menor dose de radiação ao paciente, otimizam o tempo, evitam repetições no exame e têm painel automático da imagem, sem a necessidade de revelação", enumera o cirurgião-dentista Israel Chilvarquer, que há 30 anos acompanha a Radiologia Odontológica, sendo professor associado da disciplina na Faculdade de Odontologia da Uni­­versidade de São Paulo (FO/USP), instituição em que realizou seu mestrado, doutorado e livre docência.


CD Israel Chilvarquer

"Porém, nada foi mais significativo para a Odontologia em geral do que a introdução da tomografia computadorizada Cone Beam, ou de feixe cônico", enfatiza o especialista. Desde a década de 1980, a Odontologia tem se beneficiado de diferentes tipos de tomografia, como a linear, multidirecional e computa­dorizada Fan Beam, ou médica. Mas foi a Cone Beam que atendeu melhor à necessidade de imagens mais detalhadas e fieis à anatomia da região da cabeça e pescoço.

Segundo o especialista, essa maior necessidade ficou mais evidenciada a partir do trabalho em reabilitação oral e facial com implantes osseointegrados desenvolvido pelo pesquisador sueco P.I. Brånemark, descobridor da osseointegração.

 

Em 2005, Brå­nemark inaugurou um instituto de pesquisa e tratamento em osseointegração em Bauru (SP), no qual Chilvarquer também atua. O instituto, que atende 80% de seus pacientes gratuitamente, conta com o trabalho de voluntários e é mantido com doações de profissionais e de empresas, tanto financeiras quanto de equipamentos e materiais.

Tecnologia touch screen para manipular imagens radiográficas

Uma revolução em 3D

Em 1997, Yoshinori Arai, da Universidade Nihon (Japão), considerado o pai da tomografia Cone Beam odontológica, desenvolveu o primeiro protótipo, chamado de Ortho-CT. E, logo depois, em 1998, Mozzo et al. apresentou a primeira versão comercial da tecnologia, batizada de Newtom 9000.


Ferramentas informatizadas
no consultório
Por ter a grande vantagem de oferecer imagens em três dimensões, enquanto as técnicas convencionais projetam estruturas tridimensionais numa superfície plana, a tomografia de feixe cô­nica foi rapidamente incorporada à Odontologia, e vem se multiplicando cada vez mais. "A Cone Beam tornou-se uma grande aliada no planejamento e diagnóstico em várias especialidades odontológicas, que até então não usavam imagens em três dimensões", diz Israel Chilvarquer. E completa: "Sem dúvida foi uma revolução. O desenvolvimento desta tecnologia de diagnóstico transformou nossa habilidade
de evidenciar, com muita facilidade, as alterações de todo o complexo maxilomandibular".

Entre as aplicações possíveis da tomografia Cone Beam está o uso auxiliar no diagnóstico de todas as afecções dos tecidos duros; avaliações sistemáticas da dinâmica das articulações tempo­ro­mandibulares; planejamento de cirurgias ortopédicas e orto­gná­ticas; planejamento da análise topográfica quantitativa dos remanescentes do rebordo alveolar, tanto para reabilitações com implantes, como para cirurgias periodontais. Além disso, o desenvolvimento de softwares específicos, que manipulam e processam as imagens obtidas por esta tecnologia, possibilitou análises cefalométricas tridimen­sionais, a realização de cirurgias virtuais guiadas e reconstruções detalhadas da anatomia topográfica e materializadas em biomo­delos, confeccionados por técnicas de prototipagem.

 

Evoluções geométricas


Biomodelo por prototipagem
Para Chilvarquer, o Odontologia brasileira está atingindo um grande número de profissionais com qualificação suficiente para utilizar a tomografia computa­dorizada na prática clínica diária. "Acredito também que o desenvolvimento de equipamentos para uso exclusivo na área odontológica criou um mercado com honorários bastante palatável", diz o especialista. Mas ainda assim, a tecnologia não é acessível à maioria da população com baixa renda, e o serviço público, em grande parte, limita sua aplicação à área médica.
De qualquer forma, a grande e rápida evolução alcançada com a tomografia Cone Beam mostra o quanto o profissional precisa estar correndo atrás das novidades e em constante aprimoramento, para que tenha capacidade de fazer bom uso dos avanços técnicos e científicos. E, mesmo correndo atrás, pode parecer difícil acompanhar tantas mudanças.

"O conhecimento e as pesquisas na Imaginologia tiveram um estrondoso desenvolvimento, na última década, em progressão geométrica, podemos dizer. Porém, o nosso conhecimento em interpretá-los ainda está em progressão aritmética. Mas o futuro é muito promissor e os seus custos biológicos e financeiros irão diminuir a ponto de tornarem as novas tecnologias ferramentas imprescindíveis na boa prática da Odontologia", avalia Israel Chilvarquer.

Tecnologias auxiliares


Impressora a laser

Não só as técnicas de captura da imagem na Radiologia Odontológica evoluíram, como também foram infor­matizadas as formas de manipulação e pro­cessamento dos exames. Atualmente, existem equipamentos que lêem os cassetes das radiografias e di­gitalizam a imagem obtida, que, neste formato, pode ser manipulada em softwares específicos e passar por acertos de cor e contraste. Este processo é bastante rápido e a possibilidade de fazer ajustes no computador evita que o exame precise ser repetido.

Depois disso, as radiografias - que continuam sendo o método de diagnóstico mais usado no País - podem ser impressas a laser em máquinas especiais. Assim, o processo de revelação químico é substituído por outro mais rápido, mais limpo e menos agressivo ao meio ambiente.



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