
Novos recursos permitem
experiência real e virtual |
Em sua essência, o ensino a distância não é novidade - cursos por correspondência, por exemplo, existem desde o século retrasado. Mas, com a sofisticação de tecnologias interativas, educadores de diversas áreas passaram a utilizar ferramentas como tele e audioconferência, e-mail e web, entre outras, fazendo com que o perfil dos profissionais do presente precise ser adaptado rapidamente, à velocidade com que o conhecimento é desenvolvido e disseminado. |

CD César Arita

Pro-Odonto/ABO: atualização a distância
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São várias as metodologias utilizadas no ensino a distância, mas todas têm em comum a separação de professor e aluno no espaço e/ou no tempo, o controle do aprendizado realizado mais intensamente pelo aluno e a mediação multimídia da comunicação entre as partes envolvidas no processo. O cirurgião-dentista César Arita, doutor em Reabilitação Oral pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (Forp-USP), tem explorado as possibilidades do ensino mediado pela informática através de sua experiência como diretor acadêmico do Pro-Odonto Implantodontia, um dos programas de atualização a distância realizados por parceria entre a ABO Nacional e a Artmed/Panamericana Editora, e que integra o Sistema de Educação em Saúde Continuada a Distância (Sescad).
Os programas Pro-Odonto são organizados por ciclos, sempre acompanhados de materiais de apoio, como cartelas com informações complementares e CDs e DVDs. Os profissionais inscritos nos programas têm acesso, por meio de senha, a informações exclusivas na internet, biblioteca virtual com os ciclos anteriores e centro de informações para esclarecimento de dúvidas - multimidialidade que atraiu a atenção de Arita e fez o profissional se render completamente à nova modalidade de ensino. "Todo conteúdo é submetido a processamento pedagógico e editorial especial, de forma a |
facilitar o aprendizado e a atualização do conhecimento. A real possibilidade de se manter atualizado constantemente através de instrumentos e ferramentas flexíveis e do cotidiano, como a internet, é um grande diferencial do ensino a distância."
Mas Arita conta que nem sempre teve o mesmo entusiasmo pela área. O interesse surgiu recentemente, em 2005, quando o docente teve seu primeiro contato com um sistema de ensino a distância. "Assisti a algumas aulas e comecei a superar uma série de paradigmas que trazia comigo em relação ao assunto", lembra. O principal, relata, era a idéia de que o universo tecnológico, comumente referido como desprovido de humanização, desconsideraria os aspectos afetivo-emocionais, parte importante da aprendizagem. "Isso mudou quando percebi o incrível retorno do público envolvido no processo de ensino a distância. Tem sido assim em todas as minhas experiências na área. O conceito de distante pode ser bastante relativo", pondera.

CD Antonio Eduardo Ribeiro |
A visão é compartilhada pelo cirurgião-dentista Antonio Eduardo Ribeiro, sócio-fundador do Centro Interamericano de Aperfeiçoamento e Educação Continuada (Ciapec), que, ao longo da última década, tem promovido sistemas de educação continuada a distancia em Odontologia. Defensor da mediação informatizada do ensino no Brasil, Ribeiro pretende levar a atualização a distância a profissionais da rede pública de saúde. "O futuro da saúde bucal do brasileiro depende da constante atualização de nossos cirurgiões-dentistas, e a informática, como aliada do ensino, é o caminho para isso", acredita.
O otimismo de Ribeiro é respaldado pelos números dos investimentos no setor no Brasil. Pesquisa realizada pelo Portal e-Learning Brasil apontou |
que o ensino a distância vem se consolidando e deve manter taxas de crescimento de 40% ao ano até 2010, quando deve se movimentar num volume de R$ 3 bilhões.
| Mas, apesar de acreditar no potencial do uso da informática no ensino da Odontologia, Arita é enfático ao dizer que os profissionais de saúde ainda estão longe do aproveitamento pleno das possibilidades oferecidas pela mediação do aprendizado através da tecnologia. "Tenho um filho de um ano e meio e observo a naturalidade com que ele manuseia aparelhos tecnológicos |

Informática: acesso permanente
ao conhecimento |
ao seu alcance. Essa geração não tem medo do desconhecido. Temos que vencer estas diferenças culturais e incorporá-las rapidamente", defende. Para ele, o mercado sabe reconhecer o profissional atualizado, o que se configura um grande incentivo à constante busca pelo conhecimento. "O conhecimento não tem distância e vai ser, pouco a pouco, especialmente através da informática, democratizado ainda mais. Temos que aproveitar o momento atual para nos permitirmos o desafio da mudança de maneira suave e terna."
Ensino, pesquisa e extensão em rede
Para o professor da Forp-USP Luiz Carlos Pardini, tal desafio precisa fazer parte da realidade do futuro cirurgião-dentista desde seus primeiros anos de estudo, ainda na graduação. Pardini tem acompanhado a influência da informática na evolução da formação odontológica de perto, coordenando o Polo de Odontologia Digital Aplicado à Educação (Podae) da Forp, que serve de instrumento pedagógico auxiliar a alunos, professores e pesquisadores.

CD Luiz Carlos Pardini
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Através dele, além de ensino a distância, é possível acessar conteúdos de aulas da graduação, palestras, atividades afins e videoteca com aulas práticas de Odontologia através da internet, no site podae.forp.usp.br. Há, ainda, registros de projetos desenvolvidos por professores e alunos, através dos quais o visitante pode conhecer os grupos de pesquisas e as atividades de extensão da unidade e atualizar conhecimentos técnicos e científicos.
O projeto começou a ser desenvolvido há três anos, quando foram avaliadas as necessidades dos professores na utilização de programas multimeios, e, a partir dos resultados da avaliação, |
foram propostas condições técnicas para sua realização. "O polo é uma plataforma de apoio ao ensino presencial. Os serviços e conteúdos oferecidos são instrumentos de ensino e aprendizagem em Odontologia que estimulam ainda mais a reflexão e a crítica", explica Pardini. Entusiasta das novas tecnologias, o professor acredita ser possível desconsiderar a informática no processo de aprendizagem, mas não recomenda. "O computador funciona como uma extensão das capacidades do corpo humano, uma importante prótese dos nossos potenciais". |